🔴 É HORA DE SAIR DA DEFENSIVA: ESTES 10 ATIVOS PODEM MULTIPLICAR ATÉ 400x EM 12 MESES – CONFIRA

Conteúdos exclusivos da Empiricus

Parceria Seu Dinheiro e Empiricus:

Salve suas matérias favoritas do Seu Dinheiro criando uma conta gratuita na Empiricus.

E tem mais: ao criar sua conta gratuita, você ganha acesso a um universo de conteúdos que vai muito além das notícias.

Relatórios, cursos, podcasts, newsletters e estratégias de investimento para transformar informação em melhores decisões.

PARCEIRO OU RIVAL

Onde a China machuca o Brasil: a maior parceria comercial brasileira esconde uma armadilha

Relatório da Moody’s alerta que a dependência do país asiático como comprador de commodities e fornecedor de manufaturados cria dois riscos ao mesmo tempo — e o Brasil está entre os mais vulneráveis da América Latina

Em um mapa mundi em preto e branco, mãos dadas com as bandeiras do Brasil e da China
Imagem: ThorstenSchmitt/istock

O Brasil exporta minério de ferro para a China. Com o dinheiro, importa aço chinês a preços que a indústria nacional não consegue competir. Parece absurdo, mas é exatamente isso que está acontecendo — e a Moody’s Ratings transformou esse paradoxo no símbolo de um risco muito maior que ronda toda a América Latina

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A agência de classificação de risco mapeou nesta semana como a dependência da China — tanto como destino das exportações quanto como origem das importações — criou o que chama de “riscos duplos”.  

O Brasil, classificado como Ba1 estável pela Moody’s, aparece entre os países mais exposto do continente. 

O tamanho da relação 

Primeiro, os números para entender a dimensão do que está em jogo. O comércio entre China e América Latina superou US$ 500 bilhões em 2025, mais que o dobro dos cerca de US$ 200 bilhões registrados em 2010.  

A China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil, do Chile e do Peru — e o segundo maior da região como um todo, atrás apenas dos EUA. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Só o Brasil movimentou US$ 100 bilhões em exportações para a China e US$ 75,9 bilhões em importações, segundo os dados mais recentes do relatório. Não é uma relação pequena. É uma dependência estrutural. 

Leia Também

MUDANÇA NA ÁREA

Mapa-múndi vai mudar? Novo modelo é aprovado pela ONU e propõe uma nova representação dos continentes

FOI SEM QUERER

O ‘insuportável’ William Shockley, Prêmio Nobel que perdeu seus principais pesquisadores e criou o Vale do Silício por acidente

Os vencedores da relação com a China 

Nem tudo é risco. A Moody’s reconhece ganhos reais para o Brasil em algumas frentes. 

Soja e agronegócio é uma delas. As tensões comerciais entre EUA e China abriram espaço para o Brasil. Com Pequim reduzindo compras de soja norte-americana e buscando fornecedores alternativos, as exportações brasileiras do grão bateram recordes em 2025. O agronegócio colheu um dividendo geopolítico direto. 

Celulose e madeira também aparecem entre os vencedores, com a melhor nota no índice de vulnerabilidade da Moody’s para o Brasil — o de menor risco e maior potencial exportador.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O país responde por cerca de 30% das exportações globais de celulose, com competitividade crescente ao longo do tempo. Os segmentos de celulose e papel ainda se beneficiam de isenções tarifárias concedidas recentemente pelos EUA, o que reforça o colchão de proteção. 

Energia e minerais também aparecem na lista dos beneficiados na relação comercial com a China. Entre 2015 e 2025, o Brasil absorveu US$ 48 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) chinês — o maior volume da região.  

Grande parte disso foi para transmissão elétrica, energia hidrelétrica e petróleo offshore. Mais recentemente, o capital chinês migrou para energia solar, eólica e minerais críticos para a transição energética. Para o país, isso significa recursos, empregos e infraestrutura em setores estratégicos. 

Leia também:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Onde a China machuca o Brasil 

O Brasil é apontado pela Moody’s como uma das duas economias mais vulneráveis da América Latina — ao lado da Argentina —, com 50% a 60% dos setores industriais apresentando níveis elevados de vulnerabilidade. 

O caso mais emblemático é o setor de aço e metais. O Brasil exporta minério de ferro bruto para a China e reimporta, crescentemente, produtos siderúrgicos acabados a preços que os produtores domésticos têm dificuldade de competir. 

O valor agregado fica do lado de lá. O risco de deslocamento — termo técnico para a ameaça de a produção doméstica ser substituída por importações — é classificado como muito elevado. 

No mesmo front, automóveis e veículos elétricos também sentem o peso da parceria com a China. As importações brasileiras de veículos elétricos chineses cresceram 18 vezes em 2023.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os fabricantes instalados no Brasil, sejam nacionais ou multinacionais, enfrentam uma concorrência de preço e tecnologia que pressiona margens e participação de mercado. 

Máquinas e equipamentos elétricos também figuram entre os setores de risco muito elevado. O valor agregado chinês incorporado nas exportações brasileiras desses segmentos mais que dobrou entre 2010 e 2022: no caso de veículos, saltou de 1,5% para 5,8%; em equipamentos elétricos e ópticos, de 3% para 8,1%.  

O Brasil está cada vez mais dependente de insumos intermediários chineses para produzir e exportar — o que aumenta a vulnerabilidade a choques de preço e à substituição. 

 No caso de têxteis e vestuário, há um alto risco de deslocamento, embora o impacto econômico seja limitado por se tratar de setores pequenos no Produto Interno Bruto (PIB). Ainda assim, são intensivos em mão de obra, o que significa consequências sociais relevantes no caso de desindustrialização. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O risco mais profundo 

Por trás dos setores específicos, a Moody’s aponta um movimento estrutural preocupante: o Brasil — e a América Latina como um todo — está se deslocando para segmentos de menor valor agregado na cadeia produtiva. 

O exemplo do cobre chileno ilustra bem, mas tem paralelo direto com o Brasil. À medida que a China amplia sua própria capacidade de processar e refinar matérias-primas, ela importa cada vez mais o produto bruto e menos o produto refinado.  

Para o Brasil, isso significa que a pauta de exportações para a China — já concentrada em commodities como minério de ferro, soja e petróleo bruto — tende a ficar ainda mais presa em bens de baixo valor agregado. 

Cerca de 80% do que o Brasil e os demais países da região vendem para a China são matérias-primas ou produtos agrícolas. As cinco principais categorias de exportação de cada país respondem por mais de 90% do total vendido ao mercado chinês. Isso é concentração extrema — e concentração é sinônimo de fragilidade quando a demanda do comprador muda. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E ela está mudando. A China está desacelerando a construção civil, o que reduz a necessidade de minério de ferro e aço. O modelo de crescimento chinês está migrando da infraestrutura tradicional para manufatura de alta tecnologia, o que implica menos demanda pelas commodities tradicionais que o Brasil vende. 

O ETF para enfrentar a aceleração da inflação

O acordo EUA-China e o risco para a soja 

Há ainda um alerta específico e recente. O acordo comercial fechado entre Donald Trump e Xi Jinping em maio de 2026 inclui disposições para compras de soja americana.  

Se a China voltar a priorizar os EUA como fornecedor do grão, o Brasil perde justamente o benefício que havia capturado com as tensões comerciais dos últimos anos. O que foi ganho pelo conflito pode ser perdido pelo acordo. 

A resposta comercial do Brasil é frágil 

A Moody’s também aponta que as defesas comerciais dos países latino-americanos contra a concorrência chinesa são “fragmentadas e reativas”.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E há um motivo estrutural para isso: os países da região dependem da China como compradora de suas commodities, o que limita a disposição de adotar medidas mais duras contra os produtos manufaturados chineses. 

É uma armadilha: proteger a indústria doméstica pode irritar o principal comprador da sua principal exportação. O Brasil vive esse dilema de forma aguda. 

O que o investidor precisa saber 

Para quem acompanha o mercado brasileiro, a Moody’s traz um mapa de risco útil. Setores expostos à concorrência direta com manufaturados chineses — aço, veículos, eletroeletrônicos, máquinas — tendem a conviver com pressão persistente de margens e participação de mercado.  

Já celulose, papel e agronegócio aparecem como os bolsões de maior resiliência no perfil exportador brasileiro. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O risco maior, porém, é o estrutural e de longo prazo: um Brasil que exporta cada vez mais commodities brutas e importa cada vez mais produtos industrializados é um país que transfere empregos, tecnologia e valor agregado para fora — e fica mais vulnerável a cada ciclo de demanda chinesa que vira. 

Na análise da Moody’s, a China é, ao mesmo tempo, o maior cliente e um dos maiores competidores do Brasil.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O economista Mohamed El-Erian está sentado em uma poltrona vermelha, segurando um microfone. Atrás dele, uma estante de livros. 31 de agosto de 2026 - 13:50
Dono da Amazon Jeff Bezos Indian Creek 27 de agosto de 2026 - 16:32
Wall Street diante de um gráfico vermelho de queda 19 de agosto de 2026 - 15:33

OPORTUNIDADE OU CILADA

Renda fixa nos EUA: vale a pena comprar Treasury com a disparada dos juros?

19 de agosto de 2026 - 15:33
Em um fundo que mescla o prédio da B3, a bandeira do Brasil e um globo, um homem de barba e terno azul está ao lado direito da imagem. No centro, a frase: Só ser barato não adianta 14 de agosto de 2026 - 14:40
Montagem representando as tarifas dos EUA contra os produtos brasileiros 14 de agosto de 2026 - 13:31
A mão de um robô humanoide segura várias cédulas de dólar 9 de agosto de 2026 - 17:01
Ilustração do genoma criado pela IA 7 de agosto de 2026 - 15:51
Ilustração gerada por IA de uma igreja moderna branca no meio de um campo de flores roxas. 7 de agosto de 2026 - 0:09
Em um cenário que lembra a lua, robôs humanoides e de quatro patas da Unitree estão enfileirados. 6 de agosto de 2026 - 19:51
Estátua de menina em frente ao touro de Wall Street 6 de agosto de 2026 - 19:21
Em um fundo com a bandeira dos EUA, o megainvestidor Michael Burry aparece do lado direito, em primeiro plano 5 de agosto de 2026 - 16:30

ELE ESTÁ VENDIDO

O tsunami que pode arrastar o S&P 500, segundo Michael Burry

5 de agosto de 2026 - 16:30
imagem da Ponte das Correntes que atravessa o rio Dánubio em Budapeste, na Hungria, vista de cima 5 de agosto de 2026 - 14:28
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar