Tesouro Direto permanece fechado após vitória de Lula por forte oscilação nos retornos; o que acontece agora?
Resultado da eleição desencadeou pessimismo nos mercados e leva títulos públicos e outros ativos a devolverem ganhos vistos após o primeiro turno

O Tesouro Direto, plataforma de negociação de títulos públicos do Tesouro Nacional, permanece fechado nesta segunda-feira (26), devido à alta volatilidade das taxas de juros no mercado após a vitória do presidente Lula nas eleições 2026.
Apenas a negociação dos títulos Tesouro Selic e Tesouro Reserva permanece liberada. O site do programa informa que "a expectativa é de normalização ao longo do dia."
A paralisação das negociações do Tesouro Direto é praxe quando há muita volatilidade no mercado, a fim de normalizar a atualização das remunerações dos títulos prefixados (Tesouro Prefixado) e indexados à inflação (Tesouro IPCA+).
Os juros futuros (DIs futuros) disparam nesta segunda-feira, devolvendo a queda vista após o primeiro turno das eleições, ante a expectativa frustrada de eleição do senador Flávio Bolsonaro, visto como um candidato mais afeito a um ajuste fiscal.
Os DIs longos, de 2029 em diante, avançam mais de 20%, para perto de 15% ao ano, patamar da taxa Selic no início do último ciclo de cortes de juros.
Com isso, a perspectiva é de que as taxas prefixadas e indexadas à inflação dos títulos do Tesouro Direto também aumentem tão logo sejam atualizadas, uma vez que elas se baseiam nos juros futuros.
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Consequentemente, os preços desses papéis devem despencar na marcação a mercado, dado que os preços caem quando as taxas sobem, e vice-versa.
Investidores com esses ativos na carteira verão desempenho negativo nesses títulos, mas o prejuízo só será realizado caso eles sejam vendidos antes do vencimento. Títulos públicos levados até o fim do prazo pagam exatamente o retorno contratado na hora da compra.
Antes do primeiro turno das eleições, os títulos Tesouro IPCA+ chegaram a pagar mais de 8% ao ano acima da inflação, mas as taxas reais desses papéis chegaram a fechar para menos de 7% até a última sexta-feira.
Já as taxas prefixadas, que chegaram a superar os 14% antes do primeiro turno, caíram para menos de 13% até a última sexta.
Agora a expectativa é de que essas taxas voltem a abrir substancialmente.
Tesouro Nacional cancelou leilões tradicionais de títulos públicos hoje
O Tesouro Nacional anunciou mais cedo o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados à inflação e prefixados, previstos para terça-feira (27) e quinta-feira (29), respectivamente.
Apesar disso, o Tesouro manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), papéis remunerados pela taxa Selic, previsto para terça-feira.
As condições da operação serão divulgadas no site do Tesouro Nacional, seguindo as mesmas regras dos leilões ordinários.
“O Tesouro Nacional continuará monitorando as condições de mercado e atuará de forma a assegurar o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e de outros ativos relacionados”, informou o órgão em comunicado.
Em momentos de maior volatilidade, investidores podem exigir taxas mais elevadas para financiar o governo, aumentando o custo de emissão de novos títulos públicos.
O cancelamento das ofertas permite ao Tesouro evitar a contratação de dívida prefixada ou indexada à inflação nas condições de mercado dessas datas.
*Com informações do Money Times
Conteúdo Empiricus
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