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QUEM FAZ E QUEM TOMA GOL

Copa do Mundo 2026: os setores e as empresas que ganham e perdem dinheiro com o maior evento esportivo do planeta

Goldman Sachs analisou o impacto econômico do torneio e chegou a uma conclusão que pode surpreender: para os países-sede, o benefício é menor do que parece

Ingresso Copa do Mundo 2026
Ingresso Copa do Mundo 2026 - Imagem: Divulgação FIFA

O Brasil ainda nem entrou em campo e a Copa do Mundo já está movimentando bilhões. Mas será que todo mundo lucra com o torneio? Um relatório do Goldman Sachs publicado nesta semana analisou a fundo o impacto econômico do evento — e a resposta é: depende muito de quem você é. 

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Antes de falar em dinheiro, vale entender a dimensão do que está em jogo. A Copa é, segundo o Goldman, “o maior evento esportivo do mundo, maior do que as Olimpíadas, o Super Bowl e a Copa do Mundo de Críquete”.  

Na edição de 2022, no Qatar, cerca de 5 bilhões de pessoas assistiram a pelo menos parte do torneio. Para a final entre Argentina e França, foram 1,5 bilhão de espectadores. 

A edição de 2026, que começa em 11 de junho e vai até 19 de julho, promete ser ainda maior: 48 seleções (eram 32), 104 jogos (eram 64) e capacidade total nos estádios de 7,2 milhões de pessoas (eram 3,4 milhões). Os Estados Unidos sediam 78 partidas; México e Canadá, 13 cada. 

Quem ganha com a Copa 

Se para os países o lucro é incerto, para as empresas o cenário é bem mais animador. Os analistas do Goldman Sachs identificaram os setores que devem se beneficiar diretamente do torneio. 

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No topo da lista estão fabricantes de bebidas, vestuário esportivo, redes de hotéis e companhias aéreas.  

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O banco cita especificamente empresas como Adidas, Puma, Nike, Heineken, além de grandes redes hoteleiras norte-americanas.  

O raciocínio é direto: mais jogos, mais torcedores viajando, mais cerveja sendo vendida, mais camisetas sendo compradas. 

O evento “terá implicações financeiras importantes para empresas de uma ampla gama de setores, incluindo vestuário esportivo, hotelaria e bebidas”, dizem os analistas Kevin Daly e Mambuna Njie.

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Quem ganha menos do que imagina: os países-sede 

Aqui vem a parte que pode surpreender. Apesar de todo o barulho, sediar a Copa do Mundo não garante um impacto econômico expressivo para o país-sede — e os dados históricos comprovam isso. 

O Goldman analisou o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) dos países-sede em todas as Copas desde 1982, comparando com uma amostra de 50 economias desenvolvidas e emergentes.  

A conclusão foi direta: “há um efeito marginalmente positivo, mas não estatisticamente significativo, sobre o PIB real do país-sede durante o ano em que a Copa acontece, e o efeito de longo prazo é efetivamente zero.” 

Por que isso acontece? O relatório aponta quatro razões principais: 

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1. A maior parte do dinheiro fica fora do país 

“A grande maioria das mais de 5 bilhões de pessoas que se espera assistir a parte da Copa vai fazê-lo sem jamais pisar nos EUA, México ou Canadá”, diz a dupla de analistas.   

Mais cerveja será comprada e mais publicidade será vendida por causa da Copa — mas o banco lembra que a maior parte dessas compras não acontece nos países-sede. 

2. Gasto novo ou gasto desviado 

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Boa parte do dinheiro que entra na economia local pode ser simplesmente dinheiro que já seria gasto de outra forma. 

Pior: a Copa pode até espantar turistas comuns, que evitam as cidades-sede pelo congestionamento e pelos preços elevados. 

3. O efeito não dura 

Mesmo quando existe um ganho no curto prazo, “esses ganhos podem desaparecer no longo prazo, à medida que os padrões de consumo voltam aos níveis anteriores à Copa”, lembram os analistas.  

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4. O tamanho da economia importa 

Em 2026, os três países-sede juntos respondem por cerca de 30% do PIB mundial. Isso significa que o impacto do evento, mesmo que relevante em termos absolutos, é diluído em uma economia gigante.  

Para comparar: o Qatar representava apenas 0,2% do PIB global quando sediou o torneio. 

Até a estimativa otimista da própria Fifa — de que a Copa vai injetar US$ 17,2 bilhões na economia norte-americana — equivale a apenas 0,2% do PIB trimestral dos EUA. 

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 Pesquisas acadêmicas, segundo o Goldman, “geralmente concluem que as vantagens econômicas são modestas e ficam bem abaixo das estimativas otimistas frequentemente promovidas pelos organizadores dos eventos.” 

O mercado mudou e poucos perceberam onde investir em junho  

Quem ganha de verdade 

Se sediar a Copa traz pouco retorno macroeconômico, ganhar o torneio é outra história — pelo menos no curto prazo. 

O Goldman encontrou “evidências ligeiramente mais fortes de um aumento de curto prazo no PIB para a nação vencedora.” 

E o mercado financeiro também reage: em média, a bolsa do país campeão “superou o mercado global em 3,5% no primeiro mês” após o título.  

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O problema é que “o desempenho superior desaparece significativamente após três meses” — ou seja, é uma festa rápida, segundo o banco.  

O valor que nenhum dado captura 

Há, porém, uma dimensão que os números não conseguem medir: o prazer de torcer, sofrer e celebrar junto. 

O Goldman reconhece que focar apenas nos benefícios econômicos estreitos “corre o risco de perder o valor mais amplo” do evento.  

O banco cita pesquisas que mostram que torcedores estariam dispostos a pagar valores significativos pela chance de ver seu país vencer a Copa — e que essa “disposição a pagar” por orgulho nacional e felicidade é “grande e significativa.” 

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Um estudo realizado durante a Copa de 2014 mostrou que alemães estavam dispostos a pagar, em média, 23 euros cada um se a Alemanha se tornasse campeã mundial. E quanto mais a Alemanha avançava no torneio, maior ficava o valor que as pessoas estavam dispostas a desembolsar. 

Para as empresas de bebidas, roupas esportivas, hotéis e aviação, a Copa é um ótimo negócio. Para os países-sede, o impacto econômico existe, mas é pequeno e passageiro. Para o campeão, há uma euforia real — mas que também dura pouco.  

E para o torcedor? O Goldman Sachs, com uma pitada de humor, encerra o relatório lembrando uma frase famosa do técnico Bill Shankly: “Algumas pessoas acham que o futebol é uma questão de vida ou morte. Garanto que é muito mais sério do que isso.” 

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