Menu
2019-08-03T16:00:28+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Carteira cheia

O conglomerado administrado por Warren Buffett tem US$ 122 bilhões para gastar

A Berkshire Hathaway, holding adnimistrada pelo megainvestidor Warren Buffett, encerrou o segundo trimestre deste ano com uma enorme posição de caixa

3 de agosto de 2019
16:00
O megainvestidor Warren Buffett
O megainvestidor Warren Buffett - Imagem: Shutterstock

Em fevereiro deste ano, o bilionário Warren Buffett escreveu uma carta aberta endereçada aos acionistas da Berkshire Hathaway — o conglomerado de investimentos que é administrado por ele. No texto, o veterano do mercado financeiro diz que a companhia passava por uma situação de "excesso de liquidez" e que esperava usar parte dos recursos disponíveis em caixa para adquirir participação em outras empresas.

"No entanto, as projeções imediatas para esse plano não são animadoras: os preços de negócios que possuem prospectos razoáveis no longo prazo estão estratosféricos", disse Buffett, na ocasião. E, a julgar pelo balanço da Berkshire Hathaway no segundo trimestre deste ano, divulgado neste sábado (3), esse panorama não mudou.

Afinal, Buffett e sua companhia não fizeram nenhuma compra relevante neste ano — e, com isso, a posição de caixa do conglomerado subiu ainda mais, passando de US$ 114,2 bilhões em março para US$ 122 bilhões ao fim de junho.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

A Berkshire Hathaway é famosa por suas aquisições volumosas e de grande porte. Atualmente, a empresa administra e gere uma série de subsidiárias que atuam em diversos setores, em especial os de seguros, energia e varejo. Além disso, também possui investimentos em diversas empresas, como Apple e Coca-Cola.

No entanto, a última vez que o conglomerado foi ao mercado para fazer compras foi no longínquo 2015, quando adquiriu a Precision Castparts, uma fabricante de bens industriais e peças para o setor aeroespacial. De lá para cá, Buffett tem caçado novas oportunidades — mas sem sucesso.

Enquanto mantém a carteira fechada, a Berkshire Hathaway tem se dedicado a administrar seu amplo portfólio — e os resultados foram mistos no segundo trimestre deste ano: por um lado, a receita líquida do conglomerado subiu 2,2% na base anual, para US$ 63,6 bilhões, e o lucro líquido avançou 17,1%, para US$ 14 bilhões.

Mas, por outro, o lucro operacional — métrica que é acompanhada de perto pelo mercado como um indicativo da saúde financeira da companhia — caiu 10,9% na mesma base de comparação, para US$ 6,14 bilhões. O resultado foi afetado pelo pior desempenho da Geico, seguradora de automóveis pertencente à Berkshire Hathaway.

Ações estáveis

O conglomerado gerido por Warren Buffett possui dois tipos de ações: as de classe A (BRK-A) e B (BRK-B). Há diversas diferenças entre os dois ativos, mas a mais chamativa é o preço: enquanto os primeiros estão cotados acima dos US$ 300 mil, os segundos são negociados a valores mais acessíveis, de cerca de US$ 200.

Segundo o bilionário, os papéis do tipo B são voltados ao investidor de varejo, enquanto os do tipo A são desenhados para quem deseja fazer um aporte de longo prazo na Berkshire Hathaway, sem buscar retornos rápidos. Assim, há uma quantia muito maior de ações classe B no mercado.

No entanto, um ponto que conecta os dois ativos é o desempenho tímido em 2019. As ações do tipo B, por exemplo, fecharam o pregão da última sexta-feira (2) em alta de 0,48%, a US$ 202,67 — no ano, contudo, os papéis acumulam baixa de 0,7%.

Já os papéis tipo A encerraram a última sessão com ganho de 0,77%, a US$ 306 mil — o exato mesmo preço visto em 31 de dezembro do ano passado.

Carteira cheia

Com as bolsas americanas dos Estados Unidos muito perto das máximas históricas, Warren Buffett e seus sócios na Berkshire Hathaway têm encontrado dificuldades para encontrar boas oportunidades para a compra de empresas e ativos. No entanto, o caixa de US$ 122 bilhões disponível para aquisições deixa o mercado alerta.

"Essa realidade decepcionante significa que, em 2019, provavelmente vamos continuar expandindo nossas posições em ações de empresas interessantes", escreveu Buffett, na carta de fevereiro. E, de fato, a Berkshire Hathaway possui investimentos volumosos em diversas companhias de capital aberto.

Ao fim de junho, o valor justo dos investimentos em ações do conglomerado era de pouco mais de US$ 200 bilhões. A maior parte desse montante está concentrado em cinco empresas: Apple (US$ 50,5 bilhões), Bank of America Corp. (US$ 27,6 bilhões), Wells Fargo (US$ 20,5 bilhões), Coca-Cola (US$ 20,4 bilhões) e American Express (US$ 18,7 bilhões).

"Nós continuamos, no entanto, a torcer por uma aquisição 'do tamanho de um elefante'", ponderou o megainvestidor, a respeito dos prospectos para 2019, afirmando que o mero pensamento de uma transação de grande porte fazia seu coração disparar.

Bom, ao menos na primeira metade de 2019, essa grande aquisição não aconteceu. Mas, com US$ 122 bilhões na carteira, Buffett e a Berkshire Hathaway certamente têm capacidade para comprar alguns elefantes no mercado.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Aquecendo o mercado imobiliário

Novo programa habitacional pode ter verba de R$ 450 milhões em 2020

Governo quer substituir o atual programa habitacional por um sistema de “voucher”, um vale que assegurará um crédito às famílias para a casa própria

Destinos no Brasil e América do Sul

Latam Brasil amplia acordo de codeshare com a Qatar Airways

Agora bilateral, a parceria proporcionará aos clientes da Qatar Airways conexões para destinos em todo o Brasil e América do Sul

Seu Dinheiro na sua noite

Não é só a Previdência

Quando Paulo Guedes assumiu o comando da economia no governo Bolsonaro, formou-se no mercado um misto de grande expectativa e curiosidade. Afinal, era a primeira vez que o Brasil teria uma diretriz liberal “puro sangue”. Parte dos investidores esperava que as primeiras medidas de abertura comercial fossem tomadas logo em janeiro, já que não dependiam […]

Mercado paralelo

Unick Forex é alvo de operação da PF por esquema de pirâmide financeira

A empresa vinha sendo investigada por atuar no mercado financeiro paralelo com a captação ilegal de recursos de cerca de um milhão de clientes

Caged saindo do forno

Saldo líquido de emprego formal foi positivo em 157.213 vagas em setembro

Saldo de setembro do Caged decorre de 1,341 milhão de admissões e 1,184 milhão de demissões

Não está sendo fácil

Campos Neto destaca nos EUA choques internacionais que afetaram PIB em 2019

Apresentação do presidente do BC mostra que a projeção do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2019 é de 0,87%

Crise profunda no PSL

Bolsonaro tenta derrubar líder na Câmara, sofre derrota e destitui Joice Hasselmann da liderança no Congresso

Presidente atuou pessoalmente para tentar derrubar Delegado Waldir, mas movimento foi falho e apenas aprofundou a crise no partido

falam os analistas

UBS eleva preço-alvo da Via Varejo, mas diz que ainda não é hora de comprar a ação da companhia

Analistas do banco suíço avaliam que mudanças promovidas na varejista após a retomada do controle acionário pelo bloco da família Klein ainda não são suficientes para recomendar a compra dos papeis, que ontem fecharam cotados a R$ 7,82

Tá bem na fita

Santander recomenda compra das ações do Banco Pan, chama ativo de “melhor dos dois mundos” e papéis disparam na bolsa

Setor de investimentos do banco espanhol iniciou sua cobertura das ações com um preço-alvo de R$ 14

Balanço SPE

Queda do juro no Brasil é estrutural, diz Ministério da Economia

Entre 2011 e 2013, queda de juros foi feita “na marra” e se tornou insustentável. Agora, Selic menor é vista como sustentável

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements