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Volta das preocupações com articulação política do governo no Congresso e com a guerra comercial pode deixar investidor mais retraído
Enquanto Estados Unidos e México precisam avançar na questão da imigração ilegal para impedir uma nova fronteira da guerra comercial, mais um banco central pode entrar hoje para a lista de discussão do mercado financeiro em relação à queda dos juros. Desta vez, os estímulos monetários podem chegar à zona do euro. A decisão do Banco Central Europeu, às 8h45, é o destaque da agenda econômica do dia, que está esvaziada no Brasil.
Com isso, os negócios locais devem ficar mais reféns do cenário externo e também do front político, após o adiamento de votações importantes no Congresso. Ontem, o mercado doméstico interrompeu a melhora na dinâmica dos ativos, que vinha sendo observada desde meados de maio, período em que o dólar saiu da casa de R$ 4,10 e veio abaixo de R$ 3,90, e Ibovespa disparou, após bater a mínima do ano, abaixo dos 90 mil pontos.
Os investidores se retraíram, voltando a mostrar preocupação com a articulação política do governo no Congresso, o que pode atrapalhar no andamento da reforma da Previdência, levantando dúvidas sobre a tendência atual de aprovação. Além de votações adiadas (leia mais abaixo), também pesaram relatos sobre mudanças no teto de gastos e o julgamento da Suprema Corte (STF) sobre a necessidade de privatizações passarem pelo Congresso, que continua hoje à tarde.
Lá fora, as atenções estarão voltadas para a entrevista do presidente do BCE, Mario Draghi (9h30). Os investidores esperam encontrar na fala dele o mesmo tom suave (“dovish”) percebido no comandante do Federal Reserve, Jerome Powell, que parece ter deixado a porta aberta para cortes nos juros dos Estados Unidos em breve.
Draghi deve aproveitar a ocasião para detalhar a terceira rodada das chamadas LTRO, que são operações de financiamento de longo prazo aos bancos visando o aumento do volume de empréstimo à economia. Na reunião anterior, em abril, a autoridade monetária havia anunciado que lançaria mão dessa ferramenta, porém o programa seria mais restrito.
Logo cedo, sai o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro nos três primeiros meses deste ano, que deve reforçar a necessidade de estímulo à economia da região da moeda única. À espera desses eventos, as principais bolsas europeias exibem ganhos.
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Em Nova York, os índices futuros das bolsas apagaram as perdas registradas ontem à noite e sobem. Wall Street foi pressionada pelos tweets do presidente norte-americano, Donald Trump, dizendo que as discussões na Casa Branca com representantes do México progrediram, “mas não o suficiente”.
Segundo ele, as conversas serão retomadas hoje. Se não houver acordo, as tarifas de importação de produtos mexicanos vão subir 5% a partir de segunda-feira, com aumentos mensais conforme cronograma. “Quanto mais altas as tarifas, maior o número de empresas que voltarão para os EUA!”, disse Trump.
As tensões comerciais pesaram no pregão da Ásia, onde Xangai caiu 1,2%, uma vez que EUA e China não retomaram as negociações desde o fim da décima primeira rodada, no mês passado. Hong Kong oscilou em alta, enquanto Tóquio ficou de lado, com os investidores ponderando também o otimismo em relação a um corte de juros pelo Fed.
Nos demais mercados, o petróleo se recupera, um dia após o tipo WTI entrar em mercado de baixa (bear market), mas ainda sem sinais de sair dessa tendência. O dólar, por sua vez, recua, com destaque para as altas do euro e o do iene.
Na agenda econômica norte-americana, saem dados sobre a balança comercial em abril, os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA e sobre o custo da mão de obra no início deste ano - todos às 9h30. Antes, às 8h30, sai o relatório sobre as demissões anunciadas por empresas nos EUA no mês passado.
A discussão de uma série de pontos da reforma da Previdência, após quase 280 emendas à proposta original do governo, tornou inviável a apresentação do parecer do relator, deputado Samuel Moreira, na comissão especial nesta semana. A previsão, agora, é de que o documento seja apresentado na semana que vem.
Um dos principais entraves tem sido a inclusão (ou não) de estados e municípios no texto que propõe mudanças às regras para aposentadoria. O tema não é unânime entre governadores, principalmente do Nordeste, e prefeitos. Outras questões em aberto tratam da contribuição do empregador ao regime de capitalização e sobre a regra de transição de servidores públicos.
Ou seja, embora junho seja um mês importante para a tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, ainda tem muita coisa a ser resolvida. Existem dúvidas em relação às emendas que serão feitas ao texto que será aprovado e ao impacto fiscal das novas regras, enxugando a economia desejada pelo governo de pouco mais de R$ 1 trilhão em dez anos.
Também foi adiada a votação do projeto de lei que autoriza um crédito extra de quase R$ 250 bilhões ao governo para pagar despesas correntes. Sem acordo entre deputados e senadores, a proposta deve ser votada na semana que vem. Mas o governo tem pressa, pois o crédito é fundamental para evitar o descumprimento da chamada “regra de ouro”.
Tanto na apresentação do parecer sobre a reforma da Previdência, e posterior votação do texto, quanto na questão que pode levar o presidente Jair Bolsonaro a incorrer em crime de responsabilidade, é preciso levar em conta o fator calendário. Afinal, as tradicionais festas juninas devem esvaziar o Congresso, com deputados e senadores indo para suas bases eleitorais.
Por isso, o cenário segue cauteloso, o que abre espaço para ajustes adicionais nos preços dos ativos locais. A conferir.
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