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Restaurante em Minneapolis adota modelo sem cobrança, critica sistema tradicional e gera reações diversas entre clientes

Além do lucro, qual é a finalidade de um empreendimento comercial? Foi isso o que o Modern Times, um restaurante no estilo diner nos Estados Unidos, quis mostrar quando parou de cobrar seus clientes pela comida.
Quem entra no restaurante e pede um prato paga quanto quiser, quanto tiver, quanto achar justo, a título de doação. Se quiser doar. Se não quiser pagar nada, pode ir embora numa boa, sem olhares carrancudos do dono e dos garçons.
Trata-se de um protesto. Segundo Dylan Alverson, proprietário do estabelecimento, a ideia original era parar de pagar os impostos sobre vendas ao governo de Minneapolis, cidade onde o restaurante está localizado e que, segundo ele, causava danos diários à população local.
A insatisfação de Alverson decorre da Operação Metro Surge, uma ação de deportação em massa de imigrantes ilegais liderada pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e pela Patrulha de Fronteiras, em vigor em todo o estado de Minnesota desde dezembro de 2025.
Depois de suspender as cobranças, Alverson rebatizou o restaurante como Post Modern Times. A partir de então, o que era apenas um protesto temporário tornou-se permanente e mais profundo: uma crítica a um modelo de negócios que ele considera “falido”.
O fato é que mais da metade dos clientes do Post Modern Times vai embora sem pagar nem ao menos um centavo. Ainda assim, Alverson afirma que o restaurante dá mais lucro hoje do que nos 15 anos anteriores desde sua inauguração. Mas como isso é possível?
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A decisão se deu dois dias após a morte de Alex Pretti por agentes do ICE durante os protestos ocorridos em Minneapolis contra a Operação Metro Surge.
Nas redes sociais, Alverson anunciou que "pelo restante da ocupação do governo, funcionaremos como um restaurante gratuito e baseado em doações".
Desde então, os clientes não recebem a tradicional “conta” ao término da refeição, mas apenas uma oportunidade de doar, se puderem. O cardápio do restaurante também foi reduzido para ajudar a cozinha a acompanhar o aumento da demanda de clientes.
O ato foi ousado, por mais que já existam restaurantes nos EUA que funcionem apenas por doação — como o JBJ Soul Kitchen, fundado pelo cantor Bon Jovi. Mas o que tornou a abordagem de Alverson inovadora foi centrá-la em um conceito ampliado de hospitalidade.
A proposta se tornou atender clientes sem condições de frequentar a maioria dos restaurantes, e “oferecer eles a mesma experiência, independentemente do nível de pobreza, deficiência ou classe”.
O acréscimo desse componente solidário teve resultados práticos: as vendas do restaurante, que antes eram de cerca de US$ 60 mil por ano, chegaram a US$ 25 mil apenas em abril deste ano, somadas a uma onda de doações financeiras de fora de Minnesota.
O sentimento da clientela em relação ao novo modelo de negócio não foi uniforme. Alguns se impressionaram com a qualidade da comida, preparada e servida na hora, quando esperavam alimentos prontos e embalados por serem gratuitos.
Outros chamaram o lugar de “abençoado”, e disseram apreciar a diversidade das pessoas que começaram a frequentar o restaurante. No entanto, ainda houve quem criticasse o Post Modern Times, afirmando que o local está atraindo pessoas “potencialmente perigosas”.
Desentendimentos entre funcionários e clientes também se tornaram mais recorrentes. Até porque, segundo Alverson, "temos muitos clientes que estão muito acostumados a serem discriminados". "São muitas emoções humanas grandes e profundas”.
De olho em potenciais incidentes, além da postura calma do proprietário, há também Derek Armstrong: um voluntário que oferece segurança do lado de fora do restaurante na maioria dos dias e interfere pacificamente em conflitos antes que escalem.
Foi assim que Dylan Alverson propôs um espaço de igualdade econômica — algo que, segundo ele, não existe no ambiente empresarial atual.
*Com informações do jornal The New York Times.
**Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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