Menu
2019-07-30T18:09:23+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Dia de cautela

Antes da luta decisiva dos juros, os mercados preferiram aprimorar a defesa — e derrubaram o Ibovespa

A expectativa em relação às decisões de política monetária do Fed e do BC, amanhã, deu um viés de precaução ao Ibovespa e às bolsas americanas

30 de julho de 2019
10:33 - atualizado às 18:09
Equipamento de boxe
Preocupado com eventuais surpresas com o Fed amanhã, o Ibovespa e as bolsas americanas ficaram na defensiva e fecharam em baixaImagem: Shutterstock

Wall Street está tomada de cartazes e letreiros luminosos. "A luta dos juros" é o assunto do momento entre os agentes financeiros — e a expectativa para esse duelo, marcado para quarta-feira (31), traz ampla ansiedade aos mercados globais, inclusive o Ibovespa.

No córner azul, estará o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. A instituição decidirá, na tarde de amanhã, a nova taxa de juros do país, e as casas de aposta indicam o favoritismo do cenário de corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, há quem esteja colocando dinheiro em cenários diferentes.

No córner vermelho, estarão os mercados globais, que passaram os últimos dias treinando para não serem pegos de surpresa. Afinal, o Fed possui um amplo leque de movimentos — jabs, diretos, cruzados, ganchos, esquivas —, e os agentes financeiros não querem ser nocauteados por um golpe inesperado.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Assim, os agentes financeiros preferiram promover os últimos ajustes na estratégia nesta terça-feira (30), véspera da luta decisiva. E a maior parte desse último treinamento foi dedicada ao aprimoramento da defesa: tanto as bolsas americanas quanto o Ibovespa encerraram o pregão em queda, refletindo a cautela dos mercados antes de subir ao ringue.

O principal índice acionário brasileiro fechou em baixa de 0,53%, aso 102.932,76 pontos — na mínima do dia, o Ibovespa chegou a cair 0,86%, aos 102.596,13 pontos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (-0,09%), o S&P 500(-0,26%) e o Nasdaq (-0,24%) seguiram tendência semelhante.

O dólar à vista também refletiu essa preocupação: a moeda americana terminou a sessão em alta de 0,22%, a R$ 3,7915 — no momento de maior tensão, a divisa tocou os R$ 3,7992 (+0,43%).

Eye of the Tiger

A luta de amanhã é especialmente importante para os mercados porque há ampla expectativa de corte de juros por parte da autoridade monetária americana, o que, se confirmado, representará o primeiro movimento de redução nas taxas dos EUA em uma década.

No meio do mês, os agentes financeiros até chegaram a apostar que o BC americano poderia ser agressivo e promover um ajuste mais amplo, de 0,50 ponto percentual nos juros. No entanto, com a economia do país não dando sinais mais intensos de fraqueza — e com o Banco Central Europeu (BCE) hesitando em reduzir as taxas na região —, esse cenário parece bem menos provável.

Assim, os mercados sobem ao ringue esperando que o primeiro golpe a ser desferido pelo Fed seja um cruzado de 0,25 ponto percentual. No entanto, após esse primeiro ataque, não há consenso quanto ao que a autoridade monetária poderá fazer daí em diante.

"Um corte de juros de 0,25 pelo Fed parece bem definido", diz Victor Candido, economista da Journey Capital. No entanto, ele pondera que as sinalizações a serem dadas a respeito dos próximos passos da política monetária — quando e se ocorrerão novos ajustes negativos, e em qual intensidade — também são fatores muito importantes para os mercados.

Afinal, os juros são fatores fundamentais na tomada de decisão dos agentes financeiros: taxas mais baixas diminuem a atratividade dos investimentos em renda fixa e estimulam a tomada de risco pelos mercados. Nesse cenário, as ações e ativos de países emergentes acabam ficando mais interessantes, já que tendem a oferecer retornos mais altos.

De qualquer maneira, os mercados optaram por diminuir um pouco suas posições em bolsa nesta terça-feira, de modo a ficarem menos expostos a eventuais surpresas por parte do Fed — o que fez o Ibovespa retornar ao nível dos 102 mil pontos.

Mas, no Brasil, os mercados irão enfrentar mais uma luta amanhã.

Segundo round

O Banco Central do Brasil também divulgará amanhã sua decisão a respeito da taxa Selic, por volta das 18h — portanto, poucas horas depois de o Fed publicar suas diretrizes de política monetária, às 15h. E, assim como o BC americano, o Copom também pode desferir diversos golpes diferentes.

Por aqui, as casas de aposta também indicam que um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros é o cenário mais provável para a luta de amanhã. Só que os agentes financeiros locais parecem mais preocupados quanto à imprevisibilidade dos movimentos do BC.

Um movimento mais agressivo, de corte de 0,50 ponto percentual, não está completamente descartado. No entanto, também não está fora de cogitação uma postura pacifista do Copom, mantendo a Selic nos atuais 6,5% ao ano. "O BC tem condição de não fazer nada, dada a comunicação. Tem espaço para tudo", diz Candido.

E, assim como no caso do Fed, as sinalizações a respeito dos próximos passos também serão fundamentais para definir o comportamento dos ativos brasileiros — seja o Ibovespa, o dólar à vista ou a curva de juros — daqui para frente.

Nesse contexto, o dólar à vista teve mais um dia de alta, aproximando-se do nível dos R$ 3,80, também impulsionado pelos ganhos da moeda americana no exterior em relação a quase todas as divisas do mundo. As curvas de juros, por sua vez, ficaram perto da estabilidade, tanto na ponta curta quanto na longa, com os mercados optando por aguardar pela definição da luta antes de promover ajustes mais intensos de posição.

Nesse contexto, os DIs para janeiro de 2020 caíram de 5,57% para 5,56%, enquanto as com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 5,43% para 5,42%. Na ponta longa, as curvas para janeiro de 2023 ficaram estáveis em 6,30%, e as com vencimento em janeiro de 2025 tiveram baixa de 6,85% para 6,83%.

Treino intenso

Enquanto se prepara para a luta de amanhã, o Ibovespa usou o noticiário corporativo e a temporada de balanços como ferramentas para ajustar posições e se preparar de maneira definitiva. Quanto aos resultados trimestrais, duas empresas que compõem o Ibovespa reportaram seus números recentemente: Itaú Unibanco e Multiplan.

O banco encerrou o período entre abril e junho deste ano com lucro de R$ 7,034 bilhões, um avanço de 10,2% na base anual — apesar disso, os papéis PN da instituição (ITUB4) recuaram 3,32%. O dia foi marcado pelo mau desempenho das ações do setor bancário: Bradesco ON (BBDC3) teve baixa de 1,74%, Bradesco PN (BBDC4) caiu 2,07% e as units do Santander Brasil fecharam em queda de 3,10%.

Já a operadora de shoppings reportou baixa de 20,9% em seu lucro, para R$ 115,2 milhões, mas viu sua receita líquida avançar 6% na mesma base de comparação, para R$ 324,8 milhões. Nesse cenário, os ativos ON (MULT3) da companhia subiram 1,53% neste momento.

Ainda dentro do Ibovespa, destaque para o bom desempenho das ações mais expostas à economia doméstica, caso de GPA PN (PCAR4), em alta de 3,86%, Ecorodovias ON (ECOR3), com valorização de 2,00%, e MRV ON (MRVE3), com ganho de 2,40%, entre outras.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

clima tenso

Europeus se dividem sobre risco ao Mercosul

Decisão do presidente francês, Emmanuel Macron, de obstruir um acordo comercial entre a União Europeia e o grupo Mercosul divide opiniões entre líderes mundiais

no g7

Acordo comercial com os EUA não será fácil, diz primeiro-ministro britânico

Boris Johnson citou carnes bovina e de cordeiro, travesseiros e fitas métricas como alguns dos produtos britânicos que têm entrada dificultada nos mercados dos EUA

um unicórnio entre os jovens

Tiktok: o app que faz sucesso entre a geração Z e fez da sua dona a startup mais valiosa do mundo

ByteDance é considerada a startup com o maior valor de mercado do mundo – são US$ 75 bilhões; estratégia se divide em diversas frentes, incluindo um app que ganha cada vez mais força entre jovens nascidos em meados dos anos 90 para cá

guerra comercial não para

Trump ameaça usar autoridade de emergência contra a China

Anúncio chinês de elevar as tarifas sobre US$ 75 bilhões em importações norte-americanas deixou o presidente dos EUA enfurecido

analisando a conjuntura

Recuperação esperada da economia global não aconteceu, diz presidente do Banco da Inglaterra

Mark Carney falou logo depois que o presidente Trump anunciou que estava endurecendo as tarifas sobre as importações chinesas

vem mais mudanças por aí?

Equipe econômica estuda atrelar remuneração da poupança à inflação

Após criar crédito imobiliário corrigido pelo IPCA, governo quer dissociar a rentabilidade da caderneta da Selic, para que a poupança acompanhe os indicadores usados nos empréstimos para a compra da casa própria

bombou na semana

MAIS LIDAS: Loucura, loucura, loucura!

De todos os programas criados pelos governos petistas, um dos mais polêmicos sem dúvida é o Bolsa Empresário, como ficou conhecida a política de financiamentos do BNDES a grandes empresas com juros bem camaradas. A estimativa é que os subsídios, ou seja, os recursos públicos usados para tornar esses empréstimos mais baratos, superaram os de […]

dinheiro na conta

Zuckerberg vende US$ 296 milhões em ações do Facebook em um mês

Desde abril, o CEO do Facebook não disponibilizava os papéis que detinha ao mercado; no ano, o bilionário vendeu 2,9 milhões de ações

olhos lá na frente

SulAmérica vende operações à Allianz por R$ 3 bi e ganha fôlego para crescer

Investimento é o maior já feito pela seguradora no Brasil e a coloca no patamar mais alto do que já teve

acusação de jornal

Amazon vende milhares de produtos irregulares nos EUA

Wall Street Journal diz que identificou na loja online brinquedos e medicamentos que eram vendidos sem os devidos avisos sobre os riscos de saúde a crianças

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements