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BTG Pactual também enxerga um cenário favorável para geração de caixa com foco em descomissionamento e fusão com a CBO prevista para agosto

Enquanto a Petrobras (PETR4) adia novas licitações e prolonga contratos no setor de embarcações, o BTG Pactual enxerga um efeito colateral direto: a OceanPact (OPCT3) pode estar diante de um ciclo de geração de caixa mais forte e de dividendos mais robustos.
Em relatório divulgado nesta quarta-feira (24), o banco reiterou recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 13,50 e potencial de alta de 34,2% frente à cotação atual de R$ 10,06.
De acordo com o banco, a Petrobras tem priorizado a extensão de contratos e adiado novas licitações para embarcações, sem previsão de leilões relevantes até o fim deste ano. Nesse cenário, o banco avalia que o fluxo de oportunidades deve migrar para serviços de descomissionamento.
Segundo o BTG, a OceanPact está bem-posicionada para capturar essa demanda, inclusive com potencial de atuação em licitações utilizando embarcações de apoio submarino (RSV) adaptadas, o que pode se tornar uma fonte adicional de geração de caixa.
E os investidores também parecem concordar com o banco. No início da semana, o BTG relatou que a OceanPact foi um dos nomes mais citados em uma reunião com dezenas de clientes. Você pode conferir tudo nesta matéria do Seu Dinheiro.
A fusão entre OceanPact e o Grupo CBO é tratada como o principal gatilho de curto prazo. A conclusão da operação é esperada para meados de agosto, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
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Segundo o BTG, a combinação deve destravar sinergias relevantes. “Cada melhora de 1 ponto percentual representa aproximadamente R$ 15 milhões de Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] incremental por ano”, apontam os analistas ao se referirem à redução da inatividade da frota.
Em outra frente, o banco destaca o potencial de ganho com maior ocupação da frota da CBO. “Cada aumento de 1 ponto percentual na contratação das embarcações atualmente ociosas da CBO adiciona aproximadamente R$ 14 milhões ao Ebitda anual”, diz o relatório.
A integração também deve permitir ganhos operacionais adicionais, como uso de veículos operados remotamente (ROVs) próprios e acesso ao estaleiro da CBO, com impacto em investimentos e eficiência tributária.
No campo financeiro, o BTG avalia que a fusão deve melhorar a geração de caixa e reduzir o custo da dívida da companhia combinada.
Com isso, os limites de alavancagem foram ajustados para até 3 vezes dívida líquida/ Ebitda, ante 2,5 vezes anteriormente. O banco destaca que isso abre espaço para maior flexibilidade na política de capital.
“Quando a alavancagem cair abaixo de 2,5 vezes, a companhia poderá distribuir dividendos acima do mínimo obrigatório”, afirma o relatório.
O BTG projeta dividend yield (retorno com dividendos) de 13% em 2027, podendo chegar a 23% ao considerar UP Claims — ativos vinculados a direitos de recebimento relacionados a disputas contratuais ou indenizações que podem ser convertidos em fluxo de caixa adicional —, o que coloca os proventos como um dos principais vetores de retorno da tese.
Outro pilar da recomendação está no desequilíbrio estrutural do setor de apoio offshore. O BTG reforça que o mercado global segue impactado pelo subinvestimento desde a crise de 2015, o que limita a oferta de novas embarcações.
“De forma geral, a administração acredita que as taxas diárias ainda precisam avançar para justificar economicamente novas construções”, diz o relatório ao comentar a visão da companhia sobre o setor.
Pelo lado da demanda, a entrada de novos FPSOs (sigla em inglês para Floating Production Storage and Offloading, ou unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo), a manutenção de campos maduros e o avanço do descomissionamento sustentam o nível de atividade no Brasil.
O banco também observa que, embora haja novas embarcações em construção, os valores praticados em licitações recentes da Petrobras seguem acima dos níveis atuais, em um contexto de custos de reposição elevados.
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