Menu
Alexandre Mastrocinque
Que Bolsa é essa?
Alexandre Mastrocinque
É economista, contador e especialista em investimento em ações
2018-10-29T08:19:09+00:00
Que ações vão bombar?

Se o Ibovespa decolar, o lixo vai explodir

O “kit Brasil” continua valendo: estatais como Branco do Brasil (BBAS3), Eletrobras (ELET6) e Petrobras (PETR4) devem puxar a fila. Se estivermos falando de mais de 100 mil pontos no Ibovespa, o que vai subir mesmo é o “lixo”.

29 de outubro de 2018
5:28 - atualizado às 8:19
Placa indica alta no Ibovespa
Placa indica alta no Ibovespa - Imagem: Shutterstock

“Você voltaria até quando para tentar consertar o país?”

“Difícil dizer, mas me parece que tem muita coisa errada com a Constituição de 88. Certamente daria para melhorar algumas coisas.”

Meu primo, que é mais velho e infinitamente mais sábio, rebateu:

“Acho que as coisas começaram a dar errado um pouco depois de assinarem o Tratado de Tordesilhas.”

O Brasil é um país confuso, para dizer o mínimo.

Uma coleção de jabuticabas: arremedos, puxadinhos e privilégios. Fundado na tradição das Capitanias Hereditárias, 500 anos de idas e vindas nos transformaram no país da meia-entrada, se Marcos Lisboa me permite...

Não é uma pessoa, qualquer que seja, que vai dar conta de arrumar toda essa bagunça.

O caminho é longo e os problemas, enormes. Estamos à beira de um colapso fiscal, a reforma da Previdência está uns cinco anos atrasada e as reformas política e fiscal são mais do que prioridades.

Mas Bolsonaro recebeu cerca de 58 milhões de votos (pouco mais de 55% dos votos válidos) – quase 11 milhões de votos a mais que o “Andrade” – o que lhe dá capital político e legitimidade para implementar as ideias de Paulo Guedes, economista mais do que respeitado e, acredita-se, capaz de indicar um bom caminho para a economia do país.

O que virá desse novo governo, só o tempo dirá.

Mas a eleição das agendas reformistas e, mais do que isso, a derrota do partido responsável por boa parte dos problemas econômicos que estão aí na mesa, tendem a gerar um clima de euforia não só nos mercados financeiros, mas na economia real.

Empresários devem aprovar investimentos e o otimismo deve impulsionar o consumo. Se levarmos em consideração o momento favorável do ciclo – ociosidade, baixa pressão inflacionária, juros baixos (podem subir um pouco) – há um crescimento “contratado” para os próximos anos.

Nesse ambiente, não enxergo uma classe de ativos melhor do que ações: os 100 mil pontos são, sim, uma realidade possível, ainda mais se os ventos lá de fora continuarem soprando a nosso favor. Já tem gente falando em 125 mil ao fim de 2019, olha aí o tal do otimismo que gira a economia!

E, se for isso mesmo, se a euforia tomar conta, quase tudo vai subir – vai ser uma alta “across the board” como gostam de falar os gringos (cujo capital deve inundar os mercados brasileiros nos próximos meses). Isso, claro, sempre pensando nas condições normais de temperatura e pressão, ou seja, desde que não tenhamos nenhuma ruptura nas economias lá de fora, que já mostram alguns sinais de desgaste.

Nem tudo vai subir igual, claro.

Que ações vão bombar?

O “kit Brasil” continua valendo: estatais como Branco do Brasil (BBAS3), Eletrobras (ELET6) e Petrobras (PETR4) devem puxar a fila. Algumas estaduais também podem brilhar, com destaque para Cemig (CMIG4), que tem tudo para viver dias de glória depois da vitória esmagadora de Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais.

Se o brasileiro se animar e for às compras, as chamadas cíclicas domésticas – B2W (BTOW3), Lojas Americanas (LAME3), dentre várias outras – podem apresentar crescimento forte.

Com o capital fluindo para cá, o dólar perde um pouco da pose e as exportadoras, como Fibria (FIBR3), Suzano (SUZB3) e Vale (VALE3) podem perde o fôlego – ficaria longe delas até o fim do ano.

Gosto muito das empresas de infraestrutura, como Rumo (RAIL3), e de shoppings – Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTA3) podem voar, já que, com essa animação toda, é difícil acreditar que os juros não cedam mais um pouco – será que veremos a “B” com cupom abaixo dos 4% nos próximos meses???

Mas, cá entre nós, se vier tudo isso mesmo. Se estivermos falando de 100 mil, 125 mil ou sei lá quantos mil pontos, o que vai subir mesmo é o “lixo”. Empresa alavancada, microcaps e vários daqueles nomes que a gente nem lembrava ser listada. Por que não fazer uma fezinha em Oi (OIBR3) e Brasil Properties (BRPR3)? Para fechar o carrinho e partir para o checkout, um punhado de SMALL11, só para ter certeza de que tem um monte das pequenas ali na cesta.

Como vai terminar a união do capitão com o economista liberal eu não sei. A oposição já deve estar se armando e, ao primeiro sinal de desgaste político, veremos do que é feito esse casamento. Até lá, Bolsonaro tem um parlamento relativamente favorável e, ao que tudo indica, está formando uma coalizão para governar.

O que nos resta agora é torcer para um bom governo e para que o país, já dividido há tantos anos, encontre uma forma de caminhar junto – tomara que, de fato, Bolsonaro governe para todos, como sinalizou em seu primeiro discurso.

Enquanto torcemos, não custa nada se posicionar para surfar a onda e colocar uma grana no bolso.

Leia também

Com vitória de Bolsonaro, mercado entra em festa. E você pode participar

Os Estados Unidos podem atrapalhar a festa do investidor brasileiro? Só depois do parabéns!

Paulo Guedes: O foco do programa econômico será o controle de gastos

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Perto do fim

CCJ do Senado marca reunião para analisar emendas do 2º turno da reforma da Previdência

Até o momento, senadores apresentaram nove sugestões de alteração, que mexem na redação da proposta

Seu Dinheiro na sua noite

Quando a realidade se impõe

Groucho Marx dizia que jamais faria parte de um clube que o aceitasse como sócio. Durante muito tempo os brasileiros trataram erroneamente a bolsa de valores como o tipo de clube desprezado pelo lendário comediante. Mas essa realidade começa a mudar. Quem decidiu ingressar no clube da renda variável no início do ano obteve um […]

De olho no gráfico

S&P vai, não vai, fez que vai…

Apesar da recente alta em um dos principais índices da bolsa de Nova York, Fausto Botelho ainda projeta um ciclo de queda

Dados do Tesouro

União honra R$ 442,6 milhões e dívidas de governos estaduais em setembro

Nos primeiros nove meses de 2019, o governo federal precisou desembolsar R$ 5,695 bilhões para honrar dívidas garantidas pela União de quatro Estados

Papo reto

Para Sabesp, metas definidas pelo relator no marco do saneamento são difíceis de atender

Entre os pontos tidos como difíceis de cumprir está o limite de 25% para subdelegações pelo prestador de serviços

Falando em projetos...

Na reforma da Previdência dos militares, contribuições devem aumentar mais rápido que o proposto pelo governo

Segundo relatório da Câmara, a cobrança que hoje é de 7,5% passará a 9,5% já no ano que vem, chegando a 10,5% em 2021

Gestoras

JGP lista 6 fatores que devem impulsionar a economia e empurrar a bolsa para cima em 2020

Gestora acredita que migração de renda fixa para ações vai continuar dando força ao Ibovespa. Carta de setembro também faz uma defesa do teto de gastos

novidade lá fora

Google anuncia Pixel 4, celular que promete controle por gestos sem tocar na tela

Em evento nos EUA, companhia apresentou uma série de produtos novos, incluindo a segunda geração de seu alto-falante inteligente, o Nest Mini, e o notebook Pixelbook Go; ações sobem

no topo

PAN, BMG e Bradesco lideram ranking de reclamações contra bancos do BC

Pan registrou índice de 149,58. Em segundo lugar, aparece o BMG (82,33) e, em terceiro, o Bradesco (24,16)

vamos fala das teles

Na esteira de notícias sobre possível venda da Oi, presidente da dona da Vivo diz que ficarão no Brasil as teles capazes de investir

Christian Gebara reiterou o plano trienal de investimentos da Telefônica, que prevê chegar a aportes de R$ 9 bilhões em 2019

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements