O craque da sua carteira: como escalar uma seleção de ETFs globais e lucrar com a Copa sem sair de casa
Com receitas estimadas em US$ 13 bilhões, o megaevento na América do Norte abre frentes que vão da infraestrutura tecnológica à mobilidade. Saiba como montar sua estratégia usando os BDRs de ETFs disponíveis na B3.

A Copa do Mundo mostrou que aquele jogador versátil, que corre o campo inteiro, arma jogadas rápidas no ataque e ainda volta para dar aquela força na defesa, é o sonho de qualquer técnico — e depender de um só craque é receita para o fracasso. Nos investimentos, a lógica é a mesma: se você quer ver o seu patrimônio render, não pode apostar todas as suas fichas em um único ativo.
A bola ainda está rolando nos gramados dos EUA, México e Canadá, mas, para além do torneio, a Copa funciona como uma verdadeira potência econômica. Só para se ter uma ideia, segundo dados da Fifa, a competição deve movimentar cerca de US$ 13 bilhões em receitas globais.
Mas como sair da posição de torcedor e passar a faturar com o potencial econômico dos países e das tendências que sustentam esse cenário? A resposta pode estar na B3, por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipt, certificados emitidos no Brasil que representam ações de empresas estrangeiras) e de ETFs (fundo de investimento negociado em bolsa como se fosse uma única ação).
Tanto os BDRs como os ETFs replicam, por exemplo, fundos listados originalmente nos EUA e funcionam como um time, garantindo acesso direto e simplificado a uma cesta diversificada de ativos internacionais.
Para Flávio Vegas, especialista de produtos da Global X, a Copa do Mundo funciona como um catalisador econômico regional e tecnológico, e o uso de ETFs proporciona uma diversificação geográfica eficiente e muito transparente.
“Estamos falando de capturar o crescimento de teses que sustentam o evento na prática, desde a infraestrutura de dados que transmite os jogos, até os sistemas de segurança cibernética e as dinâmicas econômicas dos países participantes da Copa", afirma.
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O ataque e o meio-campo dos ETFs
Se a sua estratégia é buscar o crescimento e a inovação dos países-sede da Copa — os atacantes do seu portfólio —, o foco deve estar na infraestrutura que faz o torneio acontecer nos bastidores:
- DTCR39 (Data Center & Digital Infrastructure ETF): com cerca de 75% da carteira concentrada em empresas norte-americanas, o fundo da Global X oferece acesso direto à tecnologia por trás da transmissão digital e da infraestrutura de dados dos jogos nos EUA, um dos anfitriões da competição.
- BLBT39 (Lithium & Battery Tech ETF): reúne empresas diretamente ligadas à cadeia global de lítio e baterias, contando com forte presença nos EUA. É uma tese da Global X focada em capturar os avanços e a eletrificação da mobilidade urbana nas principais cidades-sede.
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A base de sustentação
Nenhum time vence sem uma boa estrutura tática de suporte. No mundo real, a engrenagem das cidades que recebem os jogos depende de matérias-primas cruciais para redes elétricas, construções e eletrônicos. E dois ETFs captam esse movimento.
- BSIL39 (Silver Miners ETF): é o fundo da Global X que traz a exposição mais completa e direta aos três países-sede de forma simultânea. A carteira concentra 62% no Canadá, seguido por 19% nos Estados Unidos e 5% no México, investindo diretamente em mineradoras de prata — um insumo indispensável para a produção de eletrônicos e painéis solares.
- BCPX39 (Copper Miners ETF): focado em mineradoras de cobre ao redor do mundo, tendo o Canadá (com quase 40% da carteira) e os EUA como principais destaques geográficos. O cobre atua como matéria-prima essencial para a expansão de redes elétricas e modernização da infraestrutura urbana.
A defesa e os dividendos
Para aqueles momentos em que o mercado fica mais volátil e o investidor precisa recuar as linhas para proteger o patrimônio, existem opções da Global X focadas em resiliência e geração de fluxo de caixa.
- TBIL39 (1-3 Month T-Bill ETF): replica os títulos de curtíssimo prazo do Tesouro americano, tendo 100% de ligação com os Estados Unidos. Funciona como aquele zagueiro de confiança: uma alternativa defensiva para manter parte do capital alocado em dólar com baixo risco.
- BSDV39 (SuperDividend ETF): investe em empresas globais pagadoras de altos dividendos, ideal para quem busca construir renda passiva. Além da exposição aos Estados Unidos, o portfólio traz um destaque especial para o mercado brasileiro, que detém cerca de 17% de participação na carteira.
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Sul-americanos em campo
Se a intenção é ir além da América do Norte e buscar o fôlego e a volatilidade dos mercados emergentes do ecossistema do futebol, a Global X também colocou a América do Sul entra em campo.
- ARGT39 (Global X MSCI Argentina ETF): acesso direto à economia da Argentina, a atual campeã do mundo. Uma alternativa de nicho feita para capturar o impulso extra que o consumo esportivo e marcas de vestuário ganham no período. Vale o lembrete tático: por se tratar de um mercado emergente, tende a apresentar maior volatilidade.
- COLO39 (Global X MSCI Colombia ETF): apresenta-se como uma opção de exposição com perfil de risco mais moderado em comparação ao ARGT39, embora continue sujeita às oscilações e variações características desse tipo de economia.
O que o investidor precisa saber
A Copa do Mundo de 2026 trouxe muitas novidades com relação às regras, como o tempo mais curto para a cobrança de tiro de meta e a pausa para a hidratação. Para quem tem interesse nos BDRs e ETFs, vale a pena se atentar a algumas normas.
A primeira delas é que mesmo sendo negociados em reais diretamente na B3, os BDRs de ETFs replicam fundos listados em dólar. Isso significa que o investidor carrega o risco e as oscilações do câmbio na carteira.
Por apresentarem um volume de negociação menor quando comparados aos ETFs originais listados nos EUA, os BDRs na bolsa brasileira podem registrar spreads mais largos entre as ordens de compra e venda.
Além disso, fundos temáticos possuem dinâmicas específicas e tendem a oscilar mais do que os índices tradicionais de mercado. Portanto, funcionam melhor quando integrados de forma equilibrada a uma estratégia de portfólio diversificada de longo prazo.
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