Banco do Brasil lança ‘Cofrinho de Proventos’ para reinvestir dividendos de forma automática, mas tem um ponto de atenção
Após atrair mais de R$ 1 bilhão para os Cofrinhos BB, banco lança ferramenta que separa e aplica automaticamente dividendos, JCP e rendimentos de FIIs

As "caixinhas", "cofrinhos" e "porquinhos" que ajudam brasileiros a guardar dinheiro se tornaram um dos produtos mais populares de bancos e fintechs nos últimos anos. São ferramentas que fazem o dinheiro render por meio de aplicações de renda fixa conservadora. Agora, o Banco do Brasil quer levar a mesma lógica para quem investe em renda variável, com foco em renda passiva.
A partir de 26 de outubro, clientes do banco estatal poderão investir automaticamente dividendos, juros sobre capital próprio (JCP) e rendimentos de fundos imobiliários (FIIs) em um cofrinho próprio para esse dinheiro.
Trata-se do "Cofrinho de Proventos", uma nova funcionalidade anunciada pela instituição nesta segunda-feira (19).
A ideia é que quando houver o pagamento de um provento elegível, o valor seja direcionado para o cofrinho correspondente, sem a necessidade de um comando manual a cada recebimento.
Criado especificamente para essa finalidade, o Cofrinho de Proventos receberá apenas os valores dos ativos de renda variável que pagam dividendos ou outros rendimentos de renda passiva, sem aportes adicionais da conta corrente.
O investidor poderá criar mais de um cofrinho se quiser e automatizar o pagamento de ativos distintos. É possível diferenciar os dividendos de ações e de FIIs, por exemplo.
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"Como o investidor pode receber proventos de diferentes ativos e em datas distintas, com o Cofrinho de Proventos será possível ter mais clareza sobre a renda que seus investimentos estão gerando e mais autonomia para decidir o próximo passo", disse Mario Perrone, head de captação e investimentos do BB, em nota.
Dinheiro dos dividendos não é reinvestido nas ações
Acontece que o dinheiro dos dividendos não é reinvestido na compra de mais ações ou cotas de FIIs. Mas tampouco ficará parado no cofrinho.
Todo valor recebido será aplicado automaticamente no BB Renda Fixa Simples Reserva, fundo exclusivo da estrutura dos Cofrinhos BB.
Segundo o Banco do Brasil, o fundo acumulou rentabilidade de 13,90% nos últimos 12 meses até setembro, ante 14,48% do CDI — o equivalente a cerca de 96% do indicador.
O fundo tem perfil bastante conservador. Ele investe em títulos públicos (Tesouro Selic), CDBs pós-fixados e operações bancárias de curtíssimo prazo.
Classificado como fundo de renda fixa simples, ele busca acompanhar o CDI e tem baixo risco e alta liquidez — exatamente o que se espera dos demais cofrinhos popularizados no mercado.
Entre as características do produto elencadas pelo Banco do Brasil estão:
- aplicação mínima de apenas R$ 0,01;
- resgate com crédito no mesmo dia (D+0);
- taxa global de 0,5% ao ano.
Enquanto os Cofrinhos BB atingiram R$ 1 bilhão em patrimônio em fevereiro deste ano, o patrimônio do fundo superava R$ 3,6 bilhões em setembro, com 693,89 mil cotistas desde seu lançamento, em junho de 2024.
Cofrinho de Proventos vs. Impostos
Vale prestar atenção à tributação.
Enquanto os dividendos de ações e FIIs são isentos de imposto de renda para a maior parte das pessoas físicas e os JCP têm desconto de 15% direto na fonte, o fundo BB Renda Fixa Simples Reserva tem outra regra de tributação.
Como o dinheiro irá diretamente para o fundo, os ganhos deixam de ser isentos e o rendimento dos JCP serão novamente tarifados.
Os fundos de renda fixa têm incidência do chamado come-cotas duas vezes por ano, em maio e novembro, com alíquota de 15% sobre os rendimentos acumulados até então.
Além disso, no resgate, o investidor ainda pode pagar uma diferença de imposto para completar a alíquota final da tabela regressiva, que varia de 22,5% para aplicações de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias.
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