Uma ode à tradição? Analista recomenda ação de ‘bancão’ para comprar no lugar de ativo ligado às criptomoedas; entenda
Carteira de ações internacionais (BDRs) da Empiricus traz tese por trás de um banco com 122 anos de história, no lugar de uma empresa que pode representar, para alguns, a revolução do sistema financeiro

A Nasdaq e a NYSE, bolsas de valores dos Estados Unidos, são lar das principais e mais valiosas teses de investimento do mundo. Muitas delas estão na vanguarda da tecnologia, como as big techs, hoje focadas em inteligência artificial (IA), ou do sistema financeiro, como a Coinbase, primeira corretora de criptoativos a ser listada em bolsa no país.
As teses de tecnologia, no geral, são a força motriz que carregou o índice S&P 500 às suas máximas históricas nos últimos 2 anos, mesmo em períodos de aversão ao risco e um clima não tão favorável na economia global.
Com tantas ações que representam aquilo que é de mais moderno, pode parecer curioso que, diante do poder de escolha, um investidor faça uma troca e opte por comprar ações de uma instituição financeira “das antigas” enquanto realiza sua posição no papel de um setor que representa, para muitos, o futuro do dinheiro global.
Mas foi isso que a Empiricus Research propôs, desde a última segunda-feira (13), para sua carteira de Ações Internacionais (BDRs): a saída das ações da Coinbase (B3: C2OI34) para dar lugar às ações do Bank of America (B3: BOAC34), um dos bancos mais antigos e tradicionais dos Estados Unidos.
Por que comprar ações do Bank of America (BOAC34) agora? Conheça tese
Há 122 anos na indústria (desde 1904), o Bank of America (comumente abreviado como BofA) oferece uma ampla gama de serviços financeiros tanto para clientes pessoa física quanto empresas:
- Consumer Banking: voltado para pessoas físicas e pequenas empresas (conta corrente, poupança, cartões de crédito, empréstimos);
- Global Wealth and Investment Management: gestão de patrimônio, planejamento financeiro e de investimentos para clientes de altíssima renda;
- Global Banking: banco de investimento (M&A, mercado de capitais, emissões de dívida) e soluções globais de tesouraria para grandes empresas;
- Global Markets: voltada para investidores institucionais, englobando operações de negociação de ações, renda fixa e moedas.
O analista responsável pela carteira Ações Internacionais na Empiricus, Matheus Spiess, explicou, em relatório especial, os três pilares que sustentam a tese de investimento no banco.
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1. ‘Herança’ da pandemia: vencimentos de títulos de renda fixa com juros baixos
Durante a pandemia de covid-19, entre 2020 e o início de 2022, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) definiu taxas de juros muito próximas a zero, como forma de estimular a economia norte-americana em um período de paralização generalizada.
Os títulos de renda fixa negociados naquela época praticavam essas taxas baixas e, consequentemente, têm entregado menos resultado ao banco enquanto ainda não vencem, mas os juros já estão em patamares maiores.
“À medida em que esses ativos de menor rendimento vencem e são substituídos por investimentos com taxas mais elevadas, a tendência é de melhora na margem financeira e maior contribuição para os resultados do banco”, afirma o analista.
2. Crescimento da frente de Wealth Management
“A expansão dessa área, impulsionada pela demanda por serviços de gestão patrimonial e investimentos, tende a aumentar a diversificação do modelo de negócios da companhia e reduzir a dependência de atividades mais sensíveis ao ciclo econômico”, afirma.
3. Testes de estresse do Fed
Anualmente, o Federal Reserverealiza os chamados testes de estresse, avaliando a capacidade dos bancos americanos de absorver perdas em cenários econômicos adversos. “O exercício simula crises severas para verificar se as instituições possuem capital suficiente para continuar operando”, comenta Spiess.
Segundo o analista, o BofA foi aprovado em seu último teste, o que reforça a solidez da instituição e, principalmente, pode abrir espaço para uma maior distribuição de capital aos acionistas, por meio de dividendos ou recompra de ações.
Bônus: ações a preços atrativos em tempos de valuations esticados
“Outro ponto que vem chamando a atenção é o fato de o banco continuar sendo negociado a múltiplos inferiores aos de seus pares, mesmo com a melhora na rentabilidade da carteira de crédito”, afirma Spiess.
No momento, o BofA é negociado a 1,5 vezes seu valor patrimonial, frente à média de aproximadamente 2,2 vezes vista em seus concorrentes. Segundo o analista, isso significa um desconto nas ações, enquanto o mercado ainda precifica os impactos da pandemia nos resultados do banco – voltando ao assunto dos títulos emitidos naquela época.
Por que colocar Bank of America no lugar da Coinbase, especificamente?
Enquanto a tese de BofA traz pontos de alto potencial enfatizados pelo analista, o mercado de criptomoedas, por outro lado, é um dos setores que mais sofreu com a aversão ao risco generalizada nos últimos meses. Muito por conta dos juros elevados nos EUA e, principalmente, do conflito no Oriente Médio, que segue sem definição.
A Coinbase, de quebra, acabou presa no “fogo cruzado”.
“Apesar do desenvolvimento de novos produtos que reduzem a dependência da comercialização de criptomoedas, esse segmento ainda representa a maior parcela do faturamento da Coinbase. Diante desse contexto, entendemos que existem ativos com uma relação entre risco e retorno mais atrativa no cenário atual. O Bank of America, por exemplo”.
O analista também enfatiza a importância de optar por ações de empresas “capazes de converter crescimento estrutural em retorno econômico visível”. Nesse ponto, vale ressaltar que esse é, justamente, uma das maiores preocupações em torno de teses mais ligadas à tecnologia.
Entre investidores, cresce cada vez mais a discussão em torno da captação de recursos das empresas de IA, que tem se convertido quase exclusivamente em capex, mas sem previsões exatas de quando os retornos desses investimentos virão de forma mais concreta.
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