Investigação na Via Varejo deve terminar em fevereiro e envolve funcionários de médio escalão
De acordo com diretor de RI da empresa, o impacto para 2020 será "baixíssimo", e a saída de caixa voltada para o pagamento de pendências trabalhistas deve se manter estável, especialmente depois de algumas iniciativas tomadas pela empresa

Depois de ter admitido que houve fraude contábil na Via Varejo, o diretor de relações com investidores da companhia, Orivaldo Padilha, afirmou que a investigação teve três fases e que a última deve terminar em fevereiro do ano que vem.
Em evento voltado para investidores hoje (17), o diretor disse ainda que não há nenhuma posição do que será feito juridicamente. "O que a gente tem até agora é que são funcionários de médio escalão da Via Varejo. Mas a gente vai chegar ao ponto final da investigação e ver o que pode ser feito judicialmente", afirmou.
Padilha disse ainda que os impactos contábeis devem ser vistos no quarto trimestre com provisões de contingências, mas reiterou que a estimativa do impacto do caixa é de R$ 900 milhões entre os próximos três a quatro anos.
De acordo com o diretor, o impacto para 2020 será "baixíssimo" e a saída de caixa voltada para o pagamento de pendências trabalhistas deve se manter estável, especialmente depois de algumas iniciativas tomadas pela empresa.
Na última quinta-feira (12), a Via Varejo confirmou a descoberta da fraude contábil, com impacto de até R$ 1,4 bilhão no resultado do quarto trimestre.
Segundo o documento, houve manipulação da provisão trabalhista da companhia e diferimento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos.
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Questões trabalhistas
Ao ser questionado sobre o que será feito pela empresa para contornar os problemas trabalhistas, Roberto Fulcherberguer, CEO da empresa, disse que a companhia está treinando e investindo na recuperação de vendedores com o foco em reduzir a rotatividade dos funcionários da companhia.
"A empresa estava estagnada e o turnover [rotatividade de funcionários] era alto [...] Havia um problema de controle de horas extras também que provavelmente não era bem feito no passado. Ao melhorar esse e outros pontos poderemos ter menos causas trabalhistas", destacou o CEO da empresa dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio.
Ele citou ainda que a companhia ficou à venda durante um bom tempo e que "agora estão 100% focados em melhorar a governança corporativa e em deixar mais claro os canais éticos da empresa, treinando o time e minimizando ou retirando riscos de potenciais problemas".
Novidades para o marketplace
Além de melhorias em termos de carreira para os funcionários, a Via Varejo vai investir na evolução da plataforma. Mesmo sem dar muitos detalhes sobre o que será feito de fato, a companhia adiantou que vai lançar novos apps em até seis meses.
E anunciou que vai focar em diminuir a dificuldade de entrada de novos vendedores em seu marketplace. Para isso, fará o lançamento de uma nova plataforma voltada para eles.
Projeções para 2020
Ao falar sobre números para o próximo ano, a empresa mostrou que está com um plano agressivo. Padilha destacou que espera um crescimento total de vendas de dois dígitos (sem revelar detalhes sobre números) e que o GMV (indicador da receita gerada no comércio digital) deve ficar em 30%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve ficar entre 5% e 7% e o Capex (ou seja, a quantidade de recursos financeiros alocados para a compra de bens de capital de uma determinada companhia) deve ficar entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões.
Já em termos de lojas físicas a expectativa é de expansão, especialmente para as regiões Norte e Nordeste. A companhia espera abrir entre 70 e 90 lojas físicas na região em 2020. Hoje, a companhia possui 1.071 lojas físicas.
Mas o foco não estará unicamente na expansão física. Segundo o CEO da Via Varejo, a companhia vai focar onde o cliente estiver mais interessado, o que pode ser tanto o on-line quanto o offline.
Oferta de ações
E mesmo com a necessidade de reforço de caixa para investir e crescer acima de dois dígitos, a companhia disse que não planeja fazer uma oferta de ações por agora.
"A nossa perspectiva é que a ação está barata para que seja preciso pensar em uma alternativa dessas [oferta de ações] para financiamento e crescimento. Não há nada definido hoje", disse o CEO da Via Varejo.
Para se financiar e alongar as dívidas de curto prazo, a companhia não descartou a possibilidade de fazer uma emissão de debêntures. Ao ser questionado sobre endividamento, Fulcherberguer disse que "o mais provável é que a companhia emita debêntures (títulos de dívida privados) com prazos entre dois ou três anos".
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