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Símbolo brasileiro, o vira-lata caramelo ganha destaque na mídia e se torna alvo de disputa cultural com o México

O orgulho de ser brasileiro costuma reemergir a cada quatro anos, tanto pelo fato de a seleção brasileira ser a única pentacampeã do mundo, quanto pela ideia recorrente de que o Brasil ainda é o “país do futebol” e que, mais cedo ou mais tarde, vai chegar ao hexa. Não é diferente na Copa do Mundo de 2026.
Mas o futebol está longe de ser a única coisa que une os brasileiros. Não se pode esquecer do vira-lata caramelo. Vagando pelas ruas de todo o Brasil na casa dos milhões, o cachorro sem raça definida representaria algo que o país possui de tão único: miscigenação e adaptabilidade.
No entanto, a exclusividade desse símbolo nacional está sendo contestada pelo México — outro país latino-americano que também possui uma população expressiva de cães de pelagem castanha.
Em abril deste ano, a Procuradoria de Proteção Ambiental do Estado do México declarou o ‘perro caramelo’ um tesouro mexicano e o categorizou como uma raça nativa, assim como a dos cães Chihuahua.
A atitude mexicana deixou muitos brasileiros inconformados, com o sentimento de que estavam tendo algo “roubado”, até porque o Brasil foi pioneiro na transformação do simpático cãozinho em ícone da cultura popular.
O vira-lata caramelo está presente em todo o Brasil. Mas, agora, ele tem também aparecido na mídia, como em músicas e produções da Netflix, e até na economia, homenageado na criptomoeda brasileira Caramelo Token.
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O movimento mostra que os cães antes rejeitados e maltratados por serem “de rua” e sem raça definida agora são reconhecidos e valorizados como elementos importantes do cotidiano e da cultura dos brasileiros.
Isso foi tão expressivo ao ponto de, em 2026, o estado de São Paulo aprovar uma lei que reconhece o vira-lata caramelo como uma expressão cultural estadual. E foi justamente essa visibilidade dada ao animal que inspirou o Estado do México, próximo à capital do país, a categorizá-lo como uma raça nativa.
A agência estadual mexicana, em seu anúncio, afirmou que a designação visava a combater o estigma em torno dos caramelos — igualmente comuns no país, devido a fatores históricos e clima semelhantes aos do Brasil.
Há ainda quem diga que o caramelo não precisa pertencer a uma única nação, mas sim a toda a América Latina. Trata-se de um vira-lata comum a toda a região. No entanto, essa certamente não é a opinião de muitos brasileiros.
O caramelo se destaca por sua simpatia única, conquistando qualquer um pelo seu afeto e temperamento calmo. Ainda, por mais que não possua uma raça definida, há questionamentos sobre como se formou o padrão canino conhecido.
E essa dúvida tem resposta: de acordo com um estudo genético divulgado pela DNA Pets em 2025, esses cães são resultado da mistura de quase 300 raças da Europa, da Ásia e das Américas, as quais, segundo especialistas, teriam sido trazidas por colonos portugueses e imigrantes.
Então, o que conhecemos hoje como “caramelo” foi formado por meio de múltiplos cruzamentos, ao longo dos anos, entre cães urbanos e rurais, levados às cidades por trabalhadores do campo durante a industrialização e o êxodo rural.
Como resultado, a variabilidade genética decorrente desse processo lhes conferiu a vantagem de serem mais resistentes e de se adaptarem a diferentes ambientes — e é isso é o que faz com que o “rosto” canino do Brasil agora seja disputado pelo México.
*Com informações do New York Times.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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