Petrobras (PETR4) dá marcha à ré no leilão de gás de cozinha e devolve valores após críticas de Lula
Estatal cita guerra no Oriente Médio e pressão de órgãos reguladores ao anunciar correção nos valores do GLP; entenda o imbróglio

A Petrobras (PETR4) recuou no leilão de gás de cozinha realizado no fim de março, após a operação se transformar em um novo foco de desgaste político em Brasília. Sob pressão do Palácio do Planalto, a estatal anunciou nesta quinta-feira (9) que vai neutralizar os preços elevados do certame e devolver aos clientes a diferença em relação ao valor de referência do mercado.
Em comunicado, a companhia informou que a compensação envolve os valores pagos acima do preço de paridade de importação (PPI), referência divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo a Petrobras, serão ressarcidas as diferenças entre o PPI calculado para o período de 23 a 27 de março e os lances ofertados pelos distribuidores no leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado em 31 de março.
“A decisão, sustentada por análises econômicas e de risco, leva em conta a excepcionalidade do contexto mercadológico atual, decorrente do conflito no Oriente Médio. Considera também as manifestações de órgãos de controle e regulatórios, tais como ANP e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon)”, afirmou a companhia.
Apesar do recuo, a Petrobras destacou que irá manter a entrega integral dos volumes negociados no certame.
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Pressão política pesou na decisão
O movimento acontece dias após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que reagiu duramente ao leilão.
Em declarações públicas, Lula chegou a classificar o certame como “cretinice” e “bandidagem”, afirmando que ele contrariava uma orientação do governo de não elevar o preço do gás de cozinha — um item sensível para a população de baixa renda.
O presidente também sinalizou que poderia anular o leilão, o que aumentou a pressão sobre a estatal.
Ruído interno e troca de comando na Petrobras
O episódio desencadeou uma crise interna na Petrobras, expondo divergências sobre a condução da política comercial da companhia.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, promoveu mudanças na área responsável pela comercialização, e, poucos dias depois, o então diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, foi exonerado do cargo.
Semanas antes, a Petrobras também chegou a realizar um certame de diesel com preços acima da referência interna, mas a operação acabou sendo suspensa antes de ganhar a mesma dimensão da crise do gás.
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O pano de fundo: guerra e preços do petróleo
A turbulência teve origem na disparada do petróleo no mercado internacional, desencadeada pelos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no fim de fevereiro.
O choque elevou os preços globais de energia e reacendeu o risco de repasses para combustíveis e para o gás de cozinha no Brasil.
Diante desse cenário, o governo tenta conter o efeito dominó, sobretudo sobre itens essenciais ao consumo das famílias, em um ano de eleição.
No início da semana, anunciou uma subvenção de R$ 850 por tonelada de GLP importado, totalizando R$ 330 milhões em subsídios.
A iniciativa integra um pacote mais amplo de medidas desenhadas para amortecer o impacto da alta do petróleo e evitar uma escalada nos preços domésticos de combustíveis, em meio à intensificação da guerra no Oriente Médio.
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