Menu
2019-07-24T18:19:36+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Gigante em apuros

Com a crise do 737 Max, a Boeing teve o maior prejuízo trimestral de sua história

Após dois acidentes fatais envolvendo aeronaves 737 Max, a Boeing reportou um prejuízo bilionário no segundo trimestre de 2019. A receita líquida da empresa também foi fortemente afetada

24 de julho de 2019
12:19 - atualizado às 18:19
Aeronave Boeing 737 Max 8 da Ethiopian Airlines
Aeronave Boeing 737 Max 8 da Ethiopian Airlines, modelo semelhante ao do acidente que deixou 157 mortos em 10 de março - Imagem: Shutterstock

Era manhã de domingo, 10 de março, quando o voo 302 da Ethiopian Airlines saiu de Addis Ababa, capital etíope, com direção a Nairobi, no Quênia. Seis minutos após a decolagem, a aeronave Boeing 737 Max 8 caiu, matando todos as 157 pessoas a bordo

A tragédia gerou comoção internacional — afinal, a Ethiopian é conhecida por ser uma das companhias aéreas mais seguras e confiáveis da África. No entanto, pouco após a confirmação da notícia, a imprensa e os especialistas do setor começaram a notar algumas semelhanças entre esse desastre e outro acidente, ocorrido cinco meses antes.

Em 29 de outubro de 2018, o voo 610 da Lion Air deixou o aeroporto internacional de Jacarta, na Indonésia, com destino à cidade de Pangkal Pinang, no norte do país. Treze minutos depois de deixar o solo, a aeronave Boeing 737 Max 8 caiu — nenhuma das 189 pessoas que estavam no avião sobreviveu.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Esses dois desastres, tão parecidos e separados por um período de tempo tão curto, abalaram a reputação da Boeing e levantaram dúvidas quanto à segurança do 737 Max, um dos principais modelos de aeronave produzidos pela empresa. E os danos financeiros que essas duas catástrofes geraram à companhia começam a ser conhecidos com maior magnitude apenas agora.

A Boeing reportou na manhã desta quarta-feira (24) seu balanço referente ao segundo trimestre deste ano e, logo de cara, um dado chama a atenção: o prejuízo líquido de US$ 2,9 bilhões registrado entre abril e junho deste ano — o pior resultado trimestral da história da companhia. No mesmo período de 2018, a empresa teve lucro de US$ 2,2 bilhões.

E boa parte dessas perdas está relacionada à crise do 737 Max. Logo após as tragédias envolvendo os voos da Ethiopian e da Lion Air, diversos órgãos reguladores nacionais recomendaram a suspensão do uso dessas aeronaves por parte das companhias aéreas — e essa situação trouxe fortes impactos à carteira de pedidos da Boeing.

Desde os desastres, as companhias que possuíam encomendas de aviões tipo 737 Max suspenderam suas compras e deixaram de receber esses veículos, o que tem mantido os hangares da Boeing lotados.

Enquanto trabalha para provar aos clientes que o 737 Max é seguro, a fabricante de aeronaves fez uma provisão de US$ 4,9 bilhões nos resultados desse trimestre para suportar os impactos negativos dessa crise.

Essa provisão, assim, foi responsável pelo forte prejuízo registrado pela Boeing no período. Mas o efeito 737 Max não se restringiu ao resultado líquido: a receita da empresa americana também foi fortemente afetada, totalizando US$ 15,7 bilhões — uma queda de 35% na base anual.

"Esse é um momento de definição para a Boeing, e permanecemos focados em reforçar nossos valores de segurança, qualidade e integridade em tudo o que fazemos, conforme trabalhamos para recolocar o 737 Max em serviço com segurança", disse o presidente da empresa, Dennis Muilenburg, em mensagem aos acionistas.

Como ficaram as ações?

Em reação ao prejuízo bilionário, as ações da Boeing fecharam a sessão desta quarta-feira em baixa de 3,12%, a US$ 361,43, e foram uma das principais responsáveis pelo recuo de 0,29% do Dow Jones — confira aqui a cobertura completa do comportamento dos mercados hoje.

É possível separar o desempenho das ações da Boeing em 2019 em dois momentos: antes e depois da queda do voo da Ethiopian. Desde 8 de março — último pregão antes da tragédia —, os papéis da fabricante de aeronaves acumulam baixa de mais de 14% em Nova York.

Contudo, as ações da Boeing tiveram um início de ano muito forte: somente em janeiro e fevereiro, os papéis da companhia registraram alta de mais de 36%. Assim, mesmo após as baixas vistas desde março, os ativos da empresa ainda têm saldo positivo no ano: o nível atual, de US$ 361,43, ainda representa um ganho de mais de 12% desde o início de 2019.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Siga o dinheiro

Fuga de dólares bate US$ 40 bilhões em 12 meses. Surpreso? Não deveria…

Saída de recursos é a maior desde que abandonamos o regime de bandas cambiais em 1999. Desde abril, o BC vem alertando para uma mudança estrutural no mercado de câmbio

Boas novas

Juro baixo faz BlackRock ampliar aposta no Brasil

A projeção é que a Selic baixa empurre investidores para ativos de mais risco, incluindo investimentos no exterior, que ainda engatinham por aqui

dinheiro no bolso

36,9 milhões de correntistas da Caixa já sacaram recurso do FGTS

Saque de até R$ 500 por conta ativa ou inativa do fundo tem sido feito de forma escalonada, dependendo da data de aniversário de trabalhador

novas funções

Relator de MP que permite saque do FGTS vai ampliar forma de aplicação do fundo

Hoje, a lei só permite que o dinheiro seja usado para financiar moradias, saneamento e infraestrutura

todo mundo no azul

Bolsonaro assina MP que promete estimular regularização de dívidas

Texto foi chamado de MP do Contribuinte Legal e, segundo o governo, é alternativa mais justa do que parcelamentos especiais (Refis)

Exile on Wall Street

Há salvação para o investidor?

Escolhemos hoje, sobre resultados que só acontecerão no futuro. E não adianta tentar, no presente, penetrar o futuro. Há razão objetiva para serem tempos verbais diferentes. Afinal, ora, são coisas diferentes. Se fossem a mesma, teriam o mesmo nome.

Manda mais

Governo envia a Congresso mais 8 projetos de lei pedindo aval para crédito

As propostas se somam a outros dez projetos de lei pedindo autorização para a liberação de crédito extra também enviados formalmente na terça, conforme avisou a edição regular do Diário Oficial de terça-feira.

juntas

Governo dá mais um passo para aproximar Correios e Telebras do setor privado

Ambas foram incluídas no Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (PPI)

racha

Bolsonaro diz que não quer tomar PSL, mas cobra abertura dos gastos do partido

Perguntado se deseja a saída do presidente do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE), Bolsonaro disse que não defende “nada”

Memória

Estilo madrugador de Lázaro Brandão ajudou a forjar a cultura do Bradesco

Depois de 75 anos dando expediente religiosamente a partir das 7 da manhã, “seu Brandão” manteve dedicação ao banco mesmo após deixar as funções executivas. Eu conto algumas ocasiões em que estive com o lendário banqueiro

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements