Renda fixa em promoção? Juros sobem após a eleição e XP vê oportunidade em títulos que agora estão mais baratos
Maior volatilidade não muda a atratividade, segundo a corretora, mas exige mais cuidado com os prazos e a escolha dos emissores

Foi por alguns minutos, mas na segunda-feira (26), durante o caos da reprecificação do mercado financeiro em resposta a vitória do presidente Lula nas eleições presidenciais, o Tesouro IPCA+ voltou a oferecer 8% de juro real na plataforma do Tesouro Direto.
Em pouco tempo a taxa desapareceu: voltou para a faixa dos 7,6% ao ano. Mas para quem estava de olho, a oportunidade surgiu.
E embora as taxas tenham arrefecido, os níveis estão mais altos do que o período pré-eleitoral e são uma chance de entrada, segundo a XP.
"Movimentos mais intensos de abertura podem criar pontos de entrada mais atrativos em títulos prefixados e indexados à inflação, especialmente para investidores com horizonte de médio e longo prazo e capacidade de manter os papéis até o vencimento", escrevem os analistas em relatório desta terça-feira (27).
Como os preços dos títulos de renda fixa sobem quando as taxas caem, na prática, alguns papéis que haviam ficado "caros" nas últimas semanas voltaram a oferecer preços e retornos mais atraentes para quem deseja investir agora.
A XP afirma que a renda fixa deve seguir como uma das classes mais atrativas para o investidor brasileiro, mas o cenário exigirá mais cautela na escolha dos prazos e dos riscos assumidos.
Leia Também
Renda fixa "em promoção"?
Na renda fixa, o preço dos títulos e os juros caminham em direções opostas.
Quando o mercado passa a exigir retornos maiores para emprestar dinheiro ao governo ou às empresas é porque os agentes financeiros avaliam que o risco aumentou. Logo, as taxas sobem, mas o preço cai.
Foi exatamente isso que aconteceu ontem.
Os títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) e os títulos prefixados (Tesouro Prefixado) vinham passando por uma reprecificação de queda de taxas nas últimas semanas, devido à expectativa de vitória da oposição nas eleições.
Essa possível vitória era entendida como mais favorável a uma agenda de compromisso com as contas públicas, que levaria a queda dos juros e do prêmio de risco do Brasil.
Com isso, as taxas do Tesouro IPCA+ 2032, que chegaram a 8% ao ano, caíram para menos de 7%. Com isso, o preço do papel disparou para R$ 3.278.
Diante da expectativa desfeita com a vitória do presidente Lula, os agentes financeiros reverteram o cenário.
As taxas voltaram a subir e os preços, por consequência, a cair.
Nesta terça-feira (27), o Tesouro IPCA+ está oferecendo 7,78% de juro real por ano, ao preço de R$ 3.098.
Com o Tesouro Prefixado o movimento foi o mesmo.
O papel de vencimento em 2029 saiu de um juro anual de 12,76% na sexta-feira (23) pré-eleições, ao preço de R$ 771, para uma taxa de 14,79% nesta terça, ao valor de R$ 742.
Segundo a XP, esse movimento de correção de expectativas que elevou os juros dos títulos públicos pode ter recriado pontos de entrada mais interessantes para os investidores.
Nem toda taxa alta é uma oportunidade
Entretanto, há de se considerar o novo cenário.
O ambiente deve se tornar mais volátil no curto prazo, com o mercado atento às indicações do governo para os ministérios e as pautas consideradas importantes, entre elas, o ajuste fiscal.
Títulos de longo prazo são mais sensíveis aos juros e a essas reprecificações.
Quanto maior o prazo, maior a sensibilidade do papel às mudanças nas expectativas do mercado.
É por isso que a XP segue cautelosa com os vencimentos mais longos, tanto nos prefixados quanto nos papéis indexados ao IPCA.
Se houver novas deteriorações nas expectativas para inflação, juros ou contas públicas, as taxas podem continuar subindo e provocar perdas na marcação a mercado, que é esse ajuste de preço e taxa diário.
Onde investir na renda fixa
Nos títulos prefixados, a preferência dos analistas da casa são os títulos de vencimentos mais curtos, com até dois anos de prazo.
A lógica é capturar as taxas mais elevadas sem assumir um risco excessivo ligado às incertezas de longo prazo.
Já entre os títulos atrelados à inflação, a casa continua enxergando valor nos vencimentos intermediários, com prazos próximos de seis anos.
Esses papéis preservam uma das características mais valorizadas pela XP: a capacidade de proteger o poder de compra ao longo do tempo devido a correção pela inflação.
Além disso, podem se beneficiar no preço caso as taxas reais atuais se mostrem excessivamente elevadas e diminuam ao longo dos meses.
Por fim, os pós-fixados como o Tesouro Selic também seguem desempenhando um papel relevante.
Com juros ainda elevados, esses títulos continuam oferecendo retornos robusto e apresentam menor volatilidade em comparação aos prefixados e aos IPCA+.
RENDA FIXA
Vale trocar um Tesouro IPCA+ por uma debênture da Sabesp? Títulos isentos passam a pagar mais que os públicos, mostra BTG
16 de outubro de 2026 - 17:33ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
XP recomenda vender títulos do Tesouro Direto para comprar papéis isentos; veja as indicações na renda fixa
14 de outubro de 2026 - 18:32Conteúdo Empiricus
Tesouro IPCA+ entregou mais de 14% de valorização com resultado do 1º turno; confira as oportunidades na renda fixa para a segunda metade das eleições
14 de outubro de 2026 - 15:05SD EXPLICA
O que aconteceu com as LCIs e LCAs que pagavam de 95% a 100% do CDI? Entenda por que elas estão sumindo
13 de outubro de 2026 - 14:27RENDA FIXA
Tesouro Direto: o mercado queimou a largada? Confira a tese defensiva do Safra para os títulos públicos
8 de outubro de 2026 - 18:15RENDA FIXA
Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ 8% não existe mais, e quem comprou já lucra até 25%; veja quanto os títulos pagam agora
7 de outubro de 2026 - 18:23CARTEIRA RECOMENDADA
Ainda tem renda fixa pagando IPCA+ 8% por aí: veja a escolha dos bancões para títulos isentos e Tesouro Direto
7 de outubro de 2026 - 16:02VISÃO DO GESTOR
A eleição já mudou a forma de investir? Gestora de fortunas aumenta aposta em Tesouro IPCA+, prefixados e ações
6 de outubro de 2026 - 18:29CRÉDITO PRIVADO
A correção das debêntures incentivadas acabou? Sparta vê risco de nova onda de resgates
6 de outubro de 2026 - 15:58RENDA FIXA
Tesouro Direto: preços disparam e taxas caem após primeiro turno, com ‘otimismo Flávio’; veja quanto o Tesouro IPCA+ oferece agora
5 de outubro de 2026 - 15:49RENDA FIXA
Nove em cada dez debêntures passaram a pagar mais: entenda quem perde e quem ganha com isso
2 de outubro de 2026 - 18:00SD ENTREVISTA
O ESG saiu da moda? Para a Régia Capital, ele ficou ainda mais fundamental na análise de crédito
2 de outubro de 2026 - 6:00VISÃO DO GESTOR
As LCIs e LCAs realmente ajudam a economia? Gestora diz que renúncia de R$ 50 bilhões beneficia mais os bancões do que as empresas
1 de outubro de 2026 - 13:31TAG SUMMIT
Os FIDCs chegaram ao investidor comum: mercado de R$ 1 trilhão quer disputar espaço na carteira de renda fixa
29 de setembro de 2026 - 17:32CRÉDITO PRIVADO
Investidores abandonam fundos de crédito novamente; saídas já chegam a R$ 121 bilhões em 12 meses
28 de setembro de 2026 - 13:58Conteúdo Empiricus
Onde buscar oportunidades para ‘travar’ ganhos muito acima da inflação com a Selic a 13,75%?
27 de setembro de 2026 - 10:00Conteúdo Empiricus
Alerta na renda fixa: entenda como títulos com retornos de até IPCA + 11% ao ano correm o risco de ‘sumirem das prateleiras’ em breve
26 de setembro de 2026 - 9:00Conteúdo Empiricus
Perdeu o Tesouro IPCA+ 8%? Saiba que na renda fixa ‘premium’ ainda é possível buscar retornos reais de até 10,38% ao ano; veja os títulos
25 de setembro de 2026 - 11:00RENDA FIXA