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VITRINE REPUTACIONAL

Nem só de gols vive uma Copa do Mundo: Brasil perde na bola e no ‘soft power’; ganhadores surpreendem

Pesquisa revela quais países transformaram o Mundial em uma vitrine de reputação internacional e quais desperdiçaram a oportunidade.

Copa do Mundo soft power
Imagem: (Imagem: Rafael Ribeiro / CBF)

A Copa do Mundo de 2026 terminou com a Espanha campeã dentro de campo, mas os efeitos do torneio vão muito além da conquista da taça.

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Na prática, o Mundial também funciona como uma das maiores vitrines de soft power do planeta, conceito popularizado pelo cientista político Joseph Nye para definir a capacidade de um país influenciar o mundo por meio da atração e da persuasão, e não da força e da coerção.

Durante o evento, bilhões de pessoas ao redor do mundo acompanharam partidas, consumiram conteúdos nas redes sociais e entraram em contato com símbolos culturais, artistas, marcas e torcidas das 48 seleções participantes. O impacto do soft power ocorreu nesses momentos de interação.

Noruega lidera o ranking e Cabo Verde surpreende

A Noruega foi a grande vencedora dessa disputa de influência na edição de 2026 da Copa, segundo um levantamento de Simon Chadwick, professor de Economia Geopolítica do Esporte na SKEMA Business School, e Paul Widdop, professor associado em Gestão do Esporte na Manchester Metropolitan University, na publicação GeoSport.

O desempenho esportivo ajudou, mas não foi o único fator. A imagem construída por Erling Haaland dentro e fora de campo, combinando a estética viking, celebrações coletivas e uma postura considerada acessível e simpática, transformou a seleção norueguesa em um fenômeno cultural nas redes sociais. Esse fenômeno reflete justamente como estratégias de soft power influenciam até mesmo as percepções esportivas.

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França, Inglaterra e México também aprecem bem posicionadas no ranking.

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No entanto, a grande surpresa ficou por conta de Cabo Verde, que protagonizou histórias de superação logo na estreia no Mundial.

A “jornada do herói” da seleção cabo-verdiana começou com a mãe do goleiro Vozinha, que não conseguiu entrar nos Estados Unidos a tempo de ver o filho brilhar na estreia contra a Espanha.

A repercussão internacional do caso mobilizou autoridades e levou o governo americano a flexibilizar o processo para que ela pudesse acompanhar o filho durante o torneio. Neste cenário, o soft power de Cabo Verde também ficou em destaque.

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Para além da campanha de solidariedade, o avanço da seleção para além da fase de grupos e o próprio desempenho de Vozinha como um dos jogadores de destaque do campeonato mobilizaram o engajamento do público e colocaram Cabo Verde nos holofotes da mídia global.

Vale notar que, logo em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, Cabo Verde segurou a hoje campeã Espanha e vendeu caro a classificação argentina para as oitavas-de-final, perdendo apenas na prorrogação.

Brasil, Argentina e outros tradicionais decepcionaram

Se alguns países saíram fortalecidos, outros desperdiçaram uma oportunidade rara de melhorar sua imagem internacional. Alguns deles não souberam usar o soft power a seu favor.

A Coreia do Sul, um dos destaques do Mundial do Catar, não conseguiu repetir o impacto após ser eliminada ainda na fase de grupos.

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Marrocos também viu diminuir parte do prestígio conquistado em 2022, enquanto Japão e Arábia Saudita tiveram desempenho abaixo das expectativas.

Mas uma das maiores decepções do ranking foi o Brasil, conhecido historicamente por conquistar o respeito global por meio do futebol, elemento essencial em sua construção de soft power.

Mesmo chegando ao torneio com uma nova comissão técnica e uma geração promissora de jogadores, a eliminação nas oitavas-de-final impediu que o país renovasse a imagem internacional ainda fortemente ligada ao passado glorioso do futebol brasileiro.

Outros dois países latino-americanos que saíram enfraquecidos na visão dos professores foram Paraguai e Argentina, envolvidos em polêmicas de racismo.

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A performance da seleção albiceleste também ficou desgastada por alegações de suposto favorecimento da arbitragem, algo que prejudica a imagem internacional e pode afetar o soft power argentino.

Estados Unidos e o avanço do "mesopoder"

Já os Estados Unidos foram um caso emblemático à parte sobre o soft power disputado na Copa.

Para além dos resultados em campo, questões ligadas às políticas migratórias, a atuação dos agentes do serviço de imigração (ICE), os altos custos das viagens e a influência política sobre o evento afetaram a imagem do país e a narrativa positiva que se espera dos anfitriões de um evento dessa magnitude. Tais fatores demonstram as nuances do soft power aplicado no contexto esportivo.

Ao mesmo tempo, o país também ofereceu um exemplo de uma forma diferente de exercer influência internacional.

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Chadwick e Widdop classificam como mesopoder a atuação baseada em relações pessoais, redes de influência e conexões institucionais, em vez do uso da força ou da atração cultural.

O principal episódio envolveu a intervenção do presidente Donald Trump sobre a expulsão do atacante Folarian Balogun da seleção norte-americana. O presidente americano afirmou ter telefonado ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para que a decisão fosse revista.

A Fifa autorizou o jogador a entrar em campo na partida seguinte, criando polêmicas sobre o envolvimento político acima das regras do futebol e do regulamento da Copa do Mundo.

*Com supervisão de Ricardo Gozzi

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