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Isabelle Miranda

Isabelle Miranda

Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.

SEM LASTRO NEM RASTRO

Governo apreende R$ 64 milhões da ‘rainha cripto’ — e ela continua desaparecida, ninguém sabe se viva ou morta

Pequena parte do dinheiro reaparece quase dez anos depois, mas a mulher por trás do maior golpe de cripto continua desaparecida 

Isabelle Miranda
Isabelle Miranda
22 de janeiro de 2026
10:37 - atualizado às 11:04
Cripto/OneCoin/Ruja Ignatova
OneCoin/Ruja Ignatova -

O dinheiro apareceu. A protagonista, ainda não. Autoridades do Reino Unido acabaram de anunciar a apreensão de cerca de 9 milhões de libras. O montante equivale a cerca de R$ 64 milhões e está relacionado ao esquema da OneCoin, uma das maiores fraudes financeiras do século 21. 

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Na verdade, trata-se de uma pequena fração do dinheiro desaparecido. Estima-se que o esquema tenha sumido com mais de US$ 4 bilhões. No entanto, a apreensão foi suficiente para trazer o caso de volta aos holofotes. 

Apontada como líder da fraude, a búlgara Ruja Ignatova continua desaparecida — e ninguém sabe ao certo se ela está viva ou morta. Apelidada de “rainha das criptomoedas”, Ruja fez fortuna vendendo ao mundo a promessa de um novo bitcoin. O problema é que a moeda nunca existiu. 

Onde estavam os R$ 64 milhões da rainha das criptomoedas

A apreensão de cerca de R$ 64 milhões ligados ao esquema da OneCoin não surgiu do nada, ela é resultado de anos de rastreamento financeiro internacional sobre ativos que continuaram se movendo mesmo após o desaparecimento de Ruja Ignatova, em 2017. 

As autoridades não detalharam quais ativos digitais estavam envolvidos, mas avaliaram o valor em pouco menos de £ 9 milhões, segundo uma reportagem publicada nesta semana pelo Guernsey Press, jornal oficial do território, citando processos no Tribunal Real. 

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Segundo relatos, os fundos estavam mantidos em uma conta do RBS International em Guernsey, em nome da Aquitaine Group Limited. 

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A ascensão da “rainha cripto”

Nascida na Bulgária e formada em universidades de elite, Ruja Ignatova tinha exatamente o perfil que investidores adoram: discurso técnico, currículo impecável e carisma de palco. Em 2014, ela lançou a OneCoin, apresentada como uma revolução no sistema financeiro global. 

Em eventos lotados, muitos deles em hotéis de luxo e centros de convenções, Ruja aparecia com vestidos longos, frases ensaiadas e promessas grandiosas. A narrativa era simples e poderosa: quem entrasse cedo ficaria rico. 

O golpe: criptomoeda sem blockchain

Diferentemente do bitcoin e de outras criptomoedas legítimas, a OneCoin não tinha blockchain público, mineração independente nem lastro tecnológico verificável.  

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Estimativas apontam que o golpe movimentou mais de US$ 4 bilhões ao redor do mundo, atingindo vítimas na Europa, Ásia, África e América Latina. 

Enquanto isso, Ruja sumia do radar. 

O desaparecimento de Ruja

Em outubro de 2017, Ruja Ignatova embarcou em um voo de Sófia para Atenas. O avião pousou. Ela nunca mais foi vista. Desde então, surgiram teorias que vão do óbvio ao cinematográfico: cirurgia plástica, proteção de máfias internacionais, assassinato encomendado, vida nova com identidade falsa. 

O FBI incluiu seu nome na lista dos mais procurados, com recompensa milionária por informações que levem à sua captura. 

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Mas, até agora, nada. 

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