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Nova projeção para o petróleo melhora cenário global, mas Bank of America vê na estatal uma combinação que outras empresas na América Latina não conseguem replicar

A recente disparada dos preços do petróleo melhorou o ambiente para as companhias do setor, mas nem todas conseguem transformar esse cenário em retorno da mesma forma — e umas delas sai na frente: a Petrobras (PETR4).
A estatal recebeu um upgrade relevante do Bank of America (BofA), que elevou a recomendação para a petroleira de “neutra” para “compra”.
Mesmo após uma valorização de cerca de 80% no ano, bem acima de seus pares globais, o banco avalia que ainda há espaço para novas altas. A visão mais construtiva está ancorada em fundamentos que seguem se fortalecendo e em uma mudança mais ampla no cenário da commodity.
O preço-alvo da Petrobras foi elevado de R$ 49 para R$ 65 por ação, o que implica um potencial de valorização de cerca de 33,8%. No caso dos ADRs negociados em Nova York, a estimativa passou de US$ 18,70 para US$ 24,80.
A revisão não se limita à estatal. O banco atualizou suas projeções para o setor de petróleo como um todo e elevou preços-alvo de empresas de exploração e produção na América Latina. Ainda assim, o tom para a Petrobras é mais otimista do que para os demais nomes.
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A revisão parte de uma mudança importante no cenário global. A equipe do BofA elevou recentemente suas projeções para o petróleo Brent, a referência internacional, para:
Além disso, o banco aumentou sua estimativa de longo prazo para US$ 75 por barril, ante US$ 70 anteriormente.
A justificativa está em um mercado mais apertado e, principalmente, no aumento da volatilidade geopolítica — com destaque para a escalada de tensões no Irã e as incertezas em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo.
Esse novo cenário levou o banco a recalibrar seus modelos e elevar preços-alvo para empresas de petróleo na América Latina. Mas isso não significa que todas estejam igualmente bem-posicionadas.
Na visão do banco, a Petrobras tem uma vantagem clara na conversão do preço do petróleo em geração de caixa.
As estimativas indicam que o rendimento de fluxo de caixa ao acionista (FCFE) deve atingir cerca de 18% em 2026 e 16% em 2027 — níveis elevados mesmo para os padrões da indústria.
Esse desempenho ajuda a explicar por que a Petrobras segue sendo vista como uma das principais pagadoras de dividendos do mercado, mesmo em um momento de aumento dos investimentos.
A companhia entra em um ciclo mais intensivo de investimentos (capex) nos próximos anos, mas ainda assim consegue preservar uma geração de caixa robusta, sustentando a distribuição de proventos.
“De fato, as discussões podem passar a incluir dividendos extraordinários sob preços elevados do petróleo”, diz o BofA.
Outro ponto relevante está na sensibilidade da Petrobras às variações do petróleo.
Segundo o BofA, a companhia responde de forma mais intensa aos movimentos do Brent do que seus pares internacionais. Isso significa que, em um ambiente de alta da commodity, o impacto positivo sobre os resultados tende a ser mais forte.
Em um relatório divulgado na quinta-feira (16), o banco trouxe ajustes para outras empresas da América Latina, como Prio (PRIO3), Brava Energia (BRAV3), PetroReconcavo (RECV3) e Ecopetrol (E1CO34).
Os preços-alvo subiram, mas, em geral, as recomendações foram mantidas:
Ou seja, o cenário melhorou, mas os limites continuam lá.
Apesar do cenário mais favorável, a Petrobras ainda convive com incertezas relevantes — e a principal delas continua sendo a política de preços de combustíveis.
Embora os preços sejam formalmente livres no Brasil, o repasse das variações internacionais nem sempre ocorre de forma imediata. Isso porque reajustes de diesel e gasolina têm impacto direto sobre a inflação e o custo de vida.
“Teoricamente, os preços são desregulados no Brasil. Mas, como em muitos países, aumentos afetam a inflação e os consumidores, o que torna esse tipo de decisão politicamente delicada”, destacam os analistas.
Ainda assim, o banco avalia que há limites para essa dinâmica. A administração da Petrobras tem deveres fiduciários que exigem que decisões sejam tomadas no melhor interesse da companhia e de seus acionistas — o que inclui evitar perdas econômicas recorrentes.
Nesse contexto, a expectativa é de que os preços sejam ajustados ao longo do tempo. “Esses deveres não exigem paridade de importação em todos os momentos, mas implicam que a política de preços não pode gerar prejuízos sustentados. Por isso, esperamos algum alinhamento com a paridade ao longo do ano”, afirmam.
Outro ponto de atenção está na alocação de capital.
Declarações recentes do governo defendendo um papel mais ativo da companhia em áreas como refino, etanol e outros segmentos industriais reacendeu especulações sobre possíveis aquisições, incluindo a recompra de ativos vendidos no passado.
Até agora, no entanto, essas discussões não se traduziram em decisões concretas. Segundo o BofA, existe uma separação clara entre o discurso político e a atuação da gestão, que segue baseada em critérios de retorno e disciplina de capital.
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