Nem só de gols vive uma Copa do Mundo: Brasil perde na bola e no ‘soft power’; ganhadores surpreendem
Pesquisa revela quais países transformaram o Mundial em uma vitrine de reputação internacional e quais desperdiçaram a oportunidade.

A Copa do Mundo de 2026 terminou com a Espanha campeã dentro de campo, mas os efeitos do torneio vão muito além da conquista da taça.
Na prática, o Mundial também funciona como uma das maiores vitrines de soft power do planeta, conceito popularizado pelo cientista político Joseph Nye para definir a capacidade de um país influenciar o mundo por meio da atração e da persuasão, e não da força e da coerção.
Durante o evento, bilhões de pessoas ao redor do mundo acompanharam partidas, consumiram conteúdos nas redes sociais e entraram em contato com símbolos culturais, artistas, marcas e torcidas das 48 seleções participantes. O impacto do soft power ocorreu nesses momentos de interação.
Noruega lidera o ranking e Cabo Verde surpreende
A Noruega foi a grande vencedora dessa disputa de influência na edição de 2026 da Copa, segundo um levantamento de Simon Chadwick, professor de Economia Geopolítica do Esporte na SKEMA Business School, e Paul Widdop, professor associado em Gestão do Esporte na Manchester Metropolitan University, na publicação GeoSport.
O desempenho esportivo ajudou, mas não foi o único fator. A imagem construída por Erling Haaland dentro e fora de campo, combinando a estética viking, celebrações coletivas e uma postura considerada acessível e simpática, transformou a seleção norueguesa em um fenômeno cultural nas redes sociais. Esse fenômeno reflete justamente como estratégias de soft power influenciam até mesmo as percepções esportivas.
França, Inglaterra e México também aprecem bem posicionadas no ranking.
Leia Também
No entanto, a grande surpresa ficou por conta de Cabo Verde, que protagonizou histórias de superação logo na estreia no Mundial.
A “jornada do herói” da seleção cabo-verdiana começou com a mãe do goleiro Vozinha, que não conseguiu entrar nos Estados Unidos a tempo de ver o filho brilhar na estreia contra a Espanha.
A repercussão internacional do caso mobilizou autoridades e levou o governo americano a flexibilizar o processo para que ela pudesse acompanhar o filho durante o torneio. Neste cenário, o soft power de Cabo Verde também ficou em destaque.
Para além da campanha de solidariedade, o avanço da seleção para além da fase de grupos e o próprio desempenho de Vozinha como um dos jogadores de destaque do campeonato mobilizaram o engajamento do público e colocaram Cabo Verde nos holofotes da mídia global.
Vale notar que, logo em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, Cabo Verde segurou a hoje campeã Espanha e vendeu caro a classificação argentina para as oitavas-de-final, perdendo apenas na prorrogação.
Brasil, Argentina e outros tradicionais decepcionaram
Se alguns países saíram fortalecidos, outros desperdiçaram uma oportunidade rara de melhorar sua imagem internacional. Alguns deles não souberam usar o soft power a seu favor.
A Coreia do Sul, um dos destaques do Mundial do Catar, não conseguiu repetir o impacto após ser eliminada ainda na fase de grupos.
Marrocos também viu diminuir parte do prestígio conquistado em 2022, enquanto Japão e Arábia Saudita tiveram desempenho abaixo das expectativas.
Mas uma das maiores decepções do ranking foi o Brasil, conhecido historicamente por conquistar o respeito global por meio do futebol, elemento essencial em sua construção de soft power.
Mesmo chegando ao torneio com uma nova comissão técnica e uma geração promissora de jogadores, a eliminação nas oitavas-de-final impediu que o país renovasse a imagem internacional ainda fortemente ligada ao passado glorioso do futebol brasileiro.
Outros dois países latino-americanos que saíram enfraquecidos na visão dos professores foram Paraguai e Argentina, envolvidos em polêmicas de racismo.
A performance da seleção albiceleste também ficou desgastada por alegações de suposto favorecimento da arbitragem, algo que prejudica a imagem internacional e pode afetar o soft power argentino.
Estados Unidos e o avanço do "mesopoder"
Já os Estados Unidos foram um caso emblemático à parte sobre o soft power disputado na Copa.
Para além dos resultados em campo, questões ligadas às políticas migratórias, a atuação dos agentes do serviço de imigração (ICE), os altos custos das viagens e a influência política sobre o evento afetaram a imagem do país e a narrativa positiva que se espera dos anfitriões de um evento dessa magnitude. Tais fatores demonstram as nuances do soft power aplicado no contexto esportivo.
Ao mesmo tempo, o país também ofereceu um exemplo de uma forma diferente de exercer influência internacional.
Chadwick e Widdop classificam como mesopoder a atuação baseada em relações pessoais, redes de influência e conexões institucionais, em vez do uso da força ou da atração cultural.
O principal episódio envolveu a intervenção do presidente Donald Trump sobre a expulsão do atacante Folarian Balogun da seleção norte-americana. O presidente americano afirmou ter telefonado ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para que a decisão fosse revista.
A Fifa autorizou o jogador a entrar em campo na partida seguinte, criando polêmicas sobre o envolvimento político acima das regras do futebol e do regulamento da Copa do Mundo.
*Com supervisão de Ricardo Gozzi
QUEM VÊ CLOSE, NÃO VÊ CORRE
Como a Apple deixou a desconfiança para trás e alcançou (de novo) a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado
14 de outubro de 2026 - 17:16PENALIDADE BILIONÁRIA
US$ 1,2 bilhão na conta: multa vira dor de cabeça no balanço deste gigante dos EUA; ações sentem o baque
14 de outubro de 2026 - 14:06RETORNO INCERTO?
Cassino da inteligência artificial? O alerta do presidente da Broadcom que fez tremer as ações de chips
13 de outubro de 2026 - 17:32HUB PARA CASA
E agora, Elon Musk? O lançamento da Apple que faz a ação subir para a terceira maior alta em Nova York
13 de outubro de 2026 - 13:31EM XEQUE
iPhone com os dias contados? Como a Starlink de Elon Musk pode acabar com o império da Apple
12 de outubro de 2026 - 18:45VENCEDORES DA TEMPORADA
Empresas do S&P 500 devem lucrar 31% mais no 3T26 — e esses dois setores devem largar na frente
12 de outubro de 2026 - 16:31BIBLIOTECA BÁSICA
A regra milenar de ‘A Arte da Guerra’ que Warren Buffett usa para evitar derrotas na bolsa
12 de outubro de 2026 - 11:57UM RISCO NEM TÃO ADMINISTRADO ASSIM
O Nobel de Economia que alertou para o risco e viu seu fundo perder 44% em um mês
10 de outubro de 2026 - 7:48A ÚLTIMA PERNADA
S&P 500 pode dar um sprint final até dezembro — mas investidor não deve ignorar uma pedra no caminho
9 de outubro de 2026 - 18:31PEGADINHA NORUEGUESA?
“Achei que fosse brincadeira”: quem é Navi Pillay, a vencedora do Nobel da Paz de 2026
9 de outubro de 2026 - 8:35OUSADIA PREMIADA
Canadense Anne Carson dá sopro de poesia ao Prêmio Nobel de Literatura
8 de outubro de 2026 - 8:49É SÓ O COMEÇO
O melhor está por vir para a TSMC após alta de 55% no ano. Entenda o que a Nvidia e Elon Musk têm a ver com o futuro das ações
7 de outubro de 2026 - 17:05SHERLOCKS DOS AMINOÁCIDOS
Mistério sobre a origem da vida: Nobel de Química premia dupla que resolveu enigma de mais de um século
7 de outubro de 2026 - 10:17ICECUBE
Telescópio instalado na Antártida ajuda a desvendar segredos do universo e rende Nobel a cientista belga
6 de outubro de 2026 - 8:38CONHECENDO MELHOR O CÉREBRO
Nobel de Medicina 2026: o que é a optogenética, técnica premiada que pode ajudar a tratar a cegueira
5 de outubro de 2026 - 13:39PASSADO, PRESENTE, FUTURO
Quem leva o Nobel de Economia em 2026? Índice aponta possíveis nomes ligados à inteligência artificial e Big Data
3 de outubro de 2026 - 7:14NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO
Henry Kissinger, o Nobel da Paz que tentou devolver o prêmio, mas não conseguiu
2 de outubro de 2026 - 15:05SEQUÊNCIA DE ERROS
Peter Handke: o vencedor do Prêmio Nobel que reabriu a pior crise da Academia Sueca
30 de setembro de 2026 - 16:32A MAIOR RECOMPRA DA HISTÓRIA
Jensen Huang coloca US$ 150 bilhões na mesa: por que as ações da Nvidia ficaram irresistíveis para a própria Nvidia
28 de setembro de 2026 - 19:18CONSUMIDOR OU SÓCIO