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CARTEIRA RECOMENDADA

Ainda tem renda fixa pagando IPCA+ 8% por aí: veja a escolha dos bancões para títulos isentos e Tesouro Direto

Após o primeiro turno das eleições, o mercado passou a precificar uma expectativa de juros menores no futuro e derrubou as taxas da renda fixa — mas ainda há oportunidades mais rentáveis

gráficos e números para indicar crescimento de renda, com mão no centro segurando dinheiro
Imagem: Monstera Production/ Pexels

A queda dos juros não é novidade. Desde março, o Banco Central já reduziu a Selic cinco vezes, levando a taxa básica de 15% para 13,75% ao ano. Para quem investe em renda fixa, a consequência é direta: rendimentos cada vez menores nos títulos públicos e privados.

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E a tendência é cair mais, se as projeções dos participantes de mercado estiverem certas.

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, em que Flávio Bolsonaro (PL) saiu à frente do presidente Lula (PT), aumentou o otimismo do mercado em relação a uma troca de governo. Para os agentes financeiros, essa possibilidade está centrada em mais compromisso com as contas públicas e as reformas politico-econômicas.

Em dois dias, as projeções para os juros futuros caíram de 14% para 12% ao ano. Toda a curva, dos vencimentos curtos aos longos passaram por reprecificação na segunda-feira posterior ao primeiro turno.

Nos títulos do Tesouro Direto, os papéis IPCA+ deixaram de oferecer juros reais na faixa dos 7% e 8%, agora só é possível encontrar taxas na faixa dos 6% em todos os vencimentos.

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Mas nem toda renda fixa está assim.

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Os títulos privados têm uma dinâmica própria de precificação que depende muito mais do fluxo de negociação no mercado secundário — entre investidores nas plataformas de corretoras — do que da curva de juros. Esse fluxo está, entre outros fatores, atrelado também à saúde financeira das empresas emissoras.

Por isso, se você está se perguntando onde estão as oportunidades da renda fixa agora, estão nesses papéis.

O Seu Dinheiro compilou as carteiras recomendadas de outubro de XP, BTG Pactual, Banco do Brasil BI e Itaú BBA. A seguir, veja onde os grandes bancos e corretoras recomendam alocar na renda fixa.

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Onde estão as maiores taxas da renda fixa

Quando as taxas começam a cair, a busca do investidor costuma se concentrar nos papéis que ainda oferecem remunerações acima da média.

E algumas recomendações dos bancos chamam atenção justamente por isso.

Uma das maiores taxas encontradas nas carteiras de outubro está em um Certificado de Recebível Imobiliário (CRI) do atacarejo Assaí.

O Itaú BBA incluiu o papel entre suas recomendações para investidores de perfil mais arrojado, destacando que, apesar do prêmio elevado, a companhia possui classificação de risco AAA e posição relevante no varejo alimentar brasileiro.

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Porém, é preciso ter em mente que um título pagando IPCA + 9,46% embute um prêmio de risco bastante alto — por isso o perfil arrojado. A empresa está com um nível de endividamento elevado, e opera em um setor muito sensível aos juros, que é o de consumo.

O BBA entretanto, destaca a presença forte nas cinco regiões do país e o perfil de dívida alongado, com concentração de vencimentos apenas em 2028 e 2029, um prazo razoável diante do plano de diminuição da dívida e queda dos juros.

Outro exemplo é a debênture prefixada da Origem Energia, com taxa prefixada de 16,5% ao ano. Para quem acredita que os juros continuarão caindo nos próximos meses, os prefixados seguem entre os favoritos dos analistas.

A tese da corretora está apoiada no crescimento da companhia, na expansão do negócio de gás natural e na melhora recente da geração de caixa.

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Entretanto, a empresa está exposta à volatilidade do setor de óleo e gás e deve usar um bom volume do caixa em seus planos de expansão — um ponto de atenção que a XP destaca.

  • Aqui vale lembras que as debêntures não têm garantidor externo como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O risco de crédito depende do emissor do título.

As empresas consenso

Nem sempre a melhor estratégia é recorrer às taxas mais altas na renda fixa. Até porque retorno maior é sinônimo de risco maior. Uma opção de análise mais segura é observar as empresas que aparecem repetidamente nas recomendações de diferentes casas de análise.

Quando isso acontece, geralmente há uma combinação de dois fatores: qualidade de crédito e retorno atrativo, condizente com o risco.

Um exemplo nas carteiras de agosto é a empresa de energia Equatorial Goiás.Ela aparece nas recomendações do BTG Pactual e do Banco do Brasil.

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O setor elétrico é um dos queridinhos da renda fixa devido a previsibilidade de receita típica das concessões de energia.

Além disso, a Equatorial Goiás conta com o suporte da holding principal, que é a Equatorial, uma empresa com rating AAA pelas agências de classificação de risco.

O Banco do Brasil também destaca a diversificação geográfica e de negócios (atua em energia e saneamento), as tarifas reajustadas anualmente pelos índices de inflação e os contratos de concessão de longo prazo.

Outro nome é a administradora de shopping Multiplan, que aparece nas recomendações do Itaú BBA e da XP.

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A empresa é vista como um perfil defensivo dentro do setor imobiliário, com baixo endividamento, forte geração de caixa e empreendimentos voltados ao público de maior renda, um segmento que costuma atravessar períodos de desaceleração econômica com menos dificuldade.

E para quem prefere Tesouro Direto?

Os títulos públicos foram os que passaram pela reprecificação mais intensa da renda fixa desde o resultado do primeiro turno.

Porém, nem todo investidor quer analisar balanços de empresas ou assumir o risco de crédito privado. Para esse público, os títulos públicos são a melhor opção, por ter a garantia da União — a maior na renda fixa.

A principal indicação da XP são os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+. O banco indica os vencimentos de 2032 e 2035, que têm prazo médio. Na plataforma do Tesouro Direto, entretanto, estão disponíveis os prazos 2032 e 2037 (com juros semestrais).

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As taxas oferecidas em 7 de outubro eram de 6,91% ao ano, nos dois vencimentos. O relatório da XP indica juros reais maiores, de 7,06% e 6,86% ao ano, respectivamente.

No entanto, esses preços são praticados no mercado secundário e foram indicados em 30 de setembro, antes do rali pós-primeiro turno.

Além do Tesouro IPCA+, o banco também recomenda o Tesouro Prefixado 2029, que está disponível no Tesouro Direto. Nesta quarta-feira (7), a taxa oferecida na plataforma é de 12,48% ao ano.

Veja as carteiras de renda fixa para outubro:

BTG Pactual 

Título Retorno* Vencimento Rating local 
Debênture Autopista Litoral Sul (PLSB1A) IPCA + 9,28% 15/10/2031 AAA 
Debênture Prio (PEJA23) ND 15/04/2034 AA+ 
Debênture Eldorado (ELDC15) IPCA + 7,75% 15/10/2035  AA+ 
CRA Eldorado (CRA0250080Y) IPCA + 7,79% 17/09/2040 AA+ 
Debênture Equatorial Goiás (CGOSA2) IPCA + 7,66% 15/01/2038 AAA 
Debênture MetrôRio (MGPRA0) IPCA + 8,11% 15/03/2042 AAA 
Debênture Rialma (RALM11) IPCA + 7,88% 15/12/2048 AAA 
CRA 3Tentos (CRA025008N8) 105% do CDI 15/10/2030 AA 
CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) CDI + 0,85% 22/09/2033 AA 
Debênture Elektro Redes (EKTRB8)** 12,21% a.a. 15/03/2033 AAA 
(*) Verificado no app do BTG em 07/10/2026.  
(**) Título para investidor qualificado.  

Itaú BBA 

Título Retorno* Vencimento Rating local 
CRI Rede D'Or (21K0001806) IPCA + 7,92% 15/12/2031 AAA 
Debênture Rumo (RUMOA3) IPCA + 8,08% 15/10/2029 AAA 
CRI Assaí (21H1078699) IPCA + 9,46% 16/10/2028 AAA 
CRI Multiplan (23K0018801) 13,86% 15/01/2031 AAA 
CRI Log CP (24J0943210) 14,70% 15/10/2031 AA+ 
CRI Iguatemi (24F1126524) 95% do CDI 15/06/2032 AAA 
CRI Log CP (25D0270955) 100% do CDI 15/04/2032 AA+ 
(*) Retorno indicado pelo Itaú BBA em relatório.

XP Research 

Título Retorno* Vencimento Rating local 
Tesouro Selic 2029 Selic + 0,01% 01/03/2029 Soberano 
Debênture ER Ativo J&F (VERTL6) CDI + 1,75% 21/02/2028 AAA 
LCA Asa SCFI 90% do CDI  01/10/2029 ND 
CRI Multiplan (26H2820486) 96,5% do CDI 15/08/2034 AAA 
Tesouro Prefixado com J/S 2029 13,12% 01/01/2029 Soberano 
CDB Paraná Banco 14,50% 01/10/2029 AA- 
Debênture Origem Energia (ORIG21) 16,50% 17/12/2035 A 
Debênture Coelba (CEEBD1) 13,45% 15/11/2032 AAA 
Tesouro IPCA+ com J/ S 2032 IPCA + 7,06% 15/08/2032 Soberano 
Tesouro IPCA+ 2035 IPCA + 6,86% 15/05/2035 Soberano 
Debênture Raposo Castelo (CERT11) IPCA + 7,40% 15/03/2029 AAA 
Debênture Eletrobras (AXIA18) IPCA + 7,10% 15/02/2033 AAA 
Debênture Vibra (VBBRA0) IPCA + 7,15% 15/03/2036 AAA 
Debênture São Martinho (SMTO24) IPCA + 7,95% 15/01/2037 AAA 
Debênture Sabesp (SBSPK8) IPCA + 6,40% 15/02/2041 AAA 
(*) Retorno indicado pela XP em relatório.

BB Investimentos 

Título Vencimento Rating local 
DEB Celpe (CEPEB7) 15/08/2040 AAA 
DEB Equatorial Goiás (CGOSB0) 15/08/2037 AA+ 
DEB Engie (EGIEA6) 15/02/2038 AAA 
DEB MRS (MRSAA4) 15/02/2041 AAA 
DEB MRS (MRSAC2) 15/09/2039 AAA 
DEB Vibra (VBBRA0) 15/03/2036 AAA 
Fonte: BB Investimentos. 

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