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Vaivém na guerra comercial e no Brexit deixa o mercado financeiro sem uma direção firme, após a recente volatilidade nos negócios

O mercado financeiro segue atento ao vaivém na disputa comercial entre Estados Unidos e China, além das turbulências causadas pelo processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit. Apesar de o ambiente externo seguir predominante, os fatos domésticos também devem influenciar no rumo dos negócios locais.
E os investidores iniciam a sessão de hoje reagindo à notícia de que o primeiro turno da votação da reforma da Previdência no Senado ficou para a quarta-feira da semana que vem (dia 18). A intenção do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, era antecipar para esta semana, mas ele próprio deixou a ideia de lado, em meio à falta de acordo entre senadores.
Em outro front, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já defende abertamente a volta da CPMF, diante da fragilidade das contas públicas. Segundo ele, o novo imposto, rebatizado de ITF (Imposto sobre Transações Financeiras) deve ter alíquota de 0,2% a 1%, o que permitiria reduzir a tributação na folha de pagamento das empresas e acabar com a CSLL paga pelos bancos. O governo ainda não apresentou formalmente um projeto, mas fala em arrecadar até R$ 150 bilhões por ano com o tributo.
O noticiário doméstico evidencia as dificuldades do governo em avançar com as reformas estruturais para colocar a economia brasileira de volta aos trilhos, em um momento em que os sinais de desaceleração da atividade global são cada vez mais evidentes e espalhados, resgatando a cautela entre os investidores, após a volatilidade recente. Ao que tudo indica, as razões para tanta indefinição não desapareceram, apenas tiraram alguns dias de folga.
Esse sentimento já foi observado ontem, embutindo oscilações laterais e com pouca definição entre os ativos de risco pelo mundo, em um movimento liderado por Wall Street. Aqui, a Bolsa brasileira fechou em leve alta, subindo mais um degrau na casa dos 100 mil pontos, ao passo que o dólar também avançou, voltando a flertar com a faixa de R$ 4,10.
Tal comportamento sem rumo único se refletiu hoje na Ásia, onde Tóquio subiu, mas Xangai teve ligeira queda, após a inflação ao consumidor (CPI) chinês subir mais que o esperado em agosto, em +2,8%, ao passo que os preços ao produtor (PPI) caíram menos que o previsto (-0,8%). Já Hong Kong ficou de lado.
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No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram no vermelho, relegando a declaração do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, de que as conversas entre EUA e China “tiveram muito progresso”. Já o pregão na Europa é contaminado pela nova derrota do primeiro-ministro britânico Boris Johnson.
O Parlamento rejeitou o pedido de convocar eleições gerais antecipadas para 15 de outubro. o que permitiria ao primeiro-ministro uma tentativa de recompor a base de poder. Ao mesmo tempo, a Casa aprovou um projeto de lei, sancionado pela rainha, que impede um Brexit sem acordo em 31 de outubro.
A partir de agora, o Parlamento ficará suspenso até 14 de outubro. Mas, na prática, Johnson está forçado a alcançar um acordo com a UE, ou pedir um extensão de três meses do prazo sobre a saída do Reino Unido, caso não haja nenhum consenso até o dia 19 do mês que vem. Em reação, a libra esterlina e o euro recuam frente ao dólar.
Assim, a cena política rouba a cena no mercado financeiro, no Brasil e no exterior, prejudicando a esperança dos investidores com a capacidade dos bancos centrais de reverter o quadro da economia global. Afinal, uma nova rodada de estímulos monetários a serem lançados neste mês pode não ser suficiente para trazer um cenário de maior clareza.
O calendário econômico desta terça-feira está carregado, porém sem grandes destaques. No Brasil, logo cedo, saem a primeira prévia deste mês do IGP-M (8h) e a nova estimativa para a safra agrícola neste ano (9h). Já no exterior, será conhecido o relatório Jolts sobre o número de vagas de emprego disponíveis nos EUA em julho (11h).
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