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ESPAÇO PARA ADVOGADOS

Com faturamento de R$ 4,5 milhões, coworking para advogados tem plano a partir de R$ 300 e mais de 40 escritórios na fila de espera

O diferencial da Law Works é oferecer escritório virtual para profissionais que precisam de um endereço físico e oportunidade de networking

O advogado Leo Fischer, hoje com 29 anos, comanda a Law Works - Imagem: Divulgação

Manter um espaço físico profissional ainda é um desafio para muitos advogados — especialmente quando o local precisa receber clientes e abrigar reuniões sensíveis.

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Em conversas com colegas que atuavam de forma independente ou em pequenos escritórios, o advogado Leo Fischer, hoje com 29 anos, identificou um problema comum: faltavam espaços pensados para as necessidades da advocacia.

Dessa percepção nasceu o Law Works, um coworking voltado exclusivamente a profissionais do direito, que combina infraestrutura, serviços administrativos e estímulo ao networking entre advogados.

O modelo deu certo: a empresa saiu de um faturamento de R$ 1 milhão em 2022 para mais de R$ 4,5 milhões em 2025, com R$ 5 milhões investidos em infraestrutura desde o início da operação.

Para o empreendedor nascido na cidade de São Paulo, o grande diferencial do negócio está na comunidade. Em coworkings genéricos, o advogado tende a dividir espaço com profissionais de áreas muito distintas, o que nem sempre gera oportunidades reais de negócio. No coworking jurídico, a dinâmica é outra.

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“Os advogados passam a integrar uma comunidade jurídica, onde o networking acontece entre profissionais da mesma área, mas com especializações distintas. Pequenos escritórios e advogados independentes acabam formando parcerias”, explica.

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Um coworking para cada necessidade

Para atender diferentes perfis, o negócio oferece diferentes modalidades. Há desde salas privativas mensais, com identificação personalizada e controle de acesso, até estações de trabalho em áreas compartilhadas, com valores a partir de R$ 600.

“A maior procura é por salas para um a dois advogados, que querem combater a solidão do trabalho em casa. Também é vantajoso ter acesso a uma estrutura que inclui recepção, gestão de correspondências, endereço comercial e fiscal, suporte de TI etc.”, afirma o empreendedor. “É muito mais caro contratar tudo isso por conta própria.”

Já os planos virtuais, que custam a partir de R$ 300, atendem advogados que trabalham remotamente, mas precisam de endereço fiscal e comercial, gestão de correspondências e atendimento telefônico personalizado.

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“O plano permite o uso do endereço do coworking, na região da Faria Lima, para divulgação na internet. O coworking recebe as correspondências do cliente e oferece a possibilidade de reservar espaços para reuniões físicas, dando a impressão de que o advogado trabalha no local”, explica Fischer.

O crescimento no faturamento foi impulsionado principalmente pelo modelo de escritório virtual, que permite escala mesmo com a operação física já totalmente ocupada, segundo Fischer. Hoje, esse modelo representa cerca de metade do faturamento da empresa.

Da ideia ao primeiro espaço

A proposta do Law Works surgiu a partir da vivência do próprio fundador no mercado jurídico. Segundo Fischer, coworkings tradicionais até pareciam interessantes à primeira vista, mas apresentavam obstáculos para advogados.

“Os coworkings tradicionais costumam ser muito descolados e informais, com mesa de pebolim e pessoas bebendo cerveja de bermuda. Esse ambiente não é muito adequado para o mundo da advocacia, que requer um ambiente mais sóbrio e sério”, afirma.

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“O advogado trata de temas delicados, e podem receber pessoas que estão sendo acusadas de um crime ou que estão passando por um momento delicado, como um divórcio.”

A primeira unidade foi aberta em Buenos Aires, em 2018, como um projeto experimental junto com seu colega de faculdade e atual sócio Benjamín Muñoz.

O resultado surpreendeu os empreendedores. Em seis meses, o negócio já estava com 100% de ocupação e precisou dobrar de tamanho. Hoje, o negócio na Argentina segue ativo, sob comando do sócio Muñoz, enquanto Fischer comanda a operação brasileira.

Aposta no Brasil em meio à pandemia

A decisão de abrir a unidade brasileira ocorreu em plena pandemia do coronavírus, quando o discurso dominante era de que o trabalho presencial deixaria de existir.

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“Estávamos no meio da obra quando surgiram as dúvidas: se valeria a pena seguir com o investimento e se as pessoas voltariam a trabalhar presencialmente. Após muita conversa, decidimos apostar no modelo híbrido e flexível, acreditando que ele seria o futuro — o que, de fato, acabou se confirmando”, afirma.

O espaço foi inaugurado em julho de 2021, em São Paulo.

Hoje, o Law Works atende mais de 250 advogados apenas em São Paulo — número bem acima dos cerca de 25 profissionais que utilizavam o espaço no início da operação.

Desde o fim de 2022, o coworking opera com 100% de ocupação no espaço físico e mantém uma fila de espera com mais de 40 escritórios.

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Expansão e planos para o futuro

Diante da demanda reprimida, o Law Works está ampliando a operação no mesmo endereço, na Avenida Cidade Jardim, no Itaim Bibi, a menos de um quarteirão da Faria Lima. O espaço, que tinha pouco mais de 600 m², está sendo expandido para mais de 1.000 m² dedicados exclusivamente à advocacia.

A inauguração da ampliação está marcada para 19 de fevereiro. Mesmo antes da conclusão das obras, grande parte das salas já está reservada, o que indica que a nova fase deve começar com ocupação elevada.

No médio prazo, Fischer pensa em abrir novas unidades. “Optamos por continuar expandindo na região da Faria Lima, onde a demanda dos advogados tem sido maior”, diz. Caso uma nova unidade seja aberta, a expectativa é que isso aconteça entre 2026 e 2027, também nessa região.

Com a expansão, a expectativa é acelerar o crescimento do negócio. A projeção de faturamento é de R$ 6,5 milhões até o fim de 2026.

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Carreira dividida entre empreendedorismo e advocacia

Além de liderar a expansão do coworking jurídico, o fundador segue atuando como advogado. No mestrado, ele direcionou sua dissertação ao estudo dos aspectos jurídicos do coworking. O trabalho deu origem a um livro sobre o tema.

A partir da publicação, passou a atuar como assessor jurídico da Associação Nacional de Coworkings e Escritórios Virtuais (Ancev), entidade que reúne mais de 200 coworkings associados.

Nessa função, presta assessoria jurídica tanto para coworkings nacionais quanto internacionais e segue exercendo a advocacia a partir do próprio espaço de coworking, conciliando a atuação jurídica com a gestão do negócio.

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18 de junho de 2026 - 9:15
5 de junho de 2026 - 10:18
2 de junho de 2026 - 13:39
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