A Selic não vai mais cair? Pausa nos cortes dos juros já lidera apostas para o próximo Copom e muda cenário da renda fixa
Contratos negociados na B3 atribuem 61% de chance de manutenção dos juros na próxima semana

O ciclo de cortes na taxa Selic pode ter chegado ao fim. Pelo menos é isso que indicam as apostas dos participantes do mercado financeiro para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Após cinco cortes consecutivos na taxa Selic, os contratos negociados na B3 passaram a indicar que o mercado vê como mais provável uma manutenção da taxa básica de juros na próxima reunião, marcada para os dias 3 e 4 de novembro.
As Opções de Copom negociadas até 27 de outubro indicavam uma probabilidade de 60,90% de manutenção da Selic em 13,75% ao ano.
Trata-se de uma inversão significativa em relação à visão dos agentes financeiros para os juros básicos até sexta-feira (23), antes do resultado da eleição presidencial.
Naquele momento, a maior probabilidade (76%) era de um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para 13,5% ao ano. Agora, o corte de 0,25 p.p. aparece como o segundo cenário mais provável, concentrando 36% das apostas.
Se a leitura do mercado estiver correta, será a primeira interrupção desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária, em março deste ano.
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O que o mercado está enxergando nos juros
As probabilidades não representam uma previsão oficial, nem uma pesquisa com economistas sobre a taxa Selic.
Elas são calculadas a partir dos preços dos contratos negociados na B3 e mostram quanto os investidores estão dispostos a pagar por cada cenário para a decisão do Copom.
Na prática, funcionam como um termômetro das expectativas do mercado.
E o que esse termômetro mostra hoje é uma virada de chave. O cenário de novos cortes perdeu força e há quem aposte até mesmo em novos aumentos.
A alta de 0,25 p.p. já na próxima semana tem 1,57% de chances, segundo as Opções do Copom. É um percentual muito baixo, mas sinaliza um início de sentimento.
Segundo Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus, o mercado praticamente abandonou a expectativa de redução da Selic na próxima semana. E não só: as projeções já apontam para aumentos no futuro.
"Para a reunião da próxima semana, o mercado apagou a expectativa de corte de 25 pontos-base e passou a precificar estabilidade na taxa básica de juros. Para as próximas reuniões, a expectativa do mercado é do retorno do ciclo de alta até o início do segundo trimestre de 2027", afirma.
A visão da casa, porém, é diferente. A Empiricus trabalha com a hipótese de que os juros permaneçam em 13,75% ao ano por tempo indeterminado.
O que isso muda para a sua renda fixa?
Essa mudança de cenário tem consequências diretas para a renda fixa.
Se os juros ficarem elevados por mais tempo, a renda fixa continua oferecendo retornos atrativos. O problema é que nem todos os títulos reagem da mesma forma a esse cenário.
Segundo Costa, a maior incerteza sobre a economia, da inflação às contas públicas, torna os títulos indexados à inflação (IPCA+) de vencimento mais longos mais sujeitos a oscilações e reprecificação.
É por isso que a Empiricus passou a preferir títulos indexados à inflação de prazos mais curtos, como o Tesouro IPCA+ 2032, disponível na plataforma do Tesouro Direto.
A recomendação não tem relação apenas com proteção contra a alta dos preços. Esses papéis também passaram a oferecer um "carrego" mais interessante, segundo Costa.
Isso significa que o investidor consegue contratar hoje taxas reais elevadas, acima da inflação, e carregá-las por um período relativamente curto sem ficar tão exposto às mudanças de humor do mercado.
Depois do resultado do segundo turno da eleição presidencial, o Tesouro IPCA+ 2032 voltou a se aproximar de uma taxa de 8% de juro real.
Isso não significa, entretanto, abandonar os prefixados ou os papéis indexados à inflação de prazo maior. É uma questão de recalibrar a carteira.
Em um ambiente em que o mercado discute desde estabilidade até novas altas da Selic nos próximos meses, a escolha dos vencimentos é tão importante quanto a escolha do título.
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