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A desarticulação do governo, as investigações evolvendo o senador Flávio Bolsonaro e a guerra comercial no exterior assombraram os mercados. Como resultado, o dólar disparou e o Ibovespa teve queda expressiva na semana
No começo da tarde desta sexta-feira (17), eu telefonei para uma fonte que acompanha de perto o mercado de câmbio. Afinal, a escalada do dólar à vista parecia não ter fim — no horário da ligação, a moeda americana já se aproximava dos R$ 4,11.
Ele não teve muito tempo para falar comigo — parecia bastante atarefado. Mas, em nosso breve diálogo, ele resumiu o sentimento dos mercados:
"Eu diria para você que estamos vendo uma busca por proteção"
E proteção é a palavra da vez nos mercados brasileiros. Em meio a uma espécie de tempestade perfeita, o dólar à vista acumulou alta de 4,56% na semana, fechando a sessão de hoje a R$ 4,1002, e o Ibovespa amargou uma baixa de 4,52% desde segunda-feira, encerrando o pregão aos 89.992,73 pontos.
Somente nesta sexta-feira, o dólar avançou 1,6% — na máxima do dia, chegou a subir 1,91%, a R$ 4,1127. É o maior nível de fechamento para a moeda americana no segmento à vista desde 19 de setembro, quando terminou cotada a R$ 4,1308.
O Ibovespa, por sua vez, chegou a aparecer no campo positivo no período da manhã, chegando aos 91.320,54 pontos na máxima do dia (+1,44%). Mas o índice perdeu força no meio da tarde, terminando a sexta-feira em queda de 0,04%, aos 89.992,73 pontos. É o menor nível de encerramento em 2019.
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Essa espiral de pessimismo que tomou conta dos mercados teve dois vetores: o exterior e a guerra comercial, e o cenário local e a desarticulação política do governo Bolsonaro. Lá fora, seguem as preocupações envolvendo as disputas entre EUA e China e, aqui dentro, um "tsunami" atingiu em cheio o governo, trazendo ampla desconfiança e preocupação aos mercados.
São inúmeros os fatores internos que trazem insegurança aos agentes financeiros. A inabilidade do governo para formar uma base de apoio no Congresso é um ponto frequentemente citado por analistas e operadores — mas não só ele.
Em primeiro lugar, há o temor de que as investigações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro — filho do presidente Jair Bolsonaro — acabem trazendo consequências mais sérias ao governo como um todo. Trata-se de um fator de risco que ganhou força nesta semana e que tende a trazer mais dor de cabeça aos mercados.
Além disso, a forte adesão às manifestações populares contra os bloqueios de recursos à educação também chamaram a atenção, levando a um questionamento muito lógico: qual será a reação do Congresso à percepção de que o apoio ao presidente está diminuindo?
Por fim, a percepção de que o próprio presidente não está tomando grandes medidas para conter a crise — em sua viagem aos Estados Unidos, ele quase não falou sobre o cenário político-econômico do país e fez pouco caso das manifestações da última quarta-feira (15) — também coopera para aumentar o desconforto do mercado.
Todos esses fatores criam um ambiente de muita incerteza na cabeça dos mercados, que já começam a vislumbrar o enfraquecimento e o atraso da reforma da Previdência.
"O governo está demonstrando que não tem habilidade política", diz Jefferson Luiz Rugik, diretor da Correparti. "Tudo que negocia com o Congresso, acaba perdendo. E essa falta de traquejo faz preço internamente".
No exterior, Estados Unidos e China continuam medindo forças — e trazendo incerteza aos mercados financeiros.
Na segunda-feira (13), o governo chinês retaliou e anunciou que irá sobretaxar US$ 60 bilhões em importações de produtos americanos, agravando ainda mais a disputa comercial. Esse cenário fez as bolsas de Nova York abrirem a semana com perdas de mais de 2%.
Mas, desde então, os mercados de Nova York conseguiram passar por uma onda de calmaria — e a chave dessa melhora de humor foram os diversos dados mostrando que a economia americana segue saudável e forte.
Como resultado, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam no campo positivo na terça, quarta e quinta-feira. Hoje, voltaram a cair, mas o saldo da semana não foi tão trágico quanto o do Ibovespa: o Dow Jones acumulou perdas de 0,68%, o S&P 500 teve baixa de 0,76% e o Nasdaq recuou 1,27%.
Contudo, fato é que a guerra comercial continua gerando apreensão no mundo — o que trouxe reflexos especialmente ao mercado de câmbio.
Ao longo da semana, o dólar ganhou força ante as divisas fortes e de países emergentes, como o peso mexicano, rand sul-africano, peso colombiano, rublo russo e peso chileno — e esse contexto também afetou o desempenho do real.
"Existe uma tendência mundial de valorização do dólar, mas aqui estamos na frente", destacou um operador, afirmando que o contexto de incertezas domésticas e internacionais intensifica a busca por proteção no dólar.
Esse operador ainda lembra que, no fim de abril, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra Fernandes, sinalizou que a instituição tinha instrumentos para atuar no mercado local de câmbio caso identificasse alguma anomalia.
"Mas, até agora, o BC não fez nada. Então, o mercado está puxando o dólar para ver quando ele vai entrar no jogo", disse ele, antes do encerramento da sessão. Mas, no fim da noite de sexta-feira, a autoridade monetária resolveu agir.
Em meio à disparada do dólar à vista, o BC comunicou a realização de leilões de linha — ou seja, a venda de dólares com compromisso de recompra — nos dias 20, 21 e 22 de maio, cada um com um montante de até US$ 1,25 bilhão.
Os ganhos expressivos do dólar na semana e o aumento da tensão no front doméstico afetaram fortemente a curva de juros nesta sexta-feira. Os DIs vinham se mantendo relativamente comportados, em meio á percepção de que a economia ainda fraca afastaria a possibilidade de novas elevações na Selic.
No entanto, o mercado hoje promoveu ajustes intensos nas curvas. Os DIs com vencimento em 2021 avançaram de 6,92% para 7,05%, os para janeiro de 2023 subiram de 8,12% para 8,30%, e os para janeiro de 2025 foram de 8,72% para 8,91%.
O bom desempenho do minério de ferro nesta sexta-feira deu forças aos papéis da Vale e das siderúrgicas, como CSN e Usiminas — a commodity fechou em alta de 2,52% na China.
Com isso, as ações ON da Vale (VALE3) recuperam parte das perdas de ontem e fecharam em alta de 2,84%; CSN ON (CSNA3) e Usiminas PNA (USIM5) avançam 2,67% e 2,47%, respectivamente.
Com o dólar acima de R$ 4,10, as ações de empresas que possuem maior exposição ao mercado externo aparecem entre os destaques positivos do Ibovespa. A Vale e as siderúrgicas também se beneficiam por esse efeito, mas outras empresas conseguiram surfar a onda do câmbio com ainda mais propriedade.
Os papéis ON da Suzano (SUZB3), por exemplo, avançaram 6,09%, o melhor desempenho do Ibovespa nesta sexta-feira. Também exportadora, a Embraer viu suas ações ON (EMBR3) terem ganho de 4,13%.
As ações ON da JBS (JBSS3) também aproveitaram a disparada da moeda americana — é importante lembrar que os papéis do frigorífico têm registrado ganhos expressivos com a perspectiva de aumento nas exportações à China, em meio ao surto de febre suína que atinge o país asiático. Ao fim do pregão, os papéis da empresa tinham ganho de 3,88%.
As ações da Petrobras chegaram a ensaiar um movimento de alta nesta manhã, mas a cautela dos mercados em relação ao cenário local e a perda de força do petróleo no exterior acabaram pesando sobre os ativos da estatal.
Lá fora, o petróleo iniciou o dia no campo positivo, mas acabou virando e encerrou a sessão em baixa: o Brent caiu 0,56% e o WTI recuou 0,17%. Além disso, declarações de Bolonaro afirmando que pode rever a política de preços da Petrobras se não houver prejuízos para a estatal também contribuíram para trazer instabilidade aos papéis.
Nesse cenário, as ações PN da Petrobras (PETR4) terminaram a sexta-feira em queda de 2,33%, enquanto os ativos ON (PETR3) tiveram baixa de 0,79%.
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