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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

APETITE RENOVADO

Antes do IPO, Aegea garante cheque de R$ 1,2 bilhão da Itaúsa e GIC — e se prepara para disputa pela Copasa

Aumento de capital acontece enquanto mercado anseia por IPO e empresa avalia novos ativos de saneamento

Camille Lima
Camille Lima
10 de fevereiro de 2026
9:36 - atualizado às 10:21
Imagem: Montagem Seu Dinheiro/Canva/iStock/abadonian

Antes mesmo de bater à porta da bolsa, a Aegea resolveu fortalecer o caixa. Em meio à expectativa de que a companhia inaugure a próxima leva de IPOs na B3, dois de seus principais acionistas decidiram antecipar o movimento — e assinar cheques grandes. 

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A Itaúsa (ITSA4) e o fundo soberano de Singapura (GIC) aumentaram a aposta na empresa de saneamento com compras de participação. Somados, os aportes garantem à Aegea um reforço de R$ 1,2 bilhão no caixa. 

O fortalecimento de capital acontece em um momento em que o grupo não só se prepara para o mercado de capitais, mas também avalia novas frentes de crescimento, incluindo a privatização da Copasa (CSMG3).  

Cheque bilionário: acionistas elevam aposta antes do IPO 

Na segunda-feira (9), os acionistas aprovaram um aumento de capital de R$ 797,6 milhões, por meio da emissão de cerca de 14,4 milhões de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 55,29 cada.  

Desse total, a Itaúsa ficou com pouco mais de 5 milhões de papéis, um investimento de R$ 277,9 milhões. Por sua vez, o GIC abocanhou aproximadamente 9,4 milhões de ações, desembolsando R$ 519,7 milhões. 

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O reforço de dinheiro não parou por aí. Na mesma assembleia, a companhia obteve sinal verde para um segundo aumento de capital, desta vez de R$ 402,4 milhões.  

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Novamente, o GIC liderou o aporte, com R$ 262,2 milhões por cerca de 4,7 milhões de ações, enquanto a Itaúsa se comprometeu com R$ 140,2 milhões para adquirir mais 2,5 milhões de papéis. 

Com a conclusão das duas operações, a estrutura acionária da Aegea deve ficar assim:  

AcionistaCapital totalCapital votante
Equipav 52,11% 68,69% 
GIC 34,62% 20,40% 
Itaúsa 13,27% 10,91% 

A Itaúsa afirmou que usará caixa próprio para bancar o aumento de participação. Segundo a holding, a decisão faz parte da “estratégia de alocação eficiente de capital, reforçando seu compromisso contínuo com a criação de valor aos acionistas, investidas e à sociedade”. 

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IPO no radar da Aegea — e Copasa na mira 

Enquanto reforça o caixa e ajusta a estrutura societária, a Aegea também olha para oportunidades além do mercado de capitais. E uma delas atende pelo nome de Copasa (CSMG3)

O presidente da Aegea, Radamés Casseb, deixou claro que a companhia acompanha de perto o processo de privatização da empresa mineira de saneamento — ainda que qualquer decisão dependa do desenho final do leilão. 

“Estamos na expectativa dos documentos e da modelagem. Tem muita discussão pública ainda acontecendo em Minas Gerais”, afirmou Casseb, durante evento do BNDES, também na última segunda-feira.  

“É um ano difícil, a Selic ainda está a 15% ao ano. Vamos esperar as condições para definir a participação da Aegea. Nossa natureza é saneamento, então vamos estudar todos os projetos sempre na trilha da responsabilidade na alocação de capital”, disse. 

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No fim de 2025, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o projeto de lei que autoriza o governo estadual a iniciar o processo de desestatização da Copasa. Hoje, o estado detém 50,03% do capital da companhia. 

Em entrevista à Reuters, em dezembro, o governador Romeu Zema afirmou que a privatização poderia render ao menos R$ 10 bilhões aos cofres públicos. À época, o plano era realizar o leilão até abril deste ano. 

Aegea não estará sozinha na disputa pela Copasa  

No entanto, a Aegea não está sozinha nesse jogo. A Copasa também entrou no radar de outras gigantes do setor. 

No início de janeiro, o diretor financeiro da Sabesp (SBSP3), Daniel Szlak, afirmou ao Money Times que a companhia vê a empresa mineira como um ativo potencialmente estratégico

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“A Copasa nos interessa. A gente vai olhar, fazer conta e, se houver retorno ajustado ao risco, convencer o conselho e os acionistas”, disse.  

Na semana passada, o presidente-executivo da Sabesp, Carlos Piani, reforçou a tese ao afirmar que a companhia segue avaliando oportunidades de expansão para além de São Paulo — movimento que inclui a privatização da Copasa. 

*Com informações da Reuters e do Money Times. 

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