Pesquisa do Nubank mostra que há um fator que ‘engole’ três meses de trabalho por ano de empreendedores; entenda
Segundo micro, pequenos e médios empresários, há um entrave para focar no crescimento do negócio

É comum que, quem empreende no Brasil, acumule variadas funções. Por falta de recursos para contar com equipes específicas, micro, pequenos e médios empresários tendem a cuidar não só das tarefas principais do negócio, mas também questões mais secundárias. Um comerciante, por exemplo, normalmente é quem atende o cliente, acompanha pagamentos, faz o marketing, lida com impostos e por aí vai.
Uma pesquisa encomendada pelo Nubank à Bridge Research e divulgada nesta quinta (8) metrificou quanto esses trabalhos “extras” tomam do tempo dos empreendedores.
A média, no caso de pequenos negócios, é de nove horas por semana gastas com atividades financeiras e burocráticas. Ao longo de um ano, esse tempo acumula três meses que poderiam ser gastos para planejar a estratégia e os planos de expansão da empresa.
De acordo com Max Damian, líder do Nu Empresas, que é a frente para pessoa jurídica do Nubank, esse acúmulo de funções se torna ainda mais frequente depois de o negócio começar a dar os primeiros passos.
"Quando o empreendimento começa a dar certo, o empreendedor passa a ter menos tempo para trabalhar no próprio negócio", explicou em evento com jornalistas. Segundo o executivo, quanto mais burocracias surgem, menos tempo sobra para atividades que podem impulsionar o crescimento da empresa.
Por exemplo, no caso dos microempreendedores individuais (MEIs), são cerca de oito horas semanais, enquanto as micro e pequenas empresas (MPEs) perdem 10 horas.
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Se o empreendedor for um varejista, o tempo gasto com burocracia sobe para 11 horas semanais.
Em que o empreendedor está perdendo tempo?
Segundo o estudo, o que mais pesa sobre o tempo é, principalmente, a parte de obrigações fiscais e tributárias, que é um desafio para 43% dos empreendedores.
Outros dois fatores são o controle de entradas e saídas de recursos, e a emissão de notas fiscais.
A não ser que o negócio desses empreendedores seja um escritório de contabilidade, as tarefas não fazem parte da atividade principal da empresa.
São funções acumuladas que, segundo os participantes do levantamento, geram perdas indiretas para a companhia. Isso porque, para 68% das pessoas, há a visão de que os empreendimentos seriam mais lucrativos se houvesse menos burocracia para resolver.
Cerca de 45% dizem que já perderam oportunidades que seriam importantes para o negócio por estarem resolvendo questões burocráticas.
Além dos efeitos financeiros, há uma consequência na vida fora do trabalho. Na visão de 53% dos empreendedores, lidar com essas responsabilidades extras gera estresse e ansiedade.
Onde investir o tempo livre
Se tivessem mais tempo livre, 37% dos empreendedores afirmam que planejariam o crescimento do negócio, investiriam em marketing e dariam mais atenção aos clientes atuais.
Valdir Oliveira, gerente de capitalização e serviços financeiros do Sebrae, explica que um dos maiores problemas para o empreendedor brasileiro atualmente é que ele trabalha como um "faz tudo": administra o negócio, atende clientes, controla o financeiro e resolve questões operacionais ao mesmo tempo.
Ao longo do tempo, essa situação pode virar uma bola de neve e atrapalhar tanto diferentes aspectos da vida financeira do empreendedor.
Não é à toa que, segundo a pesquisa do Nu Empresas, 45% dos empreendedores recorrem ao próprio dinheiro para cobrir necessidades do caixa da empresa, seja usando reservas pessoais, cartão de crédito ou outras formas de crédito contratadas como pessoa física.
Esse cenário, segundo Oliveira, é reflexo da falta do tempo livre dos empreendedores e da pouca base de educação financeira entre empresas de menor porte.
Tecnologia como aliada
Para Damian e Oliveira, em meio ao pouco tempo livre dos empreendedores, uma saída é usar ferramentas.
O executivo do Nu Empresas destaca que a tecnologia pode ajudar a automatizar atividades repetitivas, como cobranças, pagamentos e controle financeiro, permitindo que empresários dediquem mais tempo ao crescimento do negócio.
Segundo a pesquisa, 30% dos pequenos empreendedores já usam inteligência artificial para tarefas financeiras e administrativas, mas há espaço para esse percentual crescer.
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