Com otimismo no exterior, Ibovespa bate novo recorde e fecha acima dos 106 mil pontos
Bolsas no mundo continuam surfando o otimismo gerado pelos acordos entre EUA e China e Reino Unido e União Europeia

Quando o pregão desta segunda-feira (21) começou, eu não achava que seria hoje o dia em que o Ibovespa bateria novo recorde de fechamento. Afinal, o noticiário estava meio esvaziado, e parecia que o mercado ficaria em compasso de espera pelos próximos acontecimentos envolvendo reforma da Previdência, guerra comercial e Brexit.
O principal índice da bolsa brasileira passou a primeira metade do pregão no marasmo, oscilando entre a estabilidade e uma leve alta. Mas na parte da tarde, a coisa começou a esquentar, e o Ibovespa decolou, fechando com ganho de 1,23%, aos 106.022 pontos.
[captacao]
Foi a primeira vez que o índice fechou acima dos 106 mil pontos. O recorde anterior havia sido de 105.817 pontos.
É... parece que ou eu sou pé quente, ou o Victor Aguiar é pé frio. É que o Victor é o titular da cobertura de mercados aqui no Seu Dinheiro, mas hoje precisou focar numa série especial de reportagens que ele está preparando para esta semana.
Para isso, ele me pediu para ficar no lugar dele e, pela segunda vez neste ano, perdeu uma máxima histórica do Ibovespa. No primeiro dia dele aqui no Seu Dinheiro, o Ibovespa bateu os 100 mil pontos pela primeira vez, durante o pregão. Mas era eu quem estava cobrindo o desempenho da bolsa nesse dia. A partir do dia seguinte, quando o Victor finalmente assumiu as picapes, foi só ladeira abaixo por um bom tempo. Foi mal, Victor.
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Surfando a onda do exterior
Por aqui, o dia hoje foi bem tranquilo em termos de agenda e esvaziado de noticiário. Mais cedo, o Banco Central divulgou o seu Boletim Focus, que veio com uma previsão de Selic mais baixa para o final deste ano. Agora, o mercado espera que os juros caiam para 4,5%, frente a uma previsão anterior de 4,75%. Confira todas as projeções do último Focus.
À tarde, a Caixa Econômica Federal anunciou a antecipação do pagamento dos saques do FGTS para todos os não correntistas ainda em 2019, o que pode contribuir para animar um pouco mais a economia ainda em 2019. Antes, os pagamentos seriam estendidos até março de 2020.
No mais, o avanço da bolsa brasileira nesta segunda se deveu muito mais ao otimismo no exterior e às expectativas com a temporada de balanços das companhias que fazem parte do Ibovespa, que começa nesta semana.
Lá fora, as bolsas asiáticas, europeias e americanas fecharam em alta. Os investidores ainda repercutiam os recentes acordos entre Estados Unidos e China e também do Brexit, entre o Reino Unido e a União Europeia.
O Dow Jones fechou em alta de 0,21%, aos 26.825 pontos; o S&P 500 teve ganho de 0,69%, terminando o pregão aos 3.006 pontos; e o Nasdaq avançou 0,91%, terminando do dia aos 8.163 pontos.
Segundo Gabriel Machado, analista da Necton, os resultados corporativos das empresas americanas têm vindo positivos, o que contribui para afastar um pouco o temor de recessão que vem pairando sobre os mercados.
As ações da Boeing, porém, caíram quase 4% nesta segunda-feira, segurando um avanço maior do Dow Jones.
Investidores reagiram à divulgação de uma pesquisa que mostra que cerca de um em cada três funcionários da fabricante de aeronaves já sentiu "potencial pressão indevida" de gerentes a respeito de aprovações relacionadas à segurança de órgãos reguladores federais em vários aviões comerciais.
Incertezas à frente
Para esta semana, o mercado aguarda os desdobramentos de três novelas: a reforma da Previdência, o Brexit e a guerra comercial.
A aprovação da reforma em segundo turno do plenário do Senado é esperada para esta terça-feira (22). Investidores se preocupam, porém, que o racha interno no PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, possa respingar, de alguma forma, na agenda econômica.
Quanto ao Brexit, as incertezas permanecem depois que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi forçado a enviar uma carta à UE pedindo uma prorrogação de três meses para a saída do Reino Unido do bloco comum europeu.
A nova data para o Brexit seria 31 de janeiro, mas Johnson ainda quer manter a saída no fim deste mês. Para tanto, ele precisa conquistar o Parlamento.
Ainda assim, os investidores passaram a achar improvável um Brexit sem acordo, o que devolveu o otimismo às bolsas da Europa.
Já a guerra comercial entre EUA e China ainda segue cheia de problemas a resolver, apesar da recente trégua. "Mas como ambos os países dizem que as negociações estão caminhando, é com essa informação que os mercados trabalham no momento", diz o analista da Necton.
Cautela apareceu no dólar
A cautela em relação a essa série de incertezas apareceu na cotação do dólar, que teve alta de 0,29% nesta segunda-feira, para R$ 4,1317. A moeda americana começou o dia com altas mais expressivas, mas perdeu força no fim do dia.
Contribuiu para a desvalorização do real também a tensão provocada pelos protestos violentos que vêm ocorrendo no Chile, o que impactou as moedas emergentes.
Mas mesmo com o dólar em alta, os contratos de juros futuros fecharam em queda.
O DI com vencimento em janeiro de 2021 terminaram a sessão em 4,440%, ante 4,447% na sexta-feira; já o DI para janeiro de 2023 caiu de 5,43% para 5,42%; e o DI para janeiro de 2025 recuou de 6,121% para 6,110%.
Começa a temporada de balanços
O noticiário corporativo será bastante agitado nesta semana com o início da temporada de resultados do terceiro trimestre de 2019. Oito empresas do Ibovespa divulgam seus balanços nesta semana.
Na quarta (23), a temporada começa com Localiza (RENT3) e Weg (WEGE3). Na quinta (24), Petrobras (PETR3 e PETR4) e Vale (VALE3) divulgam seus resultados, assim como Lojas Renner (LREN3) e Fleury (FLRY3). E na sexta-feira (25), é a vez de Hypera (HYPE3) e Usiminas (USIM5).
Minha colega Larissa Santos conta, nesta matéria, quais são as projeções dos analistas para os resultados das principais companhias desta lista.
Para Gabriel Machado, o início da temporada de balanços será o principal evento da semana. "O que pode fazer o Ibovespa romper a máxima histórica são os resultados positivos das empresas", diz.
Segundo o analista, para a maioria das empresas se espera crescimento de lucro e receita, além de um impacto positivo da queda dos juros no endividamento das companhias.
Yduqs sobe com aquisição da dona do Ibmec
As ações da Yduqs (YDUQ3), ex-Estácio, fecharam com a maior alta do Ibovespa, de 4,36%. Os investidores reagiram positivamente ao anúncio da compra, pela companhia, do grupo educacional Adtalem, dono da marca Ibmec. A transação sairá pelo valor de R$ 1,92 bilhão.
Com a aquisição, a Yduqs passa a ter uma receita líquida de R$ 4,5 bilhões e 678 mil alunos - hoje são 576 mil matriculados e receita de R$ 3,6 bilhões. Na sexta-feira, as ações da holding fecharam o dia cotadas a R$ 38,33. No ano, acumulam alta de 64%.
*Com Estadão Conteúdo
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