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Apesar do alarde da indústria e do varejo com a derrubada da taxação para compras internacionais de até US$ 50, o mercado já esperava o fim do imposto e as empresas agora estão mais preparadas — mas ainda há com o que se preocupar

fim da taxa das blusinhas prometia ser o novo “castigo do monstro” para a situação das varejistas de moda, como C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3), na bolsa de valores.
Mas o tal do castigo não foi assim tão ruim. Apesar da preocupação inicial dos investidores, o trio vem reagindo melhor do que o esperado na B3. O governo decidiu ontem (12) revogar o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, medida que beneficia concorrentes estrangeiras como a Shein e o Aliexpress.
A decisão vale inicialmente por 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e precisa passar pelo Congresso para virar lei. Cabe lembrar que a medida não mexe com a cobrança de 20% do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual, sobre as encomendas.
Por volta das 12h, as ações CEAB3 e LREN3 caem 0,91% e 0,51%, respectivamente, enquanto RIAA3 tem queda de 0,70%.
Na visão do Citi, o fim da taxa das blusinhas já era esperado pelo mercado, o que tende a limitar o efeito de surpresa. Segundo o time de análise do banco, a retirada da taxa deve reabrir parcialmente a diferença de preços entre produtos importados e itens domésticos.
Ainda assim, o time de análise do banco pondera que a diferença de preços deve ser menor do que era antes de 2024, quando a taxa entrou em vigor, por causa de mudanças estruturais em preços, logística e dinâmica competitiva implementadas no período.
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O Itaú BBA concorda que impacto da medida sobre as varejistas deve ser mais limitado do que o mercado imaginava inicialmente. O banco estima uma perda potencial de cerca de 2% nas vendas e impactos no lucro de Lojas Renner, C&A e Riachuelo.
Mesmo assim, a avaliação é de que boa parte desse risco já está refletida no preço das ações. Os analistas entendem que os papéis continuam baratos na bolsa, principalmente os da C&A, a empresa com maior potencial de crescimento entre as três.
“A Renner negocia a 8,3 vezes e 8 vezes o lucro estimado para 2026 e 2027, respectivamente, enquanto a C&A está em 7,8 vezes e 7 vezes, e a Riachuelo em 8,6 vezes e 7,8 vezes. A relação entre risco e retorno segue mais favorável do que negativa, especialmente para a C&A”, escreve a equipe em relatório.
O BTG Pactual destaca a experiência recente mostra que o impacto da “taxa das blusinhas” foi relevante, mas não suficiente para frear de vez o avanço dos players estrangeiros.
Antes da tributação, o Brasil recebia mais de 18 milhões de encomendas importadas por mês. Após a implementação do imposto, esse volume caiu para cerca de 11 milhões, mas depois voltou a se recuperar, ficando na faixa entre 15 milhões e 17 milhões mensais.
“A retirada da tarifa tende a acelerar novamente a participação de mercado de plataformas asiáticas como Shopee, Shein e Temu, principalmente em categorias como vestuário, acessórios, beleza e itens para casa”, escreve o banco em relatório.
No entanto, desde o início da taxação, as brasileiras melhoraram o processo de escolha e negociação com fornecedores, a gestão de estoques, o controle de descontos e a estrutura de preços.
Ainda assim, pesquisas do banco mostram que a Shein continua operando com preços inferiores aos varejistas domésticos. A penetração cross-border também avançou em segmentos como eletrônicos, decoração, produtos esportivos e bens de consumo de giro rápido.
“O cenário permanece negativo para varejistas locais devido às vantagens competitivas de plataformas internacionais, embora o setor esteja operacionalmente mais preparado do que durante o pico de pressão competitiva entre 2023 e 2024”, diz o relatório.
Os analistas do BTG também afirmam que as empresas nacionais mais expostas aos consumidores de média e baixa renda ainda enfrentam uma concorrência cada vez mais acirrada das plataformas internacionais, além de um poder de precificação mais limitado.
Para o Itaú BBA, o principal risco a ser monitorado é uma eventual redução do ICMS sobre importações internacionais, o que ampliaria de forma significativa o impacto competitivo para as varejistas locais.
“Ainda assim, vemos essa possibilidade como pouco provável, diante das limitações fiscais dos estados. Vale lembrar que dez estados elevaram as alíquotas de ICMS de 17% para 20% em abril, compensando parcialmente o fim da tarifa federal e reduzindo a vantagem de preço das plataformas internacionais”, destaca o time do banco.
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