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Pesquisa da Serasa Experian mostra que empresas analisam efeitos do novo sistema de impostos e precisam se preparar para a transição que vai até 2033

A reforma tributária já está no radar das empresas brasileiras, mas muitos negócios ainda tentam entender na prática como as mudanças vão afetar suas operações. É o que mostra a nova edição do Panorama PME, levantamento da Serasa Experian divulgado nesta segunda-feira (16).
Segundo o estudo, 42% das empresas afirmam que ainda não sabem como a reforma poderá impactar suas operações.
Na prática, muitas companhias ainda buscam traduzir a nova estrutura de impostos em decisões concretas de gestão, como revisão de preços, projeções de margem e ajustes em processos internos.
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra um cenário dividido em relação à percepção da mudança. Cerca de 31% das empresas enxergam a reforma de forma predominantemente positiva, enquanto aproximadamente 22% têm uma avaliação mais negativa.
Muitas empresas ainda estão em fase de compreensão das novas regras e aguardam etapas importantes de regulamentação.
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“Para as pequenas e médias empresas, essa análise tende a ser ainda mais desafiadora, porque o impacto da reforma depende de fatores como setor de atuação, posição na cadeia produtiva, regime tributário e estrutura de custos. Ou seja, não existe um efeito único para todos os negócios”, diz Cleber Genero, vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian, para o Seu Dinheiro.
Entre os principais desafios apontados pelos respondentes, entender as novas regras aparece como a principal dificuldade, citada por 20% das empresas. Em seguida, 18% destacam a necessidade de avaliar o impacto em custos, preços e margens.
Além das dúvidas sobre os impactos da reforma tributária, o estudo também investigou o nível de preparação das empresas para lidar com as mudanças.
Segundo o levantamento, 40% das PMEs afirmam não saber em que estágio de preparação se encontram.
Por outro lado, algumas empresas já avançaram nesse processo. Cerca de 17% afirmam ter implementado a maior parte das adaptações necessárias, enquanto 15% dizem ter iniciado planejamento e ações práticas.
Outros 14% ainda estão estudando o tema, e 14% afirmam que ainda não começaram a se preparar para as mudanças previstas.
A reforma tributária prevê a substituição gradual de tributos sobre o consumo — como PIS, Cofins, ICMS e ISS — por um modelo dual de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Esse novo sistema será formado por dois tributos principais:
A transição começará em 2026, em caráter experimental, e seguirá de forma progressiva até 2033. Durante esse período, as empresas deverão conviver simultaneamente com o sistema atual e com o novo modelo tributário.
Para as pequenas e médias empresas, alguns pontos exigem atenção especial neste momento, segundo Genero.
Além da mudança na estrutura de impostos, o novo sistema traz uma lógica diferente de tributação. O modelo passa a se basear no crédito financeiro ao longo da cadeia produtiva e na cobrança do imposto no destino.
“A nova estrutura pode influenciar formação de preços e margens, possíveis ajustes em processos fiscais e sistemas, e o entendimento de como a empresa se posiciona dentro da cadeia produtiva, especialmente na geração e utilização de créditos tributários”, diz.
Como a transição será gradual, o momento atual é principalmente de acompanhamento das regulamentações e planejamento.
A adaptação ao novo sistema envolve não apenas mudanças fiscais, mas também possíveis ajustes em processos internos, definição de preços e planejamento financeiro.
Empresas que começam a se preparar com antecedência tendem a ter mais tempo para compreender os impactos no próprio modelo de negócio, avaliar diferentes cenários e organizar eventuais mudanças operacionais.
Já aquelas que deixam essa análise para etapas mais próximas da implementação podem ter menos espaço para planejamento e precisar realizar ajustes de forma mais acelerada, causando sérios prejuízos ao negócio.
De acordo com Genero, um dos primeiros passos para as empresas é realizar um diagnóstico interno sobre sua estrutura tributária e operacional.
Isso inclui revisar o regime tributário atual, mapear a cadeia de fornecedores e clientes e avaliar como os impostos incidem hoje sobre os produtos ou serviços oferecidos.
“A partir desse diagnóstico, as empresas podem começar a simular cenários para entender como a nova lógica de tributação — baseada no crédito financeiro ao longo da cadeia e na cobrança do imposto no destino — pode influenciar preços, margens e estrutura de custos”, diz Genero, acrescentando que o exercício ajuda a identificar possíveis ajustes em políticas de precificação, contratos comerciais e planejamento financeiro.
Outro ponto importante é avaliar processos e sistemas internos. A convivência temporária entre o modelo atual e o novo sistema exigirá atenção redobrada em controles fiscais, atualização de softwares de gestão e capacitação das equipes que atuam nas áreas financeira, contábil e tributária.
Além disso, acompanhar a regulamentação e buscar orientação de especialistas ou entidades de apoio empresarial pode ajudar a transformar esse processo em uma adaptação gradual.
“Mais do que implementar mudanças imediatas, este é um momento de organização e planejamento, para que as empresas tenham maior previsibilidade à medida que a transição avança.”
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