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O vice-presidente financeiro, Frederico Oldani, afirma que foco agora é transformar escala em rentabilidade, produtividade e geração de caixa

A Viveo (VVEO3) passou os últimos anos acelerando forte. Talvez rápido demais para um mercado que hoje cobra menos euforia e mais previsibilidade. Após anos expandindo operações e ganhando escala, a distribuidora de produtos médicos agora tenta convencer investidores de que entrou em uma fase mais madura: foco em rentabilidade, geração de caixa e disciplina financeira.
Em um mercado mais seletivo — e menos disposto a financiar crescimento a qualquer custo —, previsibilidade e conversão de caixa passaram a valer mais do que promessas de expansão acelerada.
“Hoje, o foco da Viveo não é crescer a qualquer custo. A companhia busca um equilíbrio entre expansão de receita, rentabilidade e geração de caixa”, disse o vice-presidente financeiro, Frederico Oldani, em entrevista ao Seu Dinheiro.

Isso significa priorizar margem e retorno sobre capital em determinados segmentos e acelerar apenas quando a empresa avaliar que há oportunidades estratégicas de ganho de mercado e captura de valor no longo prazo.
“O principal ponto é que o crescimento daqui para frente precisa vir acompanhado de qualidade de resultado”, afirma o executivo.
Fundada em 1996, a Viveo tem 70 unidades e centros de distribuição por todo o país, sete fábricas e clientes como hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias e atacados.
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A companhia atua com diversas marcas, como Mafra (que integra seis empresas de atendimentos a hospitais), Prevena (que atua com laboratórios) e Cremer (de produtos hospitalares e de cuidados pessoais). Para o consumidor final, ela atua com marcas como Cremer, Piquitucho e Bellacotton.
Em 2025, ela teve receitas de R$ 11,6 bilhões e prejuízo líquido de R$ 78,4 milhões.
Na visão da administração da Viveo, muitos investidores ainda enxergam a empresa pela lente do passado: uma empresa que expandiu rápido demais em um período de capital abundante, de 2020 a 2023, e acabou mais pressionada quando os juros dispararam e o investidor passou a cobrar mais geração de caixa.
A avaliação interna, porém, é que a companhia já entrou em uma nova etapa — e que isso deve aparecer cada vez mais nos resultados daqui para frente.
“O que talvez ainda não esteja totalmente refletido no preço da ação é a consistência da transformação operacional e financeira que a Viveo vem executando desde 2024”, afirmou o executivo.
As ações da Viveo (VVEO3) acumulam queda de mais de 20% desde o início de 2026, hoje cotadas a pouco mais de R$ 1. Desde a abertura de capital (IPO) na B3, em 2021, a perda de valor dos papéis beira os 95%.
A leitura de Oldani é que a Viveo entrou em uma fase mais madura do ciclo. Isso envolve desde otimização logística e gestão de estoques até captura de sinergias entre 26 negócios adquiridos ao longo da expansão.
“A Viveo ganhou muita escala, ampliou presença nacional e diversificou operações ao longo do tempo. Agora existe uma oportunidade importante de transformar essa escala em maior produtividade, melhor retorno sobre capital e geração de caixa mais consistente”, afirmou.
A expectativa da companhia é que a percepção do mercado sobre as ações VVEO3 mude gradualmente, conforme os resultados mostrem evolução mais consistente em rentabilidade e conversão de caixa.
Depois de um período em que o mercado passou a questionar a alavancagem da companhia — que superou o patamar de 4,5 vezes o Ebitda no início de 2025 — e a capacidade de conversão operacional da companhia, a gestão afirma que o foco agora está em fortalecer o balanço, alongar dívidas e ampliar a flexibilidade financeira.
Segundo Oldani, as iniciativas buscam aumentar a flexibilidade financeira da companhia e melhorar o equilíbrio da estrutura de capital no longo prazo.
Para ele, a melhora gradual da geração de caixa e uma gestão mais ativa da estrutura financeira já começam a tornar a companhia mais resiliente.
Os números do primeiro trimestre de 2026 ajudam a sustentar essa narrativa. Pela primeira vez na história, a Viveo conseguiu entregar geração de caixa positiva em um primeiro trimestre, no montante de R$ 45,5 milhões. Já a alavancagem encolheu para 3,8 vezes.
Vale destacar que o início do ano é um período tradicionalmente mais pressionado para empresas do setor de saúde, devido à sazonalidade e à dinâmica de capital de giro antes do reajuste dos preços dos medicamentos.
“Ainda existe espaço para avançar. Seguimos trabalhando em produtividade, simplificação operacional e captura de eficiências, sempre com uma visão mais equilibrada entre crescimento, rentabilidade e geração sustentável de caixa”, disse o executivo.
Na visão de Oldani, o foco agora está muito mais em integração e consolidação do que em uma nova onda de fusões e aquisições (M&As).
“Isso não significa uma postura defensiva ou perda de ambição estratégica. Seguimos olhando oportunidades relevantes para o futuro da companhia, mas com um nível maior de disciplina financeira e foco em retorno”, afirmou.
Oldani também ressalta que a Viveo ainda é uma empresa relativamente jovem no mercado de capitais — a companhia completa cinco anos de bolsa em 2026 — e que parte do processo atual envolve justamente amadurecimento operacional e financeiro.
“Acreditamos que o setor de saúde continuará oferecendo oportunidades relevantes nos próximos anos, e vemos a Viveo hoje muito mais preparada para capturar esse potencial de forma sustentável e disciplinada”, disse.
Questionado sobre os principais riscos no horizonte, o executivo cita juros elevados, volatilidade cambial e mudanças regulatórias — fatores que afetam diretamente um setor intensivo em capital de giro e altamente regulado, segundo ele.
“Mas entendemos que a Viveo hoje está mais preparada operacional e financeiramente para navegar esse ambiente de forma mais resiliente e sustentável”, afirmou.
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