Menu
2019-06-10T13:56:40+00:00
com a palavra, a gol

Para presidente da Gol, Azul na ponte aérea é ‘cortina de fumaça’

Para Paulo Kakinoff, presidente da Gol, a Azul está criando uma falsa imagem, junto à população, de que se tivesse mais slots em Congonhas, a competição aumentaria e os preços das passagens cairiam

10 de junho de 2019
13:54 - atualizado às 13:56
Paulo Kakinoff, presidente da Gol
Paulo Kakinoff, presidente da Gol - Imagem: Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo/AE

É pouco comum, no mundo das grandes corporações brasileiras, críticas públicas a atitudes de concorrentes. Paulo Kakinoff, presidente da Gol, resolveu, porém, questionar de forma direta a atuação da Azul no processo de disputa pela Avianca Brasil. Os ativos da companhia aérea, que está em recuperação judicial, deverão ir a leilão nesta segunda-feira, 10.

Para o executivo, a Azul está criando uma falsa imagem, junto à população, de que se tivesse mais slots (autorizações para pouso e decolagem) em Congonhas, a competição aumentaria e os preços das passagens cairiam. "A Azul desconsidera um processo de recuperação judicial legítimo e a regulamentação vigente", afirma.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

A Azul acusa Gol e Latam de entrar na disputa pela Avianca para tirá-la do jogo. Como o sr. responde a isso?

Isso é uma falácia repetida para influenciar a opinião pública. A Gol decidiu participar do processo de venda porque tem a estratégia de procurar oferecer mais voos a preços atraentes. Nossas discussões sobre a aquisição dos ativos da Avianca se iniciaram muito antes da recuperação judicial. A posição adotada pela Azul decorre apenas da sua frustração: acreditava que iria se apropriar das posições, pagando muito pouco ou quase nada. A verdade é que do ponto de vista concorrencial nada mudou.

Como assim?

Sempre foi possível à Gol ou a qualquer companhia aérea apresentar proposta concorrente à da Azul. Mas o formato proposto inicialmente pela Azul (na qual ela compraria sozinha os slots da Avianca) era extremamente anticompetitivo - favorecia apenas a ela na medida que seus principais concorrentes (Gol e Latam) enfrentariam dificuldades de ter uma operação (de aquisição) aprovada pelas autoridades. Temos agora um formato nivelado, em que todos os interessados participam em condições de igualdade. Nesse processo, a Gol foi a única aérea que nunca deixou de aceitar passageiros da Avianca. Foram 43 mil clientes desde dezembro, com custo superior a R$ 10 milhões. E fizemos um aporte de R$ 52 milhões na companhia para financiar o capital de giro e nunca abordamos nenhuma das empresas que faziam leasing para a Avianca para retirada de aviões.

Os recursos foram todos para a Avianca ou houve acordo para que fossem para o fundo Elliott, que propôs a entrada de Gol e Latam na disputa?

Todos os recursos foram para o caixa e a gestão da empresa.

Latam e Gol são as mais beneficiadas com o fim da Avianca?

A Gol não será a maior beneficiada. Se vier a decretar falência, todas as empresas que operam nas rotas da Avianca serão igualmente beneficiadas.

A Air Europa mostrou interesse pela ponte aérea. O que é melhor: Azul ou Air Europa competindo no trecho?

A Gol respeita e valoriza a livre concorrência. Neste momento, está se discutindo a possibilidade de empresas estrangeiras operarem no País com a autorização da participação de 100% de capital estrangeiro, decisão que sempre foi apoiada pela Gol.

Como o sr. viu a propaganda que pedia Azul na ponte aérea?

Esse tipo de recurso cria uma realidade fantástica com o claro objetivo de manipular a opinião pública e os órgãos reguladores. É uma prática empresarial antiga e que já deveria ter sido abolida. A Azul demonstra pretender obter os slots da Avianca por um caminho alternativo que desconsidera o processo de recuperação judicial legítimo e a regulamentação vigente. Plano que, acredito, não terá êxito, pois os órgãos reguladores do Brasil são sérios, técnicos e independentes.

A Azul na ponte aérea não favoreceria o consumidor?

Inicialmente, é importante desmistificar o tema: se realmente tivesse interesse, a Azul já estaria operando na ponte aérea, independentemente da recuperação judicial da Avianca. A Azul já possui hoje uma quantidade de horários de pousos e decolagens disponíveis em Congonhas superior àquela alocada pela Avianca para operar na ponte aérea. A Azul não opera na ponte aérea por uma questão comercial própria, e não por não dispor dos horários. Esse tema da ponte aérea é uma cortina de fumaça para invalidar a regra vigente de distribuição de slots. Ainda não conseguimos enxergar quais seriam os benefícios ao consumidor. A Azul tem as tarifas mais altas do mercado. Nas rotas que opera sozinha, as tarifas chegam a ser 70% mais caras que as praticadas pela Gol em trechos equivalentes. Basta comparar os valores das passagens para o mesmo destino.

Com a saída da Azul da Abear, houve um 'racha' no setor?

Não houve racha no setor. Tivemos um concorrente que decidiu sair da associação, sem nenhum impacto ou prejuízo em sua atuação.

Não é melhor para a Gol que o leilão não aconteça, para que ganhe os slots sem custo?

Se não houver leilão, defendemos que sejam distribuídos pela regulação 338, que determina que metade dos slots irá para novos entrantes e metade entre Gol, Latam e Azul.

Haverá novos entrantes?

Tenho absoluta certeza de que sim, haverá novos entrantes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

A Bula da Semana

A Bula da Semana: Mundo mais suave, apesar da guerra

Viés dovish dos principais bancos centrais no mundo em resposta à desaceleração econômica causada pela guerra comercial alimenta o apetite por ativos de risco

Entrevista

Ex-diretor do BC diz que só o corte de juro não destrava economia do país

José Júlio Senna, economista do Ibre-FGV, diz que empresários já têm à disposição dinheiro mais barato. “E nem por essa razão há fila de empresários querendo tomar crédito.”

A Bula do Mercado

Semana promete novidades sobre guerra comercial e Previdência

Donald Trump e Xi Jinping devem se reunir durante o G20 para tratar da disputa tarifária e a comissão especial na Câmara deve votar o parecer da reforma da Previdência

Vídeo

Como investidor, eu devo me preocupar com o Brexit?

No próximo domingo (23), a escolha pelo Brexit completa três anos, mas o processo ainda se arrasta, e a saída do Reino Unido da Unidão Europeia foi adiada para outubro; mas qual o impacto que isso pode ter no seu bolso?

ENTREVISTA

“Assistimos a um parlamentarismo branco na reforma”, diz economista

O economista Fabio Giambiagi, especialista no tema, está “relativamente otimista” com a aprovação da mudança constitucional

Bancos públicos

CPI vê falhas no BNDES em operações no exterior

Entre os principais pontos levantados até agora estão ausência de critérios para rebaixamento de risco antes de conceder o crédito e a falta de auditoria para fiscalizar a aplicação do dinheiro

Agricultura

Chinês Qu Dongyu é eleito diretor-geral da FAO; Tereza Cristina comemora

O vice-ministro chinês assume o mandato a partir de 1º de agosto, no lugar do brasileiro José Graziano da Silva, que ocupa o cargo desde 2012

Pedido negado

Fachin nega habeas a ex-dirigente da Petrobras condenado a 10 anos na Lava Jato

Em fevereiro de 2018, o ex-gerente da estatal petrolífera foi condenado pelo então juiz federal Sérgio Moro

PRAGMATISMO

O ex-comunista que tem fé na reforma da Previdência

O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, diz agradar ao mesmo tempo o governo e a oposição

DEIXA VOAR

Carrefour vende controle de suas atividades na China para Suning.com

A transação, que será paga em dinheiro, avalia o Carrefour China em um valor de empresa de 1,4 bilhão de euros

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements