O drible de Messi nos investimentos: Argentina passa Brasil e México e vira a favorita dos gestores
No campo das finanças, o favoritismo histórico não garante vitória. A Argentina, partindo de uma base muito depreciada e com expectativas limpas, transformou-se no ativo tático predileto dos gestores que buscam surpresas positivas na região, segundo o BofA.

Para o torcedor brasileiro, engolir a superioridade do futebol da Argentina já é um teste de paciência. Ver os nossos vizinhos darem um baile financeiro e assumirem o favoritismo dos grandes fundos de investimento é para fazer qualquer um pedir tempo técnico.
Segundo o Bank of America, enquanto Brasil e México decepcionam e vão para o banco de reservas, a Argentina consolidou uma virada surpreendente na preferência dos grandes alocadores de recursos.
A pesquisa de julho — que ouviu 31 gestores de recursos responsáveis por US$ 90 bilhões em ativos na América Latina — acendeu a luz vermelha para as duas maiores economias da nossa região.
O descontentamento do mercado é tamanho que quase 30% dos participantes agora acreditam que nem o Brasil e nem o México terão o melhor desempenho (outperform) na América Latina nos próximos seis meses.
Para se ter uma ideia do tamanho do tombo, em junho, apenas 6% dos gestores compartilhavam desse pessimismo.
O drible da Argentina
Enquanto os gigantes regionais patinam em problemas de esquema tático macroeconômico, a Argentina manteve a jogada de ataque. De acordo com o relatório do BofA, os investidores permanecem firmemente construtivos em relação ao país vizinho.
Leia Também
Como a Apple deixou a desconfiança para trás e alcançou (de novo) a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado
Cerca de 45% dos gestores entrevistados acreditam em uma melhora contínua nos preços dos ativos argentinos ao longo dos próximos seis meses.
Outros 45% mantêm uma postura neutra e apenas 10% têm uma perspectiva negativa para o país.
Embora o cenário de neutralidade ainda seja expressivo e exija cautela, afinal, a Argentina ainda passa por profundas reformas, o pessimismo é quase inexistente quando comparado ao desgaste dos rivais.
México: de anfitrião a barrado no baile
O México, que deveria brilhar como um dos países-sede da Copa de 2026, foi eliminado tanto no torneio como no mercado financeiro.
O percentual de gestores que apostavam no país asteca como o grande destaque da América Latina caiu de 26% em junho para míseros 8% em julho.
O México foi severamente afetado pelas projeções de atividade econômica fraca. A maioria dos gestores espera que o Produto Interno Bruto (PIB) real cresça 1% em 2026.
Além disso, o Banxico (o Banco Central deles) não deve dar refresco: a maioria dos investidores não espera nenhum corte de juros, mantendo a taxa básica em 6,50% ou acima disso.
Para piorar, o México é o país mais exposto a riscos externos como a desaceleração da economia norte-americana, juros altos nos EUA e barreiras tarifárias.
‘Diversificação é estrutural’: por que você está perdendo dinheiro investindo apenas no Brasil
Brasil na retranca
O Brasil ainda segura uma preferência de 48% dos gestores para superação de desempenho na região, uma leve queda frente aos 52% de junho, mas joga um futebol burocrático, lento e na defensiva.
O otimismo restante é puramente técnico: quase metade dos entrevistados projeta o Ibovespa acima dos 180 mil pontos até o final de 2026.
No entanto, o motor desse crescimento corporativo está engasgado por uma questão física (e fiscal). Quase nenhum gestor espera revisões para cima nos lucros das empresas domésticas em 2026, enquanto 48% projetam revisões para baixo.
E o grande vilão que está expulsando o lucro das empresas de campo atende pelo nome de Selic.
A taxa básica de juros brasileira continua jogando na retranca. Embora a maioria dos investidores espere algum alívio — com 77% prevendo pelo menos um corte de 25 pontos-base (pb) este ano e 54% aguardando pelo menos dois cortes —, o progresso é lento.
O próprio BofA projeta apenas um corte adicional de 25 pb em agosto e estima a Selic terminando 2026 no patamar de 14%.
Para que o Banco Central possa ousar mais no ataque e cortar os juros de forma agressiva, o mercado aponta que os principais gatilhos seriam a queda das expectativas de inflação, mencionada por 65% dos gestores; a melhora no cenário político, citada por 42%; e avanço na perspectiva fiscal, citado por 30%.
Com esse cenário travado, a maioria dos gestores projeta um PIB real magro para o Brasil em 2026, entre 1% e 2%, e um câmbio estacionado entre R$ 5,11 e R$ R$ 5,40 por dólar no fim do período.
Além da Argentina: os perigos fora de campo
Se não bastassem as dores de cabeça locais, os mercados emergentes ainda precisam lidar com a arbitragem dura do cenário global.
Para os gestores latino-americanos, os maiores riscos de cauda externos para a região são: taxas de juros mais altas nos EUA, apontadas por 52% dos participantes (contra 40% em junho), e um dólar globalmente mais forte, citado por 26%.
Diante disso, os gestores preferiram reforçar a defesa: o índice de apetite ao risco líquido despencou para -26% e as posições de caixa médias recuaram de forma discreta para 5,9%, mantendo-se ligeiramente acima da média histórica.
Na hora de escolher ações, o mercado prefere jogar pelo empate, priorizando setores defensivos e de alta qualidade, com posições sobreponderadas em financeiros (bancos) e prestadoras de serviço (utilities), enquanto fogem de consumo discricionário e materiais básicos.
VENCEDORES DA TEMPORADA
Empresas do S&P 500 devem lucrar 31% mais no 3T26 — e esses dois setores devem largar na frente
12 de outubro de 2026 - 16:31BIBLIOTECA BÁSICA
A regra milenar de ‘A Arte da Guerra’ que Warren Buffett usa para evitar derrotas na bolsa
12 de outubro de 2026 - 11:57UM RISCO NEM TÃO ADMINISTRADO ASSIM
O Nobel de Economia que alertou para o risco e viu seu fundo perder 44% em um mês
10 de outubro de 2026 - 7:48A ÚLTIMA PERNADA
S&P 500 pode dar um sprint final até dezembro — mas investidor não deve ignorar uma pedra no caminho
9 de outubro de 2026 - 18:31PEGADINHA NORUEGUESA?
“Achei que fosse brincadeira”: quem é Navi Pillay, a vencedora do Nobel da Paz de 2026
9 de outubro de 2026 - 8:35OUSADIA PREMIADA
Canadense Anne Carson dá sopro de poesia ao Prêmio Nobel de Literatura
8 de outubro de 2026 - 8:49É SÓ O COMEÇO
O melhor está por vir para a TSMC após alta de 55% no ano. Entenda o que a Nvidia e Elon Musk têm a ver com o futuro das ações
7 de outubro de 2026 - 17:05SHERLOCKS DOS AMINOÁCIDOS
Mistério sobre a origem da vida: Nobel de Química premia dupla que resolveu enigma de mais de um século
7 de outubro de 2026 - 10:17ICECUBE
Telescópio instalado na Antártida ajuda a desvendar segredos do universo e rende Nobel a cientista belga
6 de outubro de 2026 - 8:38CONHECENDO MELHOR O CÉREBRO
Nobel de Medicina 2026: o que é a optogenética, técnica premiada que pode ajudar a tratar a cegueira
5 de outubro de 2026 - 13:39PASSADO, PRESENTE, FUTURO
Quem leva o Nobel de Economia em 2026? Índice aponta possíveis nomes ligados à inteligência artificial e Big Data
3 de outubro de 2026 - 7:14NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO
Henry Kissinger, o Nobel da Paz que tentou devolver o prêmio, mas não conseguiu
2 de outubro de 2026 - 15:05SEQUÊNCIA DE ERROS
Peter Handke: o vencedor do Prêmio Nobel que reabriu a pior crise da Academia Sueca
30 de setembro de 2026 - 16:32A MAIOR RECOMPRA DA HISTÓRIA
Jensen Huang coloca US$ 150 bilhões na mesa: por que as ações da Nvidia ficaram irresistíveis para a própria Nvidia
28 de setembro de 2026 - 19:18CONSUMIDOR OU SÓCIO
De R$ 96 mil a R$ 2,3 milhões: o que aconteceria se você tivesse trocado cada iPhone por ações da Apple
28 de setembro de 2026 - 14:30VISÃO DO GESTOR
Luis Stuhlberger está fazendo seguro em dólar e você também deveria; entenda
27 de setembro de 2026 - 11:00UM FENÔMENO, EFEITOS DIFERENTES
O Brasil no olho do furacão: o efeito do super El Niño em cada país da América Latina — e como afeta seus investimentos
25 de setembro de 2026 - 19:30ADIARAM A BRIGA?
Amigos, amigos, negócios à parte: o que Trump e Xi acertaram (e o que ficou na gaveta) no 2º dia dos encontros
25 de setembro de 2026 - 17:27DIVERSIFICAÇÃO INTERNACIONAL
S&P 500 pode subir mais 15% mesmo com alta dos juros nos EUA; XP recomenda investir na bolsa norte-americana
25 de setembro de 2026 - 15:42TRÉGUA COM SORRISO AMARELO