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Megafusão de mais de US$ 260 bilhões sai de cena após empresas não conseguirem chegar a um acordo que beneficiasse os acionistas

O fim das negociações entre Rio Tinto e Glencore esfriou de vez a ideia de uma megafusão que poderia redesenhar o setor de mineração global. Com a desistência, a Vale (VALE3) mantém seu posto de maior produtora de minério de ferro do mundo, enquanto investidores digerem a frustração de um acordo que poderia criar um gigante avaliado em mais de US$ 260 bilhões.
Em comunicado ao mercado, a Rio Tinto informou que não seguirá adiante com qualquer combinação de negócios com a Glencore, após concluir que não seria possível chegar a um acordo capaz de gerar valor para seus acionistas.
A companhia também afirmou que não pretende apresentar uma oferta pela rival e que, pelas regras do Reino Unido, ficará impedida de retomar a investida por pelo menos seis meses, salvo em circunstâncias específicas.
A Glencore, por sua vez, disse que tem “um forte caso” como companhia autônoma e que segue focada em suas próprias prioridades estratégicas.
Segundo o grupo, os termos discutidos previam a manutenção dos principais cargos executivos com a Rio Tinto e uma participação acionária na empresa combinada que, em sua avaliação, subestimava sua contribuição.
“Concluímos que a aquisição proposta, nesses termos, não atende aos melhores interesses dos acionistas da Glencore. Ela não reflete nossa visão sobre o valor relativo no longo prazo, incluindo a avaliação inadequada do nosso negócio de cobre e da nossa carteira de projetos em crescimento, além da alocação insuficiente do potencial de sinergias”, afirmou a companhia.
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Após o anúncio, as ações da Glencore, negociadas nos Estados Unidos, chegaram a cair até 11%, enquanto os papéis da Rio Tinto recuavam perto de 5%.
As duas empresas anunciaram no início de janeiro que estavam em conversas avançadas. Mas, a ideia de unir Rio Tinto e Glencore circula pelo mercado há mais de uma década e ganhou novo fôlego a partir de 2024.
Segundo informou o Financial Times naépoca, a empresa combinada superaria US$ 260 bilhões em valor empresarial.
O acordo teria esbarrou principalmente na relutância da Rio Tinto em pagar um prêmio elevado, além de diferenças nas culturas de gestão das companhias, de acordo com a Bloomberg.
Se tivesse avançado, a operação criaria a maior mineradora do mundo, reunindo ativos estratégicos em diversos metais.
O desfecho das negociações ocorre poucos dias depois de a Vale informar que produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025. Com esse resultado, a companhia brasileira retomou o posto de maior produtora de minério de ferro do mundo, após sete anos atrás da própria Rio Tinto.
A concorrente australiana, por sua vez, produziu 327,3 milhões de toneladas no ano passado.
Apesar do reforço à sua posição no ranking global, a Vale não escapou do mau humor do mercado, em meio à queda nos preços do minério de ferro.
Por volta das 17h20 (de Brasília), as ações recuavam 3,09% no Ibovespa, cotadas a R$ 86,67. Ainda assim, VALE3 acumula valorização de cerca de 21% no ano. A mineradora é um dos principais alvos da entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira desde o fim do ano passado.
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