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CASO ST. BARTHS

Cancela obra, libera obra: entenda a polêmica sobre o edifício de luxo erguido sem alvará em um dos metros quadrados mais caros de São Paulo

O edifício St. Barths Itaim teve obras paralisadas por falta de alvará. Agora regularizado, o condomínio de apartamentos de luxo poderá ser concluído após anos de polêmica.

Edifício St. Barths, localizado na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior.
Edifício St. Barths, localizado na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior. - Imagem: Google Street View/Reprodução

O St. Barths Itaim, edifício de luxo no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo, volta e meia ganha destaque na mídia brasileira. Com as obras paralisadas por anos, o empreendimento se tornou alvo de polêmica após vir à tona que havia sido construído sem alvará de execução.

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Localizado na Rua Leopoldo Couto de Magalhães, um dos endereços mais caros de São Paulo e a apenas 300 metros da Avenida Faria Lima, o projeto da Construtora São José era ambicioso.

O empreendimento previa 23 andares, com apartamentos de alto padrão que variam de 382 m² a 739 m², em uma área onde o valor médio do m² é de R$ 24,8 mil.

Avaliado em quase R$ 360 milhões, o empreendimento teve as obras paralisadas quando já estava praticamente concluído, em 2023, após a descoberta de que não possuía a licença exigida.

A retomada das obras foi autorizada no fim de julho, após a regularização do imóvel com mais de sete anos de atraso.

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Apesar disso, a Justiça manteve a proibição da comercialização e da publicidade das unidades do empreendimento, imposta em decisão anterior. Essa restrição só poderá ser revertida após conclusão das obras ou aval técnico da prefeitura.

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Cancela obra

Mesmo sem a licença necessária, já havia anúncios e estande de vendas do Edifício St. Barths na Rua Leopoldo Couto Magalhães Junior em 2016, indicando o início do empreendimento. Em 2018, as obras já estavam em andamento e, em março de 2020, a estrutura principal do prédio já havia sido erguida.

Quando a irregularidade veio à tona, a Prefeitura de São Paulo e o Ministério Público acionaram a Justiça para pedir a paralisação das vendas das unidades e a demolição do prédio. O argumento era que a segurança e a estabilidade estrutural da edificação não estavam comprovadas.

O prédio não foi demolido. A Justiça entendeu na ocasião que essa medida seria irreversível. No entanto, foi determinado que ele permanecesse desocupado e que fossem suspensas as vendas e a divulgação comercial dos apartamentos.

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Na época, a multa paga pela São José foi de R$ 2,5 milhões e o pedido para regularizar a construção e obter o alvará também foram recusados pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento.

Libera obra

Até então, tudo indicava que o St. Barths Itaim seguiria "encalhado" por tempo indeterminado. Em 2025, porém, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) abriu uma brecha para a regularização do empreendimento.

O artigo 17 da Lei Municipal nº 18.175, incluído na revisão da Operação Urbana Faria Lima, passou a permitir a regularização de empreendimentos mediante a aquisição de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs).

Os Cepacs são títulos mobiliários emitidos pelos municípios e negociados em bolsa. Eles dão direito a um espaço urbanístico adicional, permitindo a construção de empreendimentos acima do limite das regras de zoneamento.

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Assim como o alvará de execução e os créditos construtivos necessários para a obra, os Cepacs estavam pendentes desde o início do projeto do St. Barths Itaim.

Em reunião com promotores, a construtora admitiu que não havia adquirido os títulos porque considerava elevados os valores exigidos.

Nesse contexto, em 2025, a São José apresentou à prefeitura a Certidão de Pagamento da Outorga Onerosa em Cepac, que comprova a aquisição dos títulos, além do comprovante de pagamento de uma multa de R$ 29,4 milhões, valor equivalente a 45% do preço dos Cepacs.

Com isso, após abertura de um processo administrativo, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento concluiu que as irregularidades urbanísticas do St. Barths Itaim haviam sido sanadas. Foram emitidos o Certificado de Regularização e os alvarás de aprovação e execução das obras.

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Agora, em 2026, as obras do St. Barths Itaim poderão finalmente ser concluídas.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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