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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
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Como o sobe e desce do dólar afeta a sua vida

Nas últimas semanas, a moeda americana passou por uma verdadeira montanha-russa. Saiba por que mesmo quem não viaja para o exterior deveria se importar com a cotação do dólar

5 de abril de 2019
5:30 - atualizado às 10:42

Nas últimas três semanas, a cotação do dólar viu uma grande turbulência frente ao real e atingiu suas maiores cotações de 2019, em patamares não vistos desde o período pré-eleitoral. De R$ 3,76 em 20 de março, a moeda americana pulou para R$ 3,90 apenas dois dias depois, chegando aos R$ 4 durante o pregão do dia 28. Depois disso, voltou a cair, mas permanece pouco abaixo de R$ 3,90.

Os motivos são uma mistura de fatores internos e externos - por aqui, a insegurança e as confusões envolvendo a reforma da Previdência; lá fora, uma tremenda aversão a risco por temores de uma nova recessão global. Mas por que raios essas questões influenciam a cotação da moeda? E por que é que as flutuações da moeda americana afetam mesmo os brasileiros que não costumam ou não pretendem viajar para o exterior? No vídeo a seguir eu explico a questão:

Leia a transcrição do vídeo sobre o sobe e desce do dólar

Se você não costuma comprar produtos importados nem viajar pro exterior, pode se perguntar por que o sobe e desce do dólar é acompanhado tão de perto pelo noticiário e pelos brasileiros em geral. Aliás, você sabe quais fatores podem afetar a cotação da moeda americana? Sobe e desce do dólar - e eu com isso?

As flutuações cambiais são bastante complexas, e são afetadas tanto por fatos concretos quanto pelas expectativas do mercado. No curto prazo, a cotação do dólar tem relação com oferta e demanda. Uma oferta maior de dólares tende a derrubar a cotação da moeda, e uma escassez de dólares produz altas.

Mas no longo prazo, o desempenho do dólar está muito ligado ao desempenho da economia americana, à política monetária e à inflação de longo prazo dos Estados Unidos. Em outras palavras, o valor de qualquer moeda está na verdade ligado à força da economia do seu país.

Eis, na prática, alguns fatores que afetam a cotação do dólar em relação ao real: o comércio exterior do nosso país, o risco da economia mundial, o risco ou a atratividade da economia brasileira perante o cenário internacional, a diferença entre as taxas de juros e de inflação do Brasil e dos Estados Unidos e intervenções governamentais.

Qualquer evento que possa atrair dólares pro mercado brasileiro faz o dólar cair frente ao real. É o caso das exportações, da oferta de dólar pelo Banco Central e da redução da taxa de juros americana em relação à brasileira.

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Já os eventos que tornam os dólares mais escassos por aqui tendem a valorizar a moeda americana. É o caso das importações, do aumento do risco-país, que afugenta investidores estrangeiros, e da elevação da taxa de juros dos Estados Unidos.

Está bom, mas o que nós, reles mortais, temos a ver com isso? Bem, mesmo que você seja um nacionalista na hora de consumir e prefira viajar pelo Brasil, você não está livre dos efeitos da flutuação do dólar.

É que muito do que nós produzimos e consumimos depende de importações. E quando o dólar está mais alto, esses insumos importados acabam encarecendo até os produtos e serviços nacionais. Isso mexe com a inflação - a alta do dólar é um dos fatores que pesam nos índices de preços. Por outro lado, um dólar mais fraco dá uma aliviada nas nossas contas.

Mas um dólar forte é ruim para a gente? Não necessariamente. Os exportadores adoram. Quando o real enfraquece, é mais fácil vender para outros países, o que acaba sendo bom para a nossa economia também. E as exportações atraem dólares, o que pode dar um alívio à cotação da moeda e reequilibrar a situação.

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