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Paul Krugman vê repetição de estratégia que já fracassou anteriormente, chama justificativa de mentirosa e alerta para impacto nas exportações brasileiras

O Nobel de Economia Paul Krugman afirmou que a nova rodada de tarifas anunciada pelo governo Donald Trump repete uma estratégia que, em sua avaliação, tem poucas chances de sobreviver ao escrutínio judicial.
"Lá vamos nós de novo, com outra rodada de tarifas que provavelmente será considerada ilegal daqui a alguns meses", escreveu em artigo publicado nesta quinta-feira (4).
Segundo Krugman, a Casa Branca tem recorrido a interpretações amplas de leis comerciais para impor sobretaxas sem aprovação do Congresso. Ele lembra que parte das tarifas anteriores já foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA e argumenta que a administração busca sucessivas justificativas legais para manter a política.
A crítica foi publicada após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciar uma nova investigação contra vários parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Japão e Brasil. Washington sustenta que esses países falham em "impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado".
Para Krugman, a justificativa é insustentável. "Todos entendem que a suposta justificativa para essas tarifas é uma mentira", afirma.
Ele acrescenta que não há motivo para acreditar que a UE ou outros parceiros sejam menos rigorosos do que os EUA no combate ao trabalho forçado e classifica a medida como "uma justificativa claramente falsa" para continuar desrespeitando tanto a legislação americana quanto acordos internacionais.
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O Brasil está entre os mais afetados pela nova proposta. O USTR enquadrou os produtos brasileiros na faixa mais alta da sobretaxa, de 12,5%, dia depois de recomendar uma tarifa adicional de 25% sobre exportações nacionais por supostas práticas comerciais "irracionais".
Segundo a Amcham Brasil, algumas mercadorias poderão enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5%.
Krugman também argumenta que as tarifas fracassaram em seus objetivos declarados, como revitalizar a indústria americana. Além disso, observa que as medidas são amplamente impopulares. Citando pesquisa Harris Poll, destaca que 64% dos republicanos, 67% dos independentes e 77% dos democratas acreditam que as tarifas elevaram os preços pagos pelos consumidores.
Ainda assim, Krugman avalia que Trump dificilmente abandonará a política tarifária, pois isso "equivaleria a admitir fracasso", escreveu. Em seguida, ironizou a possibilidade de uma mudança de rumo: "E, se você acredita que ele fará isso, talvez também acredite em uma vitória rápida e fácil sobre o Irã."
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