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2019-04-04T13:41:44-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Taxas de juros

Serenidade e paciência nas decisões do Copom e Fed

Dia reserva as decisões de política monetária no Brasil e nos EUA e foco está na comunicação

20 de março de 2019
5:35 - atualizado às 13:41
Roberto Campos Neto – presidente do BC
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto - Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Teremos hoje a primeira edição do que podemos encarar como a super quarta-feira da política monetária, já que os calendários de decisão do nosso Banco Central (BC) vão coincidir com os do Federal Reserve (Fed), banco central americano, ao longo de quase todo o ano.

Tanto aqui como lá, mais importante que a decisão será a comunicação sobre o futuro da política monetária, já que a Selic deve ficar nos atuais 6,5% ao ano e o juro americano na sua banda de 2,25% a 2,5% ao ano.

O Fed divulga sua decisão às 15 horas e há coletiva com o presidente, Jerome Powell. Copom sai depois das 18 horas. As agendas se desencontram em maio, mas coincidem nas demais reuniões do ano, nos meses de junho, julho, setembro, outubro e dezembro.

Por aqui, Roberto Campos Neto comanda sua primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e os acenos dados até aqui são de manutenção dos valores de cautela, serenidade e perseverança na condução da taxa básica de juros.

Nada impede o Copom de “surpreender” o mercado, já que as decisões são tomadas a cada reunião, levando em conta as projeções, expectativas e, claro, o julgamento discricionário de cada um dos diretores.

No comunicado apresentado após a decisão, atenção para a descrição do balanço de riscos, já que o BC continuava dando peso maior a possíveis frustrações com a agenda de reformas em detrimento à chance de a inflação continuar surpreendendo para baixo em função de fraca recuperação da atividade. Sobre o ambiente externo, o BC já tinha anotado uma redução de risco em comparação com o fim do ano passado.

A cada indicador de atividade e inflação se intensifica o debate de que o BC teria espaço para testar novas mínimas históricas da Selic, em um esforço para estimular um crescimento que não engrena e já indica que vai decepcionar por mais um ano.

A projeção do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 já caiu da linha de 2,5% para 2%. O BC mantém prognóstico de 2,4% e fará uma atualização no fim do mês, com a divulgação do Relatório de Inflação, no dia 28.

A paciência do Fed

O BC americano deve reiterar sua paciência em avaliar as condições financeiras e da economia no processo de normalização da política monetária. A dúvida dos agentes é se o Fed volta a subir o juro ainda em 2019 ou se o próximo movimento já seria de corte, em um esforço para manter as boas condições da economia.

Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores globais de recursos feita agora em março mostra que cerca de 30% acreditam que o ciclo de alta acabou e 53% trabalham com juros estáveis ou pouco mais baixos aos longos dos próximos 12 meses.

Também há expectativa sobre a redução do balanço da instituição, que foi utilizado para fazer política monetária não convencional nos últimos anos.

O Fed também já iniciou uma importante discussão sobre uma nova forma de conduzir a política monetária e para ter ferramentas suficientes de atuação para debelar a próxima recessão. Um dos pontos de discussão envolve não reagir prontamente à alta da inflação, mas sim utilizar diferentes janelas temporais para cumprir a meta de 2%.

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