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Operação em libras pode ser a primeira de uma empresa de tecnologia com prazo tão longo desde os anos 1990

A Alphabet, controladora do Google, quer fazer uma operação que chama atenção até em um mercado acostumado a números bilionários: a empresa planeja vender um título de dívida com vencimento em 100 anos.
Na prática, isso significa tomar dinheiro emprestado dos investidores e prometer devolver só daqui a um século — pagando juros ao longo do caminho.
Se a operação sair do papel, será a primeira vez desde o fim dos anos 1990 que uma empresa de tecnologia tenta levantar recursos com um prazo tão longo.
De acordo com a Bloomberg, o título será emitido em libras esterlinas e fará parte de um pacote com outros quatro papéis na mesma moeda para ampliar as fontes de financiamento da companhia.
O objetivo é que o financiamento apoie a big tech na corrida da inteligência artificial (IA), que exige gastos exorbitantes.
Na semana passada, a Alphabet anunciou que pretende investir até US$ 185 bilhões neste ano, o dobro do valor de 2025. Ou seja, o caixa precisa estar reforçado para bancar data centers, chips, infraestrutura e novos produtos.
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Do lado dos resultados, a empresa tem mostrado fôlego para isso. A Alphabet divulgou uma receita de US$ 113,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, acima do esperado pelo mercado e com crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.
E a Alphabet sabe que a concorrência vem forte, já que a Meta e Microsoft também anunciaram planos de gastos elevados para 2026.
O Morgan Stanley estima que o endividamento das grandes empresas de computação em nuvem — os chamados hyperscalers — deve chegar a US$ 400 bilhões neste ano, contra US$ 165 bilhões em 2025.
O mercado de títulos centenários é, em geral, dominado por governos e instituições como universidades, que costumam existir por décadas — ou séculos.
Existe um motivo para essa operação ser rara entre empresas. Companhias podem mudar de estratégia, comprar outras empresas, ver seus produtos ficarem obsoletos ou até perder relevância com o avanço da tecnologia.
Tudo isso torna difícil apostar em um horizonte tão longo, ainda mais no setor de tecnologia. A última grande referência foi a Motorola, que vendeu um título desse tipo em 1997, segundo dados da Bloomberg.
A dona do Google não é novata quando o assunto é captar dinheiro com investidores. Em novembro, a empresa foi ao mercado nos Estados Unidos e levantou US$ 17,5 bilhões em uma operação que despertou forte interesse, com cerca de US$ 90 bilhões em pedidos.
Naquele momento, a companhia também vendeu um título com vencimento em 50 anos — o mais longo já emitido por uma empresa de tecnologia em dólares no ano passado.
Esse papel, inclusive, se valorizou no mercado secundário, ou seja, passou a valer mais depois de ser negociado entre investidores.
Como parte da mesma estratégia de alongar os prazos da dívida, a Alphabet também colocou 6,5 bilhões de euros (US$ 7,7 bilhões) em títulos na Europa.
*Com informações da Bloomberg
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