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'LÁ VAMOS NÓS DE NOVO'

Nobel de economia vê ‘ilegalidade provável’ em novas tarifas de Trump e espera ação da Justiça

Paul Krugman vê repetição de estratégia que já fracassou anteriormente, chama justificativa de mentirosa e alerta para impacto nas exportações brasileiras

Paul Krugman no Salão Oval da Casa Branca em 14 de agosto de 2023 - Imagem: Casa Branca via Wikimedia Commons

O Nobel de Economia Paul Krugman afirmou que a nova rodada de tarifas anunciada pelo governo Donald Trump repete uma estratégia que, em sua avaliação, tem poucas chances de sobreviver ao escrutínio judicial.

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"Lá vamos nós de novo, com outra rodada de tarifas que provavelmente será considerada ilegal daqui a alguns meses", escreveu em artigo publicado nesta quinta-feira (4).

Segundo Krugman, a Casa Branca tem recorrido a interpretações amplas de leis comerciais para impor sobretaxas sem aprovação do Congresso. Ele lembra que parte das tarifas anteriores já foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA e argumenta que a administração busca sucessivas justificativas legais para manter a política.

A crítica foi publicada após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciar uma nova investigação contra vários parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Japão e Brasil. Washington sustenta que esses países falham em "impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado".

Para Krugman, a justificativa é insustentável. "Todos entendem que a suposta justificativa para essas tarifas é uma mentira", afirma.

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Ele acrescenta que não há motivo para acreditar que a UE ou outros parceiros sejam menos rigorosos do que os EUA no combate ao trabalho forçado e classifica a medida como "uma justificativa claramente falsa" para continuar desrespeitando tanto a legislação americana quanto acordos internacionais.

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O Brasil está entre os mais afetados pela nova proposta. O USTR enquadrou os produtos brasileiros na faixa mais alta da sobretaxa, de 12,5%, dia depois de recomendar uma tarifa adicional de 25% sobre exportações nacionais por supostas práticas comerciais "irracionais".

Segundo a Amcham Brasil, algumas mercadorias poderão enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5%.

Krugman também argumenta que as tarifas fracassaram em seus objetivos declarados, como revitalizar a indústria americana. Além disso, observa que as medidas são amplamente impopulares. Citando pesquisa Harris Poll, destaca que 64% dos republicanos, 67% dos independentes e 77% dos democratas acreditam que as tarifas elevaram os preços pagos pelos consumidores.

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Ainda assim, Krugman avalia que Trump dificilmente abandonará a política tarifária, pois isso "equivaleria a admitir fracasso", escreveu. Em seguida, ironizou a possibilidade de uma mudança de rumo: "E, se você acredita que ele fará isso, talvez também acredite em uma vitória rápida e fácil sobre o Irã."

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