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Para qualquer investidor, a expressão costuma acionar um gatilho de ansiedade, mas aqui a história é diferente; entenda o que Andy Burnham quis dizer com isso

Se você perdeu a conta da rotatividade no comando britânico, a gente atualiza: o Reino Unido acaba de empossar o sétimo primeiro-ministro desde o Brexit, em 2016. Andy Burnham assumiu oficialmente o número 10 da Downing Street no lugar de Keir Starmer, e o mercado financeiro reagiu à troca de guarda e à incerteza fiscal: disparando o sinal de alerta.
A libra esterlina ampliou a queda em relação ao dólar, caindo para US$ 1,3426, enquanto os yields (rendimentos) dos títulos da dívida pública britânica — os chamados Gilts de 10 anos — subiram para 5,277%.
O movimento de estresse nos ativos reflete a debandada no alto escalão do governo, marcada pela renúncia da ministra das Finanças, Rachel Reeves, e do vice-primeiro-ministro, David Lammy, além das declarações do novo premiê sobre os rumos das contas públicas.
Em seu primeiro discurso como premiê, Andy Burnham prometeu que a sua chegada ao poder será um verdadeiro circuit breaker para o Reino Unido, prometendo restaurar a esperança da população e transformar o modelo econômico do país.
Para qualquer investidor, ouvir a expressão circuit breaker costuma acionar um gatilho de ansiedade — afinal, no mercado, o mecanismo serve para interromper o pregão em momentos de pânico e queda livre nas bolsas. Mas não há motivo para alarde catastrofista: a referência aqui fica só pelo jargão.
A intenção do premiê passa longe de desligar as tomadas da economia britânica. Trata-se apenas da promessa de dar um reset no marasmo dos últimos anos e reiniciar o motor do país com um plano de dez anos.
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Apesar dos ruídos que assustaram a City londrina, Burnham tentou acalmar os ânimos ao afirmar que manterá a responsabilidade com a economia.
"Vamos cumprir as regras existentes. Nada disso significa assumir riscos com a economia", afirmou o premiê, destacando que sempre adotou uma postura prudente.
No entanto, o ponto que deixou os analistas com o pé atrás foi a intenção declarada de explorar "qualquer flexibilidade" permitida dentro das regras fiscais vigentes no Reino Unido.
Burnham não descartou ampliar o endividamento para financiar investimentos em infraestrutura e medidas de curto prazo.
Entre as prioridades anunciadas pelo novo governo para combater a crise do custo de vida estão:
Propostas para cortar tarifas de ônibus e contas de energia, além do estudo de medidas mais profundas, como o congelamento de aluguéis no setor privado.
Estudo para elevar o limite de isenção do imposto de renda (atualmente congelado em 12.570 libras), embora o próprio premiê reconheça que a mudança traz consequências fiscais significativas.
A possibilidade de retomada da alíquota máxima de 50 pence para os mais ricos, afirmando ser "prematuro" definir a questão antes do Orçamento.
Com a saída de nomes fortes como Rachel Reeves — que defendia o legado de austeridade e estabilidade da gestão anterior —, o mercado agora aguarda a nomeação do novo gabinete econômico.
Os investidores querem ver se a flexibilidade de Burnham caberá no bolso do Reino Unido sem pressionar ainda mais a inflação e os juros.
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