Vale trocar um Tesouro IPCA+ por uma debênture da Sabesp? Títulos isentos passam a pagar mais que os públicos, mostra BTG
Relatório do banco mostra o aumento da remuneração das debêntures incentivadas, enquanto a reprecificação dos títulos públicos diminuiu a atratividade desses papéis

Há poucos meses, investidores corriam para o Tesouro IPCA+ para aproveitar taxas acima da inflação de mais de 8% ao ano. Agora, o cenário mudou. O prêmio dos títulos públicos diminuiu para o nível de IPCA+ 6,8% e parte das oportunidades da renda fixa migraram para outro lugar: os títulos isentos.
Dados do BTG Pactual mostram que algumas debêntures incentivadas — títulos emitidos por empresas e isentos de imposto de renda para pessoas físicas —, passaram a oferecer taxas superiores às dos títulos públicos equivalentes.
Um dos exemplos destacados pelo banco é o de uma debênture incentivada da Sabesp (SBSPI8).
O papel foi um dos mais negociados em setembro, com um giro de R$ 477 milhões e uma taxa de IPCA+ 7,38%. Para efeito de comparação, a taxa do Tesouro IPCA+ equivalente já tinha recuado para próximo de 6,30% ao ano.
Essa diferença entre as taxas dos títulos privados e dos isentos é chamada de spread, no jargão financeiro. Trata-se do retorno extra que uma empresa precisa oferecer ao investidor pelo risco maior em comparação ao título público de prazo semelhante.
Nos últimos meses, os spreads das debêntures incentivadas aumentaram significativamente.
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Segundo o BTG Pactual, esse prêmio alcançou 1,01 ponto percentual (p.p.) acima dos retornos dos títulos públicos indexados à inflação em 14 de outubro. Com isso, a taxa nominal média dos títulos privados atingiu IPCA+ 7,83%.
Títulos privados ficaram mais competitivos
E o momento é o melhor possível para os títulos privados.
O aumento dos spreads das debêntures incentivadas ocorre após uma forte queda das taxas do Tesouro Direto nas últimas semanas.
Os juros dos títulos públicos diminuíram diante da expectativa dos agentes financeiros de uma melhora fiscal com uma possível troca de governo.
Embora o segundo turno das eleições presidenciais ainda vá acontecer em 25 de outubro, o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), é visto como favorito a ganhar o pleito — e mais inclinado a reformas fiscais e políticas.
O resultado desse movimento de abertura de spreads nas debêntures incentivadas e queda nas taxas do Tesouro Direto mudou o cenário da renda fixa.
Os títulos públicos ficaram mais caros e estão pagando menos, enquanto os títulos isentos das empresas ficaram mais baratos e estão pagando mais.
- Isso porque, na renda fixa, preço e taxa andam em direções opostas: quando a taxa cai, o preço do título sobe para equilibrar o retorno. E o contrário também é verdadeiro.
Diante desta realidade, em relatório recente, a XP recomendou uma realização parcial dos lucros acumulados no Tesouro IPCA+ para uma entrada gradual em debêntures incentivadas classificadas como high grade, grupo que reúne empresas consideradas de elevada qualidade de crédito.
Entre os nomes destacados pela casa estão Sabesp, São Martinho, Vibra, Coelba, Energisa e Ecovias Raposo-Castelo.
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Novas emissões de debêntures incentivadas
Os dados do BTG Pactual também mostram que o mercado de crédito privado está aquecido.
Apenas em outubro, emissões de empresas como Cielo, Copasa, Axia Energia e Orizon movimentaram bilhões de reais no mercado primário — em que a empresa vende o título pela primeira vez direto para o investidor e o volume de captação entra em caixa.
Posteriormente, a negociação dos títulos é no mercado secundário, entre investidores.
As emissões incentivadas que mais chamaram a atenção recentemente foram:
- Axia Energia, emitiu R$ 1,5 bilhão em debêntures incentivadas pagando IPCA+ 7,40%, com rating AAA; e
- Cemig Distribuição captou R$ 1 bilhão, com a debênture incentivada pagando IPCA+ 7,35% e rating AAA.
No mercado secundário, as negociações dos papéis isentos de Auren Energia também foram significativas em setembro, segundo o BTG.
A debênture incentivada AURP12 movimentou R$ 400 milhões e foi negociada a IPCA+ 7,56%. O título público de referência para o papel estava em IPCA+ 7,45%, segundo o BTG.
Na parcial de outubro até o dia 14, as debêntures incentivadas responderam por 55% de todo o volume negociado no mercado secundário de crédito privado, somando uma movimentação média diária de R$ 1,7 bilhão.
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