Alta renda no radar: BTG lista construtoras favoritas para 2026 e Cyrela (CYRE3) continua no topo
Banco revisou estimativas para oito construtoras de média e alta renda e recomenda mais seletividade diante de juros altos e crédito restrito

As construtoras de média e alta renda vem “desafiando a gravidade” na opinião do BTG Pactual. Isso porque, em 2025, conseguiram expandir os volumes e manter margens sólidas mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, com a Selic atualmente em 15% ao ano e a hipoteca em 14%.
Em 2026, o cenário continua complicado. Além do período de eleições, taxas cobradas nos financiamentos de imóveis devem continuar altas — mesmo com a expectativa de que os juros comecem a cair aos poucos em março. Neste momento de incerteza, a recomendação do BTG é que os investidores sejam mais seletivos.
Pensando nisso, o banco revisitou a tese de oito construtoras de média e alta renda. Entre as novidades da atualização está a recomendação de compra para Helbor (HBOR3) e o rebaixamento de Melnick (MELK3) para neutra. Já a Cyrela (CYRE3) continua sendo a “top pick” do setor.
Confira as oito construtoras analisadas pelo BTG e suas respectivas recomendações:
- Cyrela (CYRE3): Compra, com alta potencial de 28%;
- Eztec (EZTC3): Compra, com alta potencial de 31%;
- Even (EVEN3): Neutra, com alta potencial de 22%;
- Helbor (HBOR3): Compra (elevada de Neutra), com alta potencial de 49%;
- Lavvi (LAVV3): Compra, com alta potencial de 33%;
- Melnick (MELK3): Neutra (rebaixada de Compra), com alta potencial de 21%;
- Mitre (MTRE3): Neutra, com alta potencial de 22%;
- Trisul (TRIS3): Compra, com alta potencial de 27%.
Por que a Cyrela é a "top pick” do BTG
A Cyrela continua sendo a principal recomendação do banco por alguns motivos. O primeiro é a diversificação de receitas: cerca de 40% dos lucros da companhia já vêm do segmento de baixa renda, por meio de marcas ligadas ao programa Minha Casa, Minha Vida, considerado mais estável em períodos de juros altos.
Além do seu forte histórico operacional no segmento, o valuation da companhia é atrativo: mesmo após subir 80% nos últimos 12 meses, a Cyrela negocia a múltiplos considerados baixos em relação aos lucros esperados, como um preço sobre lucro de 6,5x para 2026.
De acordo com o BTG, os investidores devem dar preferência a empresas com balanços sólidos e um histórico comprovado de navegar por diferentes fases do ciclo, e a Cyrela é um exemplo disso.
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O BTG elevou a recomendação da Helbor de “neutra” para “compra” por avaliar que a ação está “excessivamente descontada”, negociada a 0,4 vez o valor patrimonial (o menor múltiplo entre as construtoras analisadas).
Apesar da alavancagem elevada da companhia, o BTG acredita que a empresa pode gerar caixa com a venda de estoques e terrenos e reduzir o endividamento ao longo do tempo com a queda dos juros.
O banco fixou preço-alvo de R$ 4,10 para Helbor (HBOR3), o que representa um potencial de alta de 49%.
Por outro lado, a Melnick (MELK3) foi rebaixada de Compra para Neutra. A decisão não está ligada a uma piora operacional imediata, mas pelo pouco potencial para crescimento no cenário atual.
A Melnik apresentou alta concentração em Porto Alegre, onde já detém cerca de 30% de participação, o que limita ganhos adicionais de mercado.
E embora exista a possibilidade de expansão para outras regiões por meio de parcerias, o BTG avalia que essa estratégia envolve riscos maiores, já que os projetos não ficam sob controle direto da empresa e podem exigir mais investimentos, o que pode pressionar a distribuição de dividendos no curto prazo.
Com preço-alvo de R$ 4,80, MELK3 apresenta potencial de valorização de 21%, negociando a 7 vezes o lucro estimado para 2026 (patamar considerado menos atrativo em relação a pares).
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