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Modelo de “one-stop shop” sustenta expansão da rede, que combina laboratório próprio e ajuste local de operação para acelerar abertura de franquias

Fazer exame de vista, escolher a armação, definir a lente e ainda esperar dias — ou semanas — pelos óculos prontos. Essa é a jornada tradicional de quem precisa corrigir a visão. Foi justamente esse modelo que a LIVO decidiu questionar.
A marca vem estruturando sua expansão no Brasil com um formato que concentra tudo em um único ponto de contato. A proposta é transformar a ótica em um “one-stop shop”, no qual o consumidor resolve toda a jornada de uma vez — do exame à entrega.
Segundo Jaime Miranda, CEO da LIVO, a oportunidade está em um mercado amplo e ainda pouco explorado.
“Estamos falando de um mercado muito grande, de mais de US$ 12 bilhões na América Latina. Além disso, cerca de 50% da população precisa usar algum tipo de correção visual antes dos 40 anos”, afirma em entrevista ao Seu Dinheiro. “Depois dessa idade, esse número cresce ainda mais, o que mostra que é um produto com demanda praticamente universal.”
O público-alvo da empresa é, principalmente, o consumidor da classe B — um perfil que busca qualidade, design e preço acessível, e que também influencia outras faixas de consumo.
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A trajetória do empreendedor que sempre se interessou por saúde visual começou em 2014, com a criação da Lentesplus, na Colômbia, focada na venda online de lentes de contato.
Com rápida expansão para México, Chile e Argentina, a empresa atingiu mais de 700 mil clientes na América Latina.
Em 2021, a aquisição da NewLentes, no Brasil — maior mercado da região — reforçou essa posição e trouxe um insight relevante para o crescimento: praticamente todo usuário de lente de contato também usa óculos.
A leitura abriu espaço para aumentar o ticket e expandir o negócio por meio de um cross-sell natural. Esse movimento culminou, em 2023, na compra da LIVO, marca fundada em 2012, com forte presença digital, design autoral e laboratório próprio de desenvolvimento de produtos.
“A marca já tinha reconhecimento no Brasil, especialmente no segmento de moda. A partir da aquisição, ela passou a ser a principal marca do grupo”, diz o empreendedor.
Apesar de a bandeira da empresa ser eliminar intermediários e simplificar a jornada de compra, uma barreira cultural dificulta um maior acesso ao serviço.
“Muitas pessoas ainda não entendem que é possível fazer um exame de vista fora de um consultório oftalmológico”, diz o empreendedor.
Para reduzir essa resistência dos consumidores, a estratégia da LIVO é explicar os benefícios do modelo: exames que levam entre 15 e 20 minutos, sem custo e sem a necessidade de esperar semanas pelo produto pronto em mãos.
A empresa também reforça em sua comunicação que os profissionais que realizam o exame são qualificados para oferecer esse serviçci, e que os equipamentos são os mesmos utilizados em clínicas oftalmológicas.
Para escalar o modelo, a LIVO passou a apostar em franquias desde o ano passado. Hoje, são 14 lojas ao todo — sendo 8 próprias e 6 franqueadas. O investimento médio é de cerca de R$ 400 mil, com retorno estimado em 18 meses.
A expansão, no entanto, não segue uma lógica de crescimento acelerado. “Nosso foco está em abrir as lojas certas, com os parceiros certos e garantindo consistência de performance”, afirma Fernanda Milred, responsável pela expansão dentro da LIVO.
O foco inicial está no Sudeste, especialmente em São Paulo. Segundo a executiva, a região ainda concentra uma avenida relevante de crescimento, tanto pela densidade quanto pela aderência ao modelo.
A empresa tem planos de expandir por diferentes regiões do Brasil, mas entende que será preciso ajustar o mix de produtos e estratégias comerciais conforme o perfil de cada local.
A escolha de novas praças, por exemplo, parte de uma análise detalhada que combina renda média, perfil socioeconômico, densidade populacional e fluxo qualificado, tanto de trabalho quanto de residência.
Em regiões mais premium, há mais produtos de maior valor agregado; em áreas com perfil mais familiar, o portfólio tende a equilibrar itens técnicos e acessíveis.
A presença de concorrentes e o nível de maturidade do varejo local, seja em rua ou shopping, também entram na equação.
“A comunicação também varia: bairros mais jovens pedem foco em design e estilo, enquanto regiões mais tradicionais priorizam saúde visual e confiança”, afirma Milred.
O avanço das franquias também tem exigido maior padronização. A franqueadora estruturou trilhas de treinamento em vendas, operação e aspectos técnicos, além de rotinas de acompanhamento de indicadores e suporte dedicado na implantação e nos primeiros meses das unidades.
Nos processos, foram desenvolvidos manuais operacionais completos, com diretrizes para loja, atendimento e experiência do cliente.
As estratégias comerciais incluem ações locais, parcerias com academias, clínicas e empresas próximas, além de ativações para gerar fluxo ao longo do dia. Há ainda iniciativas voltadas à comunidade, como eventos e uso do espaço da loja, quando faz sentido.
No médio prazo, a empresa pretende alcançar mais de 400 unidades no Brasil.
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