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O ADEUS DO ESTADO

Copasa (CSMG3) à venda: privatização pode superar R$ 9 bilhões — e mudar a tese da ação na bolsa

Governo de Minas coloca estatal de saneamento na vitrine da bolsa em oferta que pode redefinir o futuro da companhia, mas operação ainda depende de condições importantes para ir adiante

Barragem Rio Juramento da Copasa (CSMG3)
Imagem: Divulgação

Depois de anos de tentativas, disputas políticas e idas e vindas, a privatização da Copasa (CSMG3) finalmente ganhou forma. O governo de Minas Gerais anunciou nesta quarta-feira (20) a oferta de ações que pode movimentar mais de R$ 9 bilhões e abrir caminho para uma nova era da companhia de saneamento. 

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Na prática, o Estado de MG prevê a venda do controle da Copasa ao mercado. O follow-on de desestatização prevê inicialmente a venda de 171.113.881 ações ordinárias detidas pelo Estado.  

Considerando o fechamento de R$ 52,77 por papel em 19 de maio de 2026, a operação base movimentaria cerca de R$ 9,03 bilhões

Mas a cifra ainda pode crescer. Caso haja forte demanda, a oferta poderá ser ampliada em até 19,1 milhões de ações adicionais — cerca de 11,2% do lote inicial —, levando a transação para além dos R$ 10 bilhões

Embora a Copasa esteja no centro da operação, o dinheiro não vai reforçar o caixa da companhia. Como se trata de uma oferta secundária, os recursos irão diretamente para os cofres do governo mineiro, que está abrindo mão do controle da empresa. 

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Hoje, o Estado detém pouco mais de 50% do capital da Copasa e poderá vender entre 89% e 100% dessa participação. Ao fim da operação, Minas deixará oficialmente de ser controlador da companhia. 

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Ainda assim, o governo não pretende desaparecer completamente do jogo. A gestão mineira manterá uma golden share — uma ação preferencial especial que garante poder de veto em temas estratégicos, além do direito de indicar membros para os conselhos de administração e fiscal da companhia. 

Novo investidor estratégico da Copasa (CSMG3) e outros detalhes da oferta de privatização 

O desenho da privatização foi estruturado para atrair um investidor de referência, uma espécie de sócio âncora da nova Copasa privatizada. 

A ideia do governo mineiro é que um único investidor profissional — ou um consórcio — adquira cerca de 30% do capital social da companhia e assuma um compromisso de longo prazo com a operação. 

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Esse investidor terá de assinar um acordo de acionistas e cumprir obrigações consideradas centrais para o projeto de privatização. Entre elas: 

  • Universalizar o tratamento de esgoto, atingindo 90% de cobertura até 2033; 
  • Respeitar um período de lock-up de pelo menos quatro anos sem vender as ações adquiridas; e 
  • Manter programas de tarifa social voltados à população mais vulnerável. 

Além disso, a nova estrutura societária prevê mecanismos adicionais de proteção aos minoritários. O novo estatuto da companhia passará a exigir, por exemplo, uma oferta pública de aquisição (OPA) caso um acionista atinja participações relevantes no capital. 

A oferta será aberta tanto para investidores profissionais — pessoas físicas ou jurídicas com mais de R$ 10 milhões aplicados — quanto para o público geral.  

Os pedidos de reserva para o varejo começam em 28 de maio, com aportes entre R$ 100 e R$ 1 milhão. 

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O calendário da operação também já está desenhado. O preço final da oferta será definido em 2 de junho. Já o início das negociações das “novas” ações na B3 está previsto para 5 de junho de 2026. 

A operação será coordenada por BTG Pactual, como coordenador líder, Itaú BBA, Bank of America, Citigroup e UBS BB. Também haverá esforços para colocação das ações no exterior. 

Os riscos no caminho da privatização da Copasa (CSMG3) 

Apesar do avanço da operação, o caminho da privatização ainda está longe de completamente livre. O prospecto da oferta cita uma série de riscos jurídicos e políticos que ainda cercam a desestatização da Copasa. 

Partidos como o PT e PSOL questionam no STF a dispensa de um referendo popular para viabilizar a venda da companhia. 

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Além disso, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) segue monitorando o processo e mantém um acompanhamento que, em tese, poderia até suspender a operação. 

Outro ponto delicado envolve justamente aquilo que o mercado mais quer saber: o preço mínimo aceitável para o governo vender o controle da empresa. Esse valor permanece sob sigilo. 

Na prática, isso significa que, se a demanda dos investidores no bookbuilding vier abaixo do piso estabelecido pelo Estado, a oferta pode simplesmente ser cancelada, empurrando novamente o projeto de privatização para a gaveta. 

Há ainda outra condição operacional importante: a oferta só seguirá adiante se houver a venda mínima de 114.075.921 ações. 

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Dividendos generosos… mas com uma nova realidade 

Para o investidor pessoa física, a Copasa carrega um histórico que costuma chamar atenção: o forte pagamento de dividendos. 

O estatuto da companhia prevê distribuição mínima de 25% do lucro líquido aos acionistas — característica que ajudou a transformar a estatal mineira em uma queridinha de muitos investidores de renda. 

Mas a nova fase da companhia tende a exigir um equilíbrio mais delicado entre remuneração ao acionista e necessidade de investimentos pesados. 

Com a privatização, a Copasa terá pela frente uma agenda robusta de expansão de infraestrutura para cumprir as metas do Novo Marco do Saneamento. Isso significa mais necessidade de capital. 

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“A companhia é intensiva em capital e precisará de financiamentos que, como empresa privada, podem ter condições diferentes das atuais”, alerta, no prospecto da operação. 

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