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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DESTAQUES DO MERCADO

PicPay supera expectativas no balanço do 4T25, mas não escapa de queda forte na Nasdaq. O que dizem os analistas?

Apesar de lucro e receita acima do esperado na fintech, o mercado reage ao contexto geopolítico, com maior aversão ao risco no pregão

Camille Lima
Camille Lima
19 de março de 2026
14:21 - atualizado às 14:47
Logo do PicPay e, ao fundo, um gráfico de mercado que representa queda
Ações do PicPay (PICS) em queda - Imagem: iStock/peshkov/Divulgação - Montagem: Giovanna Figueredo

O primeiro balanço do PicPay desde a estreia em Wall Street trouxe números que, em tese, deveriam animar investidores: lucro em alta, receita crescente e expansão da carteira de crédito acima do esperado

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Mas, no pregão desta quinta-feira (19), a performance das ações foi em outra direção. Com liquidez ainda reduzida no exterior e em meio a um dia de aversão global ao risco, os papéis da fintech figuraram no vermelho.  

Por volta das 14h15, os papéis PICS negociavam em forte queda de 20,40% na Nasdaq, cotados a US$ 12,60. 

O movimento acontece em um pregão já pressionado pela aversão ao risco, tanto no Brail quanto no exterior.  

A escalada das tensões no Oriente Médio — que entram no 20º dia — tem elevado o preço do petróleo e reacendido preocupações com a inflação global. Durante a madrugada, o Brent chegou a superar os US$ 119, em um cenário que complica ainda mais o caminho da política monetária ao redor do mundo. 

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Nesse contexto, ativos mais sensíveis a risco acabam sendo os primeiros a sentir o impacto — mesmo quando os fundamentos mostram melhora. 

Leia Também

PicPay: um primeiro balanço acima do esperado 

Na noite anterior, o PicPay divulgou seu primeiro resultado financeiro desde o IPO realizado no fim de janeiro em Nova York — e os números vieram acima das expectativas. 

O lucro líquido ajustado somou R$ 188,2 milhões no quarto trimestre de 2025, um salto de 136% na comparação anual e de 78,6% frente ao trimestre imediatamente anterior. O resultado superou em 31,5% o topo do guidance projetado pela própria companhia. 

Segundo a fintech, parte relevante do resultado no trimestre foi impulsionada por um crédito tributário não recorrente de R$ 890 milhões, ligado ao reconhecimento de ativos fiscais diferidos. Esse efeito foi parcialmente compensado por R$ 274 milhões em despesas não recorrentes e sem impacto em caixa. 

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No consolidado de 2025, o lucro atingiu R$ 502 milhões — praticamente o dobro do registrado no ano anterior. 

rentabilidade também avançou. O retorno sobre o patrimônio (ROE) ajustado chegou a 24,4%, alta de 5,4 pontos porcentuais em relação a 2024. 

Já a receita líquida total alcançou R$ 3 bilhões no trimestre, crescimento de 69% na base anual e de 10% na comparação trimestral, superando em 4,5% o topo do guidance.  

O desempenho foi impulsionado por maior penetração de crédito, avanço na atividade transacional — com destaque para o Pix financiado — e crescimento na venda de seguros. 

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A base de clientes também seguiu em expansão.  

O PicPay encerrou 2025 com 67 milhões de contas registradas, alta de 11% em relação ao ano anterior, mantendo um ritmo de mais de 1 milhão de novas contas por trimestre. Já o número de clientes ativos chegou a 42,7 milhões, ante 39 milhões um ano antes. 

Crédito segue como motor — com mais risco no radar 

Para 2026, a estratégia do PicPay segue centrada na expansão da carteira de crédito, aumento de margens e maior venda cruzada (cross-sell) de produtos, além do avanço no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs). 

A expectativa da administração é que o crédito passe a representar cerca de 60% da receita total, com destaque para o avanço dos produtos garantidos, que devem atingir aproximadamente 25% da receita. 

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De olho no guidance, para o primeiro trimestre, o PicPay projeta lucro líquido de R$ 140 milhões — ou R$ 155 milhões em termos ajustados — e uma carteira de crédito de R$ 26,5 bilhões, ante R$ 24,1 bilhões ao fim de 2025. 

A receita total esperada é de R$ 3,15 bilhões, com margem financeira líquida de R$ 1,65 bilhão. Já o lucro bruto deve atingir R$ 1,09 bilhão, enquanto o resultado antes de impostos (EBT) é estimado entre R$ 215 milhões e R$ 235 milhões. 

Por outro lado, o avanço do crédito traz um ponto de atenção. Em entrevista à Broadcast, o diretor de relações com investidores, André Cazotto, sinalizou que a inadimplência deve subir “um pouco” nos próximos meses, refletindo tanto o estágio de maturação da carteira quanto mudanças no mix de produtos. 

O índice de atrasos do PicPay acima de 90 dias passou de 6,0% em setembro para 7,2% em dezembro. 

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Uma das principais mudanças foi a desaceleração das originações ligadas ao saque-aniversário do FGTS, impactadas por restrições regulatórias. Em seu lugar, o PicPay acelerou o consignado privado, que hoje responde por boa parte das novas concessões. 

Atualmente, cerca de dois terços das originações vêm de produtos garantidos, enquanto o restante é composto principalmente por crédito não garantido, como cartões. 

Segundo analistas, essa transição representa uma mudança relevante na dinâmica da carteira: menos dependência de um produto específico e maior foco em linhas com melhor retorno ajustado ao risco — ainda que com maior necessidade de provisionamento. 

A aposta da companhia é que o consignado privado seja o principal motor de crescimento ao longo de 2026. 

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Mercado vê fundamentos sólidos para o PicPay 

Para o Bank of America (BofA), o lucro líquido e os indicadores operacionais do PicPay superam o guidance, "dando confiança de que a gestão pode entregar o plano ambicioso para 2026".

"Os resultados do 4T25 e o guidance do 1T26 devem dar ao mercado confiança de que a gestão está no caminho para entregar seu plano de negócios ambicioso, que implica expansão de lucro líquido de cerca de 100% em 2026, e apoiar a reavaliação da ação", afirmaram os analistas, que seguiram com recomendação de compra para as ações.

Na avaliação do Citi, o balanço marcou um início forte do PicPay como empresa listada, com resultados acima das expectativas tanto em lucro quanto em crescimento da carteira. 

As provisões também ficaram 10% acima das estimativas dos analistas, enquanto as despesas ficaram praticamente em linha com o esperado. 

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“O PicPay reportou um trimestre forte em todos os aspectos — superando nossas expectativas e também as expectativas de guidance da administração para o período”, avaliam os analistas. 

Para o banco norte-americano, o principal destaque do resultado foi a expansão do portfólio de crédito focado em empréstimos garantidos.  

“Por ora, a qualidade dos ativos parece sob controle, e as despesas resultam em um índice de eficiência ajustado abaixo de 50%”, acrescenta o banco.  

O Citi manteve recomendação de compra para as ações do PicPay, sustentando a tese em um modelo de negócios com spread relevante entre rentabilidade e custo de capital — o que justificaria um valuation mais elevado. 

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Hoje, o Citi projeta para o PicPay múltiplos de cerca de 21,1 vezes lucro para 2026 e 9,1 vezes para 2027. 

Os analistas também não preveem nenhuma distribuição de capital aos acionistas no curto prazo. “Nosso upside é baseado apenas no preço”, destacam. 

Ainda assim, os riscos seguem no radar. Para os analistas, entre os principais pontos de atenção estão:  

  • A execução do crescimento da carteira de crédito com qualidade; 
  • Possíveis mudanças regulatórias, como limites de juros; 
  • Exigências de capital; 
  • Aumento da concorrência; e  
  • Impacto cambial, já que a empresa reporta resultados em reais, mas tem suas ações negociadas em dólar. 

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