Ibovespa continua voando alto e fica a um triz do recorde; dólar cai a R$ 4,15
Após um início de dia hesitante, o Ibovespa voltou a aparecer no campo positivo e cravou a sexta sessão consecutiva em alta, voltando ao patamar dos 105 mil pontos

O Ibovespa começou a quarta-feira (16) meio desanimado. O exterior trazia notícias não muito animadoras, o cenário político local também tinha lá seus pontos de pressão — enfim, o cenário parecia o ideal para uma realização de lucros, especialmente após cinco pregões seguidos em alta.
Mas, como quem não quer nada, o principal índice da bolsa brasileira começou a se mexer. Juntou um pouco de pólvora: uma declaração mais amena de Donald Trump, um sinal de avanço na tramitação da Previdência, um vencimento do índice futuro, uma visão mais agressiva de corte da Selic... e teve uma ideia.
Colocou sua capa de super-herói, se enfiou dentro de um canhão e pediu para acenderem o pavio. E, no meio de um dia que parecia fadado a poucas emoções, o Ibovespa repentinamente estava novamente nos ares. E, desta vez, conseguiu chegar bem alto.
[captacao]
No início do dia, o índice chegou a tocar os 103.521,08 pontos (-0,93%), mas, ao fim do pregão, marcava 105.422,80 pontos, uma ganho de 0,89% — a sexta alta consecutiva. O Ibovespa, agora, está a menos de 400 pontos da máxima histórica de fechamento, aos 105.817,06 pontos, atingida em 10 de julho.
Esse fortalecimento do mercado acionário doméstico chama ainda mais a atenção por ter ocorrido fora de sincronia com as bolsas americanas: por lá, o Dow Jones (-0,08%), o S&P 500 (-0,19%) e o Nasdaq (-0,30%) mantiveram um viés ligeiramente negativo durante a maior parte do dia.
Leia Também
E o que aconteceu para que o Ibovespa voltasse a se animar, descolando do exterior? Analistas e operadores ponderam que essa melhoria do humor local não teve como gatilho alguma notícia específica, mas sim a um conjunto de fatores — e essa combinação fez os mercados olharem para o cenário macroeconômico pela ótica do copo meio cheio.
"Há toda essa expectativa em relação à queda da taxa de juros, e também estamos a poucos dias da conclusão da [tramitação] da Previdência", diz Ari Santos, gerente da mesa de operação da H. Commcor. "A questão da cessão onerosa também passou, o que ajuda a animar o pessoal".
Quanto à Selic, a fraqueza exibida pelos mais recentes dados econômicos já vinha fazendo com que os agentes financeiros reajustassem suas apostas para o ciclo de cortes da taxa básica de juros, passando a prever uma redução ainda mais intensa por parte do Banco Central.
Mas, nesta quarta-feira, uma movimentação do Itau Asset Management causou certo espanto: a instituição, agora, prevê que a Selic encerrará o ano em 4%, recuando para 3,75% ao fim de 2020.
Essa visão do Itaú Asset para a Selic abaixo de 4% ao ano no médio prazo provocou um efeito imediato nas curvas de juros. No início do dia, os DIs operavam em alta, refletindo o tom mais cauteloso dos mercados, mas, no meio da tarde, mudaram de direção e fecharam em queda firme, tanto na ponta curta quanto na longa.
As curvas com vencimento em janeiro de 2021, por exemplo, recuaram de 4,60% para 4,52%. No vértice mais extenso, os DIs para janeiro de 2023 foram de 5,63% para 5,50%, enquanto os para janeiro de 2025 tiveram baixa de 6,32% para 6,21%.
E, em linhas gerais, juros mais baixos aumentam a atratividade da bolsa, uma vez que os investimentos em renda fixa tendem a apresentar rentabilidades cada vez menores. Além disso, a queda da Selic também tende a beneficiar diversas empresas, tanto pelo lado do endividamento quanto pelo estímulo ao consumo — o que também dá ânimo às ações.
Assim, o Ibovespa começou a ganhar força, num movimento coordenado com o dos DIs. Mas não foi só isso que levou a bolsa brasileira aos ares nesta quarta-feira.
Atacando de baixo para cima
No front doméstico, a aprovação no plenário do Senado da partilha dos recursos do megaleilão do pré-sal foi comemorada pelos mercados, uma vez que a medida era vista como fundamental para destravar a votação da reforma da Previdência na Casa.
E, em entrevista ao Broadcast Político, o relator do texto, Tasso Jereissati, confirmou que a proposta será deliberada em segundo turno pelo Senado no próximo dia 22 — a informação que trouxe alívio aos agentes financeiros, que mostravam-se preocupados com a possibilidade de as rusgas entre o presidente Jair Bolsonaro e o PSL respingarem na tramitação do texto.
Santos ainda lembra que ocorreu hoje o vencimento do índice futuro do Ibovespa, o que sempre traz instabilidade ao índice e provoca uma briga entre "comprados" e "vendidos" nesses contratos, elevando o ritmo de negociações na bolsa na etapa final do pregão.
Quanto ao cenário do exterior, o gerente da H. Commcor também vê um panorama mais benigno, embora ainda existam pontos de tensão. "China e Estados Unidos estão chegando perto de um acordo e, na Europa, as coisas também estão se encaminhado para algum acerto sobre o Brexit", diz o especialista.
Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o governo chinês começou a comprar volumes maiores de produtos agrícolas americanos há três semanas. A declaração do republicano aliviou parte da tensão que era vista nos mercados globais durante a manhã, em função de um novo atrito entre Washington e Pequim.
Ontem, a Câmara dos EUA aprovou um conjunto de projetos que determina uma revisão anual sobre a autonomia de Hong Kong, de modo a justificar o status especial da ex-colônia britânica nas tratativas comerciais com o país.
As medidas propostas pelos deputados americanos também apoiam os protestos na ilhae condenam eventuais abusos de direitos humanos por parte das autoridades da China continental. Essa movimentação gerou uma reação imediata de Pequim, que prometeu retaliar caso os projetos tornem-se leis.
Esse novo desdobramento trouxe apreensão aos mercados, uma vez que EUA e China estão perto de assinar a "primeira fase" de uma trégua acertada na semana passada. Mas a fala de Trump acalmou os ânimos e diminuiu a percepção de que as negociações da guerra comercial poderiam sofrer um retrocesso.
Alívio corporativo
As ações da Eletrobras despontaram entre os destaques positivos do Ibovespa nesta quarta-feira — os papéis ON (ELET3) subiram 4,33%, e os PNBs (ELET6) avançaram 4,01% após o presidente da empresa, Wilson Ferreira Junior, afirmar que a capitalização da estatal servirá para preparar a companhia para a privatização.
Também contribuíram para o tom positivo do Ibovespa as ações da Petrobras, tanto as PNs (PETR4) quanto as ONs (PETR3), com ganhos de 1,20% e 1,40%, respectivamente. Por fim, os papéis dos bancos também subiram: Itaú Unibanco PN (ITUB4) avançou 1,43%, Bradesco PN (BBDC4) valorizou 2,39% e Banco do Brasil ON (BBAS3) teve alta de 1,40%.
Dólar cai
Essa melhora de humor nas bolsas e nos juros também foi sentida no mercado de câmbio, o dólar à vista até chegou a subir aos R$ 4,1746 (+0,54%) mais cedo, mas, terminou em baixa de 0,25%, a R$ 4,1625.
Lá fora, o dólar exibiu uma tendência de queda em relação às moedas fortes — o índice DXY caiu — e teve um comportamento incerto na comparação com as emergentes: caiu ante o peso mexicano e o rublo russo, mas subiu em relação ao peso chileno e o rand sul-africano.
DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU