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Banco elevou preço-alvo da VALE3 para R$ 102 — o que significa um potencial de valorização de cerca de 13%, mesmo após alta recente da ação
Depois de uma forte alta que fez a Vale (VALE3) subir 88% em dólar desde meados de 2025 — bem acima dos cerca de 60% registrados por outras mineradoras — o Bradesco BBI decidiu manter a recomendação de compra para a ação e ainda elevou o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 83 para R$ 102.
Na prática, isso significa que, mesmo depois do rali recente, o banco ainda enxerga espaço para o papel subir cerca de 13% em relação ao fechamento desta quarta-feira (11), com VALE3 cotada a R$ 90,09.
Essa revisão de números levou em conta principalmente os resultados operacionais do quarto trimestre de 2025, mudanças no cenário macroeconômico e ajustes nas estimativas de produção, com destaque para o cobre.
Com isso, os analistas passaram a esperar um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 17,5 bilhões em 2026. A projeção mais alta reflete a expectativa de preços melhores para metais básicos e de volumes mais fortes de níquel.
Na avaliação do Bradesco BBI, mesmo depois da disparada recente, a ação da Vale ainda está “barata” quando comparada a empresas semelhantes do setor.
Segundo o banco, isso se deve à execução operacional mais consistente da companhia e à forma como ela vem alocando seu capital, ou seja, investindo e distribuindo recursos aos acionistas de maneira considerada sólida.
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Mas não significa que não existam riscos. Entre os principais, o banco cita:
Dentro do setor de Metais e Mineração, o BBI prefere primeiro a Aura (AURA33) e, logo depois, a Vale.
Mesmo após a alta forte da ação, o Bradesco BBI afirma que a Vale segue negociando com desconto em relação aos concorrentes. Isso quer dizer que, na visão dos analistas, o preço da ação ainda não reflete totalmente o quanto a empresa consegue gerar de caixa.
Um dos números usados para sustentar esse argumento é o chamado FCF yield, que mostra quanto de caixa livre a empresa gera em relação ao valor de mercado. Para 2026, o BBI estima esse rendimento em 8% para a Vale, contra uma média de 5% dos concorrentes.
Quando o horizonte é ampliado para três anos, a diferença fica ainda maior: 24% para a Vale, contra 17% para os pares.
No curto prazo, o maior risco continua sendo o preço do minério de ferro, que tem grande peso nos resultados da companhia. Ainda assim, segundo o banco, o desconto no valuation, a disciplina na alocação de capital e a visão mais positiva para a área de metais básicos ajudam a sustentar a tese de investimento.
Para 2026, embora as pressões sobre o minério possam limitar novas altas, o custo marginal elevado de produção (entre US$ 90 e US$ 95 por tonelada), além de fatores como a maturação mais lenta de Simandou e exportações de aço ainda fortes, tendem a manter os preços do minério próximos de US$ 100 por tonelada.
A recomendação do Bradesco BBI veio poucos dias depois de a Vale divulgar seu relatório de produção e vendas do quarto trimestre de 2025.
No período, a produção de minério de ferro cresceu 6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, embora tenha caído 4,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Ao todo, foram produzidas 90,4 milhões de toneladas no trimestre.
Com esse resultado, a produção total de 2025 chegou a 336 milhões de toneladas — acima do que a própria empresa havia projetado e no melhor nível desde 2018.
Esse desempenho permitiu que a Vale ultrapassasse a australiana Rio Tinto e retomasse o posto de maior produtora de minério de ferro do mundo.
Para o BTG Pactual, esses números ajudam a encerrar as dúvidas sobre a execução da mineradora. “Os números reforçam que a Vale conseguiu virar a página dos ruídos operacionais observados nos últimos anos”, escreveram os analistas liderados por Leonardo Correa.
O aumento da produção também já começou a influenciar as expectativas do mercado para o balanço financeiro do quarto trimestre de 2025, que será divulgado amanhã.
“Esses resultados representam um forte encerramento de ano para a Vale, com produção anual mais alta em todos os segmentos. Com base nesse desempenho, esperamos revisões para cima de aproximadamente 2% nas estimativas de consenso para o Ebitda do quarto trimestre de 2025”, disseram os analistas do Citi, em relatório.
*Com informações do Money Times
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