Rede D’Or (RDOR3) perdeu força? Bradesco BBI corta projeções, mas revela por que tese ainda segue “atrativa”
Banco revisa lucros para baixo após o 1T26, mas mantém recomendação de compra para a gigante hospitalar; veja o que está por trás da visão otimista

A Rede D’Or (RDOR3) entrou na temporada de resultados tentando convencer o mercado de que ainda merece o prêmio de valuation que carrega na bolsa. Mas, após o balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26), o Bradesco BBI decidiu recalibrar parte desse otimismo.
O banco cortou projeções, reduziu o preço-alvo das ações e passou a enxergar um crescimento um pouco menos acelerado para a companhia nos próximos anos.
A visão mais conservadora considera especialmente margens hospitalares mais pressionadas, juros elevados e um cenário ainda desafiador para a operação de saúde suplementar.
Ainda assim, a mensagem do BBI está longe de ser pessimista. Mesmo revisando números para baixo, os analistas seguem vendo a Rede D’Or como uma das teses de maior qualidade da bolsa brasileira no setor de saúde.
Apesar do corte de projeções do Bradesco BBI, as ações da Rede D’Or se mantêm em trajetória de alta nesta quarta-feira (20), em recuperação após semanas mais pressionadas na bolsa.
Por volta das 16h30, RDOR3 subia 3,61%, cotado a R$ 35,33 na B3. Ainda assim, o papel segue acumulando desempenho negativo no ano. No acumulado de 2026, a desvalorização beira os 14%.
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Ação RDOR3 continua atraente
Após os resultados do 1T26, o BBI reduziu o preço-alvo de RDOR3, de R$ 44 para R$ 42 até o fim de 2026. Apesar do corte, a cifra ainda representa um potencial de valorização de cerca de 23% sobre o fechamento da última terça-feira (19).
A revisão veio acompanhada de cortes nas estimativas de lucro. O Bradesco BBI agora projeta lucro líquido ajustado de R$ 4,8 bilhões para 2026, redução de 8% em relação à projeção anterior. Para 2027, a expectativa passou para R$ 5,8 bilhões, queda de 6%.
Segundo os analistas, a recalibragem reflete uma combinação de fatores: projeções mais conservadoras para as receitas tanto da divisão hospitalar quanto da operação de seguros, além de uma expansão de margem mais lenta do que a anteriormente esperada.
O que mudou nas contas para Rede D’Or (RDOR3)
Na divisão hospitalar — considerada o coração da tese da companhia —, o banco ainda vê avanço operacional, mas em um ritmo mais moderado.
A expectativa é que a margem Ebitda hospitalar avance para 24,6% em 2026. Ainda assim, o ganho projetado agora é menor do que o estimado anteriormente, refletindo um ambiente operacional mais apertado e uma dinâmica de custos ainda pressionada.
Além disso, o banco incorporou um aumento na projeção de despesas financeiras líquidas, consequência direta de uma combinação de maior dívida líquida e juros elevados por mais tempo.
Os analistas também elevaram em 1 ponto percentual a estimativa para a alíquota efetiva de imposto da companhia, agora projetada em 24%.
O conjunto desses ajustes acabou reduzindo parte do potencial de crescimento dos lucros projetados para os próximos anos.
Mesmo com cortes, Bradesco BBI segue otimista com Rede D'Or (RDOR3)
Apesar da revisão mais conservadora, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para RDOR3.
Na visão dos analistas, a tese da Rede D’Or continua sustentada por uma combinação de crescimento estrutural, escala operacional e ativos considerados de alta qualidade.
Além disso, o valuation segue sendo visto como atrativo, especialmente após a correção recente das ações.
“A tese continua atrativa pela combinação de qualidade e crescimento”, dizem os analistas.
SulAmérica pode ser a “carta escondida” da Rede D’Or
Segundo os analistas, o ponto que mais chama atenção na tese talvez esteja fora dos hospitais. Para o BBI, uma das principais assimetrias positivas da tese continua vindo da SulAmérica — divisão de seguros incorporado pela Rede D’Or.
Na visão dos analistas, o mercado ainda pode estar subestimando o potencial de melhora da sinistralidade da operação nos próximos trimestres.
“Um ponto relevante de assimetria segue vindo da operação de seguros (SulAmérica), já que a trajetória da sinistralidade é positiva para as estimativas devido a uma provisão de IBNR acima do histórico em 2025”, escreveram os analistas.
Isso significa que a companhia teria construído uma espécie de colchão mais conservador de provisões, o que abre espaço para uma melhora gradual dos resultados caso a sinistralidade (MLR) evolua melhor do que o esperado.
Pelas contas do banco, cada redução de 1 ponto percentual na sinistralidade pode adicionar cerca de R$ 200 milhões ao lucro de 2026 — um impacto equivalente a aproximadamente 4% de crescimento adicional.
O BBI projeta uma queda de 1,2 ponto percentual na sinistralidade em 2026, para 78,3%, com estabilidade ao longo do período.
“O que, se confirmado, ajuda a sustentar a leitura construtiva mesmo em um ambiente de juros ainda pressionado”, afirmam os analistas.
*Com informações do Money Times.
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