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Em reunião com analistas, CEO diz que transição foi planejada e que modelo atual veio para ficar; veja o que esperar do bancão agora
Foram quatro anos de ajustes, cortes de risco e reconstrução de rentabilidade. Quando os primeiros sinais de melhora começaram a aparecer de forma mais relevante, veio a mudança inesperada: Mario Leão deixará o comando do Santander Brasil (SANB11).
O anúncio surpreendeu o mercado na semana passada e levantou uma dúvida entre os investidores: com a saída de Leão, o banco vai mudar de rumo?
Em reunião com analistas do JP Morgan, o executivo foi direto ao ponto: a resposta, segundo ele, é não. Com a chegada de Gilson Finkelsztain, a estratégia permanece — com ainda mais disciplina na execução.
Na avaliação do próprio Mario Leão, sua saída acontece “em posição de força”. O executivo afirmou que a decisão, motivada por razões pessoais, foi planejada — e que a transição será conduzida sem sustos ou sobressaltos.
Ele permanece no cargo até a divulgação dos resultados do primeiro semestre de 2026, garantindo uma passagem de bastão mais gradual.
Mas o timing chama atenção. O Santander Brasil ainda atravessa um processo de reconstrução de rentabilidade após ciclos desafiadores no crédito, marcados por pressão sobre margens e aumento da inadimplência.
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Ao mesmo tempo, começa a colher os primeiros resultados de um ajuste mais profundo no modelo de negócios.
Sob a gestão de Leão, o banco saiu de um ROE na casa dos 10% em 2023 para 17,6% no fim de 2025 — uma melhora relevante, ainda que distante da ambição de longo prazo.
O próprio executivo descreveu a franquia como "melhor preparada hoje do que no passado", com um modelo de negócio menos cíclico e mais equilibrado.
“O legado de Mario Leão é um banco mais forte e menos volátil”, resume o relatório do JP Morgan.
A leitura dos analistas é que a troca acontece justamente quando o banco começa a reencontrar tração — o que torna a execução, daqui para frente, mais importante do que qualquer mudança de estratégia.
O escolhido para assumir o comando não é exatamente novo na casa. Gilson Finkelsztain já conhece o Santander Brasil por dentro — foi executivo da instituição antes de comandar a B3.

Segundo os analistas, ele traz um perfil diferente: mais ligado a mercado de capitais, eficiência operacional e desenvolvimento de produtos. Para o JPMorgan, essa combinação pode ser positiva — desde que bem calibrada.
Para os analistas, o Santander Brasil de Finkelsztain será um banco de execução técnica, menos focado em volume e mais em produtividade de capital.
“A mudança de CEO não implica qualquer alteração na estratégia”, reforçou Leão aos analistas, destacando que o banco e a matriz espanhola continuam focados na meta de ROE acima de 20% até 2028.
Embora não haja ruptura estratégica, também não há muito espaço para improviso. Na visão do JP Morgan, o mandato de Finkelsztain começa com um roteiro relativamente claro — ancorado em dois pilares que já vinham sendo construídos:
O banco continuará focado na agenda de eficiência, mirando o crescimento nominal zero nas despesas no médio prazo.
Um dos principais vetores dessa estratégia é o programa de tecnologia “Gravity”, que prevê a migração de sistemas legados para a nuvem — movimento que pode gerar economia anual de cerca de R$ 400 milhões no Brasil, segundo Leão.
A isso se somam ainda a otimização da rede de agências, redução de camadas organizacionais no banco, e renegociação de contratos e ganhos operacionais.
A leitura dos analistas é que o Santander já se posiciona à frente dos pares nesse quesito — e a nova gestão tende a reforçar essa vantagem.
Se no passado o crescimento veio com maior exposição ao risco, agora a lógica no Santander Brasil é outra. O banco não quer ganhar o jogo pelo tamanho, mas pelo mix de crédito.
O banco quer crescer com mais qualidade, concentrando esforços em segmentos de maior retorno, como clientes de alta renda no Select e pequenas e médias empresas (PMEs), em que os retornos podem chegar entre 40% e 50%.
Ao mesmo tempo, a exposição a clientes de baixa renda deve continuar a ser reduzida.
“A mensagem foi positiva sobre qualidade de crédito, com custo de risco em tendência de queda à medida que limpa portfólios legados”, avaliam os analistas.
O foco da administração estará em melhorar a produtividade do RWA, indicador que relaciona o lucro líquido aos ativos ponderados pelo risco — ou, em outras palavras, extrair mais retorno para cada unidade de risco assumido.
Na visão do JP Morgan, a rentabilidade permanecerá ancorada em “positive jaws”, quando as receitas crescem mais rápido do que os custos e provisões.
Finkelsztain terá o desafio de manter essa “tesoura” aberta para garantir a expansão do lucro.
"Embora o grupo indique custo de crédito estável para este ano, Leão acredita que há espaço para provisões caírem à medida que limpa portfólios legados”, destacam os analistas.
Mesmo com a troca de comando, o JP Morgan continua otimista com o Santander Brasil.
Os analistas mantiveram recomendação de compra (overweight) para os papéis SANB11.
Na visão dos analistas, o banco negocia a múltiplos atraentes, de 6,5 vezes os lucros estimados para 2026.
Além disso, o banco norte-americano vê um “caminho claro de rentabilidade” para o Santander Brasil, que pode levar o ROE do banco a 22%, nas contas dos analistas.
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