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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

TROCA DE LIDERANÇA

Santander Brasil (SANB11) sem Mario Leão: o que muda — e o que não muda — com a chegada do novo CEO?

Em reunião com analistas, CEO diz que transição foi planejada e que modelo atual veio para ficar; veja o que esperar do bancão agora

Camille Lima
Camille Lima
23 de março de 2026
16:11 - atualizado às 15:47
O CEO do Santander Brasil (SANB11), Mario Leão.
O CEO do Santander Brasil (SANB11), Mario Leão. - Imagem: Divulgação

Foram quatro anos de ajustes, cortes de risco e reconstrução de rentabilidade. Quando os primeiros sinais de melhora começaram a aparecer de forma mais relevante, veio a mudança inesperada: Mario Leão deixará o comando do Santander Brasil (SANB11).  

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O anúncio surpreendeu o mercado na semana passada e levantou uma dúvida entre os investidores: com a saída de Leão, o banco vai mudar de rumo?  

Em reunião com analistas do JP Morgan, o executivo foi direto ao ponto: a resposta, segundo ele, é não. Com a chegada de Gilson Finkelsztain, a estratégia permanece — com ainda mais disciplina na execução.  

O adeus de Mario Leão: uma saída planejada — no meio da virada 

Na avaliação do próprio Mario Leão, sua saída acontece “em posição de força”. O executivo afirmou que a decisão, motivada por razões pessoais, foi planejada — e que a transição será conduzida sem sustos ou sobressaltos.  

Ele permanece no cargo até a divulgação dos resultados do primeiro semestre de 2026, garantindo uma passagem de bastão mais gradual. 

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Mas o timing chama atenção. O Santander Brasil ainda atravessa um processo de reconstrução de rentabilidade após ciclos desafiadores no crédito, marcados por pressão sobre margens e aumento da inadimplência.  

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Ao mesmo tempo, começa a colher os primeiros resultados de um ajuste mais profundo no modelo de negócios. 

Sob a gestão de Leão, o banco saiu de um ROE na casa dos 10% em 2023 para 17,6% no fim de 2025 — uma melhora relevante, ainda que distante da ambição de longo prazo. 

O próprio executivo descreveu a franquia como "melhor preparada hoje do que no passado", com um modelo de negócio menos cíclico e mais equilibrado. 

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“O legado de Mario Leão é um banco mais forte e menos volátil”, resume o relatório do JP Morgan. 

A leitura dos analistas é que a troca acontece justamente quando o banco começa a reencontrar tração — o que torna a execução, daqui para frente, mais importante do que qualquer mudança de estratégia. 

O “velho conhecido” que assume o volante do Santander Brasil 

O escolhido para assumir o comando não é exatamente novo na casa. Gilson Finkelsztain já conhece o Santander Brasil por dentro — foi executivo da instituição antes de comandar a B3.

Gilson Finkelsztain, presidente da B3
Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3

Segundo os analistas, ele traz um perfil diferente: mais ligado a mercado de capitais, eficiência operacional e desenvolvimento de produtos. Para o JPMorgan, essa combinação pode ser positiva — desde que bem calibrada. 

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Para os analistas, o Santander Brasil de Finkelsztain será um banco de execução técnica, menos focado em volume e mais em produtividade de capital.   

“A mudança de CEO não implica qualquer alteração na estratégia”, reforçou Leão aos analistas, destacando que o banco e a matriz espanhola continuam focados na meta de ROE acima de 20% até 2028. 

O que vem pela frente no Santander Brasil? 

Embora não haja ruptura estratégica, também não há muito espaço para improviso. Na visão do JP Morgan, o mandato de Finkelsztain começa com um roteiro relativamente claro — ancorado em dois pilares que já vinham sendo construídos: 

  • Disciplina de custos — o motor invisível da rentabilidade 

O banco continuará focado na agenda de eficiência, mirando o crescimento nominal zero nas despesas no médio prazo.   

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Um dos principais vetores dessa estratégia é o programa de tecnologia “Gravity”, que prevê a migração de sistemas legados para a nuvem — movimento que pode gerar economia anual de cerca de R$ 400 milhões no Brasil, segundo Leão. 

A isso se somam ainda a otimização da rede de agências, redução de camadas organizacionais no banco, e renegociação de contratos e ganhos operacionais. 

A leitura dos analistas é que o Santander já se posiciona à frente dos pares nesse quesito — e a nova gestão tende a reforçar essa vantagem. 

  • Seletividade no crédito — crescer melhor, não necessariamente mais 

Se no passado o crescimento veio com maior exposição ao risco, agora a lógica no Santander Brasil é outra. O banco não quer ganhar o jogo pelo tamanho, mas pelo mix de crédito. 

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O banco quer crescer com mais qualidade, concentrando esforços em segmentos de maior retorno, como clientes de alta renda no Select e pequenas e médias empresas (PMEs), em que os retornos podem chegar entre 40% e 50%.

Ao mesmo tempo, a exposição a clientes de baixa renda deve continuar a ser reduzida. 

“A mensagem foi positiva sobre qualidade de crédito, com custo de risco em tendência de queda à medida que limpa portfólios legados”, avaliam os analistas.   

O foco da administração estará em melhorar a produtividade do RWA, indicador que relaciona o lucro líquido aos ativos ponderados pelo risco — ou, em outras palavras, extrair mais retorno para cada unidade de risco assumido.

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Na visão do JP Morgan, a rentabilidade permanecerá ancorada em “positive jaws”, quando as receitas crescem mais rápido do que os custos e provisões.

Finkelsztain terá o desafio de manter essa “tesoura” aberta para garantir a expansão do lucro. 

"Embora o grupo indique custo de crédito estável para este ano, Leão acredita que há espaço para provisões caírem à medida que limpa portfólios legados”, destacam os analistas.  

Ação SANB11 ainda vale a pena? 

Mesmo com a troca de comando, o JP Morgan continua otimista com o Santander Brasil.

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Os analistas mantiveram recomendação de compra (overweight) para os papéis SANB11. 

Na visão dos analistas, o banco negocia a múltiplos atraentes, de 6,5 vezes os lucros estimados para 2026. 

Além disso, o banco norte-americano vê um “caminho claro de rentabilidade” para o Santander Brasil, que pode levar o ROE do banco a 22%, nas contas dos analistas. 

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