Com R$ 1,3 bilhão em dívidas, Alliança Saúde (AALR3) pede socorro contra RJ e recebe liminar para negociar dívidas
A Alliança, ex-Alliar, pediu uma suspensão de débitos por 60 dias, alegando a necessidade de evitar uma recuperação judicial

Mais uma empresa pediu à Justiça um socorro para renegociar suas dívidas. A Alliança Saúde (AALR3) informou nesta sexta-feira que recebeu uma liminar que dá a ela 60 dias de proteção contra a interrupção de serviços essenciais para as suas operações, à medida que o grupo busca negociar as dívidas com seus credores.
Conforme fato relevante divulgado ao mercado, a liminar sobre a ação cautelar impede a suspensão de serviços, bem como a execução e retirada de bens essenciais.
A Alliança pediu uma suspensão de débitos por 60 dias, alegando a necessidade de evitar uma recuperação judicial. O grupo possui R$ 1,3 bilhão em dívidas. A Alliança Saúde contratou o escritório TWK Advogados para trabalhar no caso, segundo o texto do Valor.
No início do mês, o fundo de investimento Tessai, gerido pela Geribá Investimentos, passou a ser controlador do Grupo Alliança, tomando o lugar do empresário Nelson Tanure.
Ontem, ao anunciar o pedido de proteção judicial, as ações AALR3 chegaram a despencar. Desde o início de março, a queda é de 31,48% e, em um ano, de 70,28%.
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“A companhia reitera que a adoção da cautelar, em caráter transitório, visa criar ambiente negocial estável para que a companhia possa conduzir a negociação com seus credores, sem que isso represente interrupção abrupta em suas atividades ou alteração na condução ordinária dos negócios.”
Outros casos
A Alliança não é única empresa a pedir essa proteção nesta semana. A Lupatech (LUPA3), fabricante de válvulas para o setor de óleo e gás, informou que ajuizou nesta segunda-feira (16) uma tutela de urgência cautelar em caráter antecedente ao pedido de recuperação extrajudicial ou judicial.
Em 2023, a empresa encerrou um processo de recuperação judicial que durou quase dez anos, após uma crise desencadeada pela Operação Lava Jato.
O mês também foi marcado pelos pedidos de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar e Raízen.
A pressão que veio da Siemens
Segundo a ação a que o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) teve acesso, a empresa alega que a proteção foi motivada por uma "conduta beligerante" de um dos credores, a Siemens, durante negociações já em curso. O documento narra que ambas tinham um acordo de crédito e que, posteriormente, o credor fez uma retenção de mais de R$ 10 milhões de suas contas bancárias.
O grupo, dono de marcas como Axial, CDB e Multilab, alega que a Siemens fez uma notificação extrajudicial para rompimento do contrato entre as duas partes e declarou a incidência retroativa de taxa de juros de inadimplemento e passou a manter uma prerrogativa de cancelar desembolsos remanescentes, declarar o vencimento antecipado de dívidas e exercer mecanismos de bloqueios patrimoniais.
Segundo o documento, o credor alega que as medidas tomadas se dão em razão de alterações no controle societário da Alliança e descumprimento de obrigações contratuais - o que é negado pela empresa de clínicas de diagnósticos.
A Alliança diz que a "estrutura arquitetada pela Siemens relativa aos recebíveis ofertados em garantia confere a ela a aptidão para interferir diretamente em todo o fluxo financeiro do Grupo Alliança, inclusive sobre receitas operacionais essenciais, essencialmente travando todo o fluxo financeiro", diz.
Apesar de a ação ser motivada, principalmente, pela relação com a Siemens, a proteção solicitada deve abranger todos os credores convocados para a mediação instaurada, para seguir com as negociações e evitar um eventual pedido de recuperação judicial.
O documento cita um risco de credores começarem a cobrar vencimento antecipado de contratos financeiros, que somam R$ 1,1 bilhão, o que inviabilizaria por completo a sua operação e justifica o pedido de proteção. Afirma, inclusive, que esse movimento já se mostrou realidade quando o Itaú Unibanco, credor, entrou com um processo de execução extrajudicial para bloquear cerca de R$ 4 milhões do conglomerado.
Com Money Times e Estadão Conteúdo
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